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De criança para criança

A Maldita Rotina Que Nos Faz Esquecer de Nossos Bens Mais Preciosos

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

 

 

Chega o verão e ouvimos relatos de crianças esquecidas por horas no interior de veículos e, na maioria dos casos, com finais trágicos, principalmente nos grandes centros. Digo no verão, porque certamente crianças são também esquecidas em estações menos quentes do ano, e por essa razão, obviamente, têm mais chances de sobreviver...

 

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Não me cabe julgar os pais que, nessas situações, a meu ver, são também vítimas dessas nossas rotinas estressantes de trabalho e cobranças por resultados, que somados aos tablets e smartphones de última geração, acabam roubando o nosso foco daquilo que é o nosso bem mais precioso: os nossos filhos!

Para quem acha um absurdo o fato de um pai ou uma mãe esquecer uma criança em um carro, sob um sol escaldante, cabe aqui uma ponderação do psicólogo Hélio Deliberador:


“A rotina orienta a memória e muitas vezes nos trai, porque certas coisas acontecem fora da rotina. A nossa vida não é só rotina. Nossa vida são coisas novas, situações novas, mudanças. Nós nos defendemos dizendo 'eu não esqueço, isso não pode acontecer comigo’. Mas é uma defesa. Isso pode acontecer com qualquer pessoa. Faz parte da nossa condição humana: esquecer”.

 

O psicólogo alerta ainda que as mudanças de rotina ou as situações de estresse exigem cooperação e atenção redobrada:


“Quando está fora da rotina, tem que fazer bilhetes, escrever, ter jeitos para lembrar daquilo que você tem como responsabilidade. Você tem que estar com seu sistema nervoso sempre preparado para prevenir situações de risco”.


E vou mais além e indago se o Governo Federal não poderia investir em campanhas alertando sobre tais situações e recomendando algumas medidas, como por exemplo, de orientar os motoristas a não deixarem a cadeirinha do bebê atrás de seu banco, mas em uma posição de segurança visível para quem dirige, pois observei que nos casos ocorridos tanto em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, quanto em BH, as cadeirinhas foram colocadas atrás do banco do motorista. E pelo fato de ficarem “escondidas” e em silêncio (é sabido que o interior dos carros é o melhor lugar para uma criança dormir), o motorista não atina que está involuntariamente esquecendo (perdoem a redundância) uma criança no carro.

A ONG "Criança Segura" também dá uma dica preciosa: coloque algo que você vá precisar em sua próxima parada - como uma bolsa, almoço, mochila da academia ou maleta - no chão do banco de trás, onde a criança está sentada. Esse ato simples pode prevenir o esquecimento acidental da criança caso ela esteja dormindo.

No mais, é orar e vigiar!

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/12/criancas-morrem-apos-serem-esquecidas-pelos-pais-dentro-de-carro.html

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Não é falta de tempo, é falta de prioridades.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

 

O tempo que hoje parece mais corrido, não é fruto de nenhuma transformação mágica ocorrida na natureza. O tempo escasso é apenas consequência natural de nossa fissura pelos aparatos tecnológicos.

 

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Muitos ainda não perceberam, mas cada vez mais nos tornamos refens de nossa própria criação. A comunicação instantânea nos trouxe rapidez, mas nos tornou também frios e individualistas. O que antes era diálogo, hoje é whatsapp. E o que era carta, hoje virou Facebook.


Nosso tempo se perde na nossa própria ignorância, aquilo que nos trouxe agilidade, acabou nos tornando também prisioneiros. O mundo anda muito corrido, mas não tanto quanto nossa incapacidade de tornar as relações mais humanas.


Somos prisioneiros do aparato tecnológico porque ele não exige muito de nós, podemos fingir ser aquilo que não somos, pois atrás da tela ninguém vai perceber nosso rosto enrubescer quando mentimos. Perdemos um tempo incalculável na atualização de nossas redes sociais, o mesmo tempo que depois reclamos que anda escasso.


Nosso smartphone é  hoje algo indispensável, nossas amigos estão todos naquela caixinha maravilhosa, basta um clique. Estamos tão concentrados nela que nem percebemos que o calor humano jamais poderá ser reproduzido por um novo aplicativo do Google Play.


Estamos sendo doutrinados a abrir mão da materialidade, o virtual é que dita os rumos. O dia continua com as mesmas 24 horas, mas toda essa modernidade nos consome muito tempo. E assim, a tendência é que continuemos trocando o bate papo com alguém do nosso lado, pelos nossos amiguinhos virtuais. O homo-cyber segue dominando o mundo, enquanto isso, a depressão segue acometendo cada vez mais pessoas. Não seria a hora de repensarmos nossas prioridades?

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Homo Sapiens x Homo Cyber

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Atualmente o universo humano se divide em 2 espécies: o homem civilizado – homo sapiens e homem cibernetizado – homo cyber.

 

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O homo sapiens ainda consegue manter o mínimo de convívio humano e procura manter o contato físico como forma de interação. Ainda que homo sapiens conviva com o aparato tecnológico, ele não é dependente dele, eles são apenas instrumentos de facilitação de comunicação e informação. Para o homem sapiens o calor humano é algo imprescindível, ele ainda consegue ter a consciência de que a espécie humana só evoluiu porque aprendeu a extrair a essência do indivíduo. Muitas das descobertas que hoje desfrutamos foram frutos de relações interpessoais.

 

Já o homo cyber é dependente das tecnologias, ele está mais preocupado com os amigos virtuais do que com o universo real. O homo cyber valoriza mais os seus gadgets digitais do que as relações humanas. Por isso é muito comum você se deparar com grupo de pessoas que se comunicam com todos, menos com quem está do seu lado.


O homo cyber não vive mais sem seu smartphone, ele é escravo da tecnologia. A mesma tecnologia que encanta, também escraviza. Para eles o celular é uma necessidade básica, quase fisiológica. Nas rodas de amigos dessa espécie o diálogo inexiste, é um silêncio sepulcral só quebrado pelo som dos teclados. A comunicação agora é monólogo. Atualizar minha rede social é mais importante do que um bate papo descontraído com os amigos.

 

Nessa espécie, a exaltação da humilhação é algo desafiador. Por isso, o respeito ao semelhante deu lugar a violência injustificada, quem possui como prêmio o compartilhamento em massa de agressões, violência e humilhações públicas. Se alguém está sendo agredido ou humilhado, ninguém interfere, pois a filmagem é mais importante do que o ser humano, isso será um material atrativo para os amigos do Facebook e Whatsapp.

 

Para o homem cyber a sexualidade não é mais algo íntimo, ela se tornou uma espécie de competição entre mocinhas que se despem para os amantes virtuais. Quanto mais ousado for, mais interessante se torna.

 

O homo cyber não tem consciência de que a cibernética domina suas ações. Para ele, isso é um processo natural de evolução. Ele não percebe que a tecnologia está tornando as relações superficiais demais. O amigo virtual é sempre mais importante do que o amigo do lado. Com isso estamos construindo uma sociedade cada vez mais repleta de virtualidade e oca de materialidade.

 

Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez. [Simone de Beauvoir]

 

Estamos vendo nascer e crescer uma geração que não sabe mais viver sem o aparato tecnológico, o que veio para facilitar a vida, acabou se tornando um aprisionador de mentes. O futuro desse fenômeno ninguém sabe ao certo. Mas é bem provável que muitos um dia venham a lamentar pelo tempo que perderam com as máquinas. O ser humano é insubstituível e o convívio humano uma necessidade evolutiva. Num futuro não muito distante  perceberemos que o ser humano começará a involuir. O homo sapiens entrará em extinção e o homo cyber viverá apenas a mercê de todo aparato tecnlógico existente. Ironia do destino: o criador refém da criatura.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Receita Literária

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

 

Uma forma bem didática de propagar o nome dos grandes mestres da literatura brasileira. Nesta frase recebem homenagem especial: Manuel Bandeira; Machado de Assis; Guimarães Rosa; Graciliano Ramos; Gregório de Matos; Augusto dos Anjos e Jorge Amado.

 

 

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Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

O LED do Vaga-Lume

terça-feira, 2 de setembro de 2014

 

 

 

Certa vez, dois gentis missionários da Igreja das Testemunhas de Jeová, deixaram em minha casa uma edição muito interessante de sua revista “Despertai!”. Trata-se de um periódico que a respeitável igreja imprime e distribui em sua obra missionária, dando dicas de como enfrentar os problemas do dia a dia com sabedoria e fé, e onde pode se conhecer um pouco mais de sua doutrina peculiar, afastando certos preconceitos.

 

Vaga-Lume

 

Na última página, sob o título “A Lanterna do Vaga-Lume”, a matéria informava sobre uma descoberta que os pesquisadores acabaram de realizar a partir das pequeninas escamas na superfície da lanterna de alguns vaga-lumes. A lanterna, ou órgão bioluminescente de um vaga-lume do gênero Photuris, é coberta por escamas irregulares, cuja função é aumentar a intensidade da luz produzida por esse ser fantástico.

 

Os cientistas concluíram que as escamas formam um padrão ondulado, como telhas sobrepostas, e nas bordas das escamas existe uma saliência de apenas três micrômetros de altura, com um tamanho vinte vezes menor que a espessura de um fio de cabelo humano.

 

E de forma espetacular, essas minúsculas saliências irregulares potencializam o efeito da lanterna natural do inseto, fazendo-a brilhar 50% a mais do que se as escamas fossem completamente lisas.

 

Com base nesta constatação, chegou-se a indagar se essa estrutura poderia melhorar a eficiência dos diodos emissores de luz (LEDs), usados em muitos aparelhos eletrônicos de última geração. Para comprovar, os cientistas revestiram os LEDs com uma camada ondulada, imitando a superfície da lanterna do vaga-lume. E qual foi o resultado? Os LEDs emitiram 55% mais luz!

 

A física Annick Bay, assombrada com o resultado, disse: “O aspecto mais importante desse trabalho é que ele destaca o quanto podemos aprender por estudar a natureza.”

 

E para encerrar, no final da excelente matéria impressa na “Despertai!”, são feitas as seguintes e instigantes ponderações: “Será que lanterna desse vaga-lume é resultado da evolução [darwiniana] ou teve um projeto [criacionista]?

 

*[Crônica publicada na Folha de Paraopeba, edição de setembro de 2014]

 

 

Bonus Track:

 

O goleiro Aranha no divã… Charge da Folha de Paraopeba.

 

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Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

A tecnologia que nos uniu, é a mesma que nos separa.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

 

Vivemos num tempo em que a correria do dia a dia é quem dita o ritmo. O mundo evoluiu, a tecnologia facilitou nossa vida. Mas ainda não encontraram nada para substituir o calor humano.

 

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Grande parte de nossa nostalgia não é oriunda da falta de habilidade em lidar com a modernidade, mas um misto de saudade e tristeza por lembrar do tempo em que as relações humanas eram mais importantes do que atualizar o perfil numa rede social.


Temos tempo para tudo, para baixar nossas músicas, para atualizar nosso perfil, para ler diversos sites de notícias, para manter nossos amigos no Whatsapp informados a nosso respeito. Mas não temos tempo para conversar pessoalmente com eles.

 

A evolução tecnológica nos tornou mais egocentristas, sem que percebêssemos. Talvez seja esse o motivo da depressão ser hoje o mal do século.

 

A causa  muitas vezes pode ser ocasionada por essa falsa ilusão de que a tecnologia nos uniu, quando na verdade somos só nós e o computador, o tablet ou o smartphone. Quando nos damos conta disso, percebemos que vivemos ricos de modernidade e pobres de materialidade.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Achado não é roubado! Mas e a ética e a moral, onde ficam?

quinta-feira, 17 de julho de 2014

 

Que me desculpem os mais otimistas mas hoje estou um pouco decepcionado com o ser humano. A gente que exige tanto ética e  moral dos nossos governantes, que deveríamos ser os primeiros a dar exemplo. Exemplo de honestidade, de retidão, de caráter. Estou especialmente decepcionado por um fato que aconteceu com minha esposa ontem no shopping de uma cidade vizinha a nossa, mais especificamente em Sete Lagoas.

 

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Por ser feriado religioso na minha cidade aproveitamos a folga para fazer umas compras e passear com nossos filhos. Em dado momento minha esposa se dirigiu ao fraldário do shopping para amamentar meu filho recem-nascido e como eu tinha que resolver outras coisas acabei por tomar outro rumo.


Qual não foi minha supresa ao receber a ligação dela de outro telefone dizendo que tinha perdido seu celular. Quando a encontrei novamente ela me relatou que foi amamentar nosso filho e acabou colocando o celular numa bancada próxima, ao sair acabou esquecendo o aparelho. Quando deu falta dele acabou voltando ao fraldário e encontrou uma senhora que limpava o local, essa senhora disse que havia acaba de entrar uma moça loira passando mal e que percebeu quando ela saiu carregando um celular amarelo, certamente o da minha esposa.
Não estou aqui fazendo mencão à questão material do bem, que é totalmente insignificante perto do valor sentimental. Esse aparelho eu dei de presente pra minha esposa por ocasião de seu aniversário em junho passado. Justamente para que ela pudesse registrar os momentos de crescimento de nosso filho. O aparelho tinha várias fotos e vídeos dele.


Me entristece muito é perceber como algumas pessoas não possuem o mínimo de educação, de moral, de ética. Esses valores foram os primeiros ensinamentos dos meus pais. O que é meu é meu o que é do outro é do outro. Eu carrego comigo esse ensinamento desde a infância. Jamais faria algo semelhante. Até mesmo porque a gratidão da pessoa quando devolvemos algo que ela perdeu não tem dinheiro que pague.


Percebemos que em nosso país existem pessoas honestas, mas existem corruptos. Muitos deles no poder. E sabemos perfeitamente porque eles estão lá. Eles são o reflexo de alguns que não possuiram uma formação moral por parte da família. Pessoas comuns, que convivem conosco em muitos casos reclamando dos nossos políticos. Mas incapazes de devolver um simples aparelho que não lhe pertence. Minha tristeza não é pela perda do bem, mas pela decepção de perceber que em nosso meio existem mais corruptos do que se imagina, pessoas cujo dinheiro é mais importante do que qualquer valor ético ou moral.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Reflexões sobre a copa, ou não…

segunda-feira, 14 de julho de 2014

 

E agora José? A copa acabou, o legado atrasou, a conta sobrou. Não fomos campeões, e nem merecemos. Qualquer um que entenda mais ou menos de futebol sabia que as apresentações da nossa seleção não inspiravam confiança. Torci mesmo assim, como muitos outros também torceram, por acreditar no sobrenatural de almeida que sempre abunda pelo universo futebolístico. Mas desta vez o melhor venceu.

 

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Ficou na boca aquele gosto amargo de derrota. Nesse momento não sabemos o que se destaca mais, o vira-latismo ou o puxa-saquismo. Alguns querem atribuir ao futebol a culpa que, por grau de importância, ele não carrega. Se dentro de campo não brilhamos, muito pelo contrário, demos um vexame histórico. Fora dele a organização não foi um desastre que muitos previram. Muitos estrangeiros voltaram para casa maravilhados com o país que eles só conheciam pelo Google, e, diga-se de passagem, com as piores notícias possíveis.


Gastamos mais do que devíamos num momento inoportuno de nossa economia. Isso também é fato. Qualquer governante de bom senso não teria aceitado tantas imposições custeadas com recursos públicos, sobretudo num país carente de investimentos primários.


Porém, devemos ser realistas no balanço, para perceber que perdemos em alguns aspectos e ganhamos em outros. Nossa seleção foi um fiasco, obras superfaturadas, recursos públicos jogados no ralo, pesam em desfavor da copa, para tristeza dos puxa-saquistas.  Porém, a receptividade do povo brasileiro, os bons estádios, e a organização do evento de um modo geral, foram pontos positivos, para quem esperava o caos total, esses aspectos foram dignos de comemoração, para irritação dos vira-latistas.


Em resumo, creio que a copa vai ficar marcada de alguma forma. Eu só lamento que a falta de noção acabe levando pessoas aos extremos. Não admitindo que você goste de futebol sem dissociar isso das questões políticas e sociais. Perdemos dentro de campo, mas ainda assim, apesar do superfaturamento das obras, a copa não foi esse desastre todo que muitos alardearam.


Sigamos nossa vida, em outubro teremos um compromisso importante pela frente. Que saibamos ser patriotas nesse momento de festa da democracia, escolhendo com seriedade nossos representantes.

 

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Rousseau e a Raça Uruguaia

terça-feira, 1 de julho de 2014

 

 

 

Que o atacante uruguaio Luis Suárez é um craque, trata-se de um consenso mundial.

 

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Porém, a sua mordida no ombro do zagueiro italiano Giorgio Chiellini, na partida entre Uruguai e Itália, válida pela Copa do Brasil 2010, ficará marcada mais que o seu talento para fazer gols. E tal polêmica, certamente, renderá alguns longas-metragens, documentários e biografias (confesso que sempre tive uma empatia por atletas polêmicos: eles fazem o esporte ser menos chato e mais humano!).

 

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Eu concordo que o Luisito necessite de tratamento psicológico, mas discordo, data vênia, da punição excessivamente rigorosa imposta pela FIFA: suspensão por nove partidas pela “Celeste Olímpica”; multa em torno de R$250.000,00 e afastamento dos gramados por quatro meses (!).

 

E já escuto o coro dos puritanos: “Mas ele é um reincidente!”. Tudo bem, mas é um profissional. Puni-lo e recomendar tratamento, sim, mas privá-lo de seu trabalho não me parece razoável.

 

Se para o craque francês Rousseau, o homem é o fruto do meio, atrevo-me a ir mais além e denunciar: a atitude bizarra de Suárez é consequência da tão propalada “Raça Uruguaia”!

 

Isso mesmo. Essa mística de que os jogadores uruguaios são aguerridos, raçudos, fez o futebol da ex-província Cisplatina involuir a esse ponto: carrinhos, socos, pontapés, cotoveladas, voadoras, rabos-de-arraia, dedo no olho, enxadadas e, agora, mordidas!

 

O glorioso Futebol Uruguaio não pode limitar-se a isso. Lá têm jogadores de talento. O próprio Suárez é uma estrela mundial!

 

Entretanto, há algum tempo, tenho assistido aos jogos envolvendo uruguaios, cujos lances faltosos são de causar vergonha a qualquer botinudo.

 

Na Copa aqui no Brasil, por exemplo, vi os caras, em nome da “raça”, da “vontade” e da “virilidade”, darem entradas tão violentas, tão desleais, que mais pareceram cenas de um filme pastelão. Coisas que não se veem sequer em peladas de fim de tarde!

 

Claro que todo torcedor quer ver o jogador de seu time jogando com determinação, brio, raça, vontade, entrega. Mas isso não é tudo. É preciso saber jogar futebol. A arte pela arte.

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Salve a tecnologia!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

 

Salve a tecnologia! Que facilitou a nossa comunicação; que nos permitiu acumular amigos nas redes sociais; que fez com que as distâncias fossem encurtadas; que nos faz companhia mesmo estando sozinhos; que nos permite contato instântaneo com os amigos; que mudou nossa forma de relacionar com as pessoas; que nos deu o computador, o celular, o tablet, o smartphone.

 

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Essa tecnologia maravilhosa que aproxima quem está longe e afasta quem está perto. Não preciso mais de abraço, de contato físico, de calor humano, me basta um wifi para eu poder alimentar minhas carências.


Salve a tecnologia! Que veio para mudar a forma de relacionamento. Que entrou em nossas vidas, aparentemente para ficar, e que nos tornou solitários sem que percebéssemos. Essa tecnologia maravilhosa que tem o dom, inclusive, de nos tornar egocêntricos.


Não quero mais diálogo tête-a-tête, meus inúmeros amigos virtuais são muito mais divertidos.

 

Salve a tecnologia! Você é hoje indispensável, mas entre as coisas menos importantes é a mais importante. Um dia vou me dar conta de que você roubou um tempo precioso da minha vida. E que meus amores, amigos, parentes, muitos deles se foram, sem que eu nem percebesse.

 

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Porque eu não vou torcer contra o Brasil.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Moro num país onde é público e notório o descaso das autoridades legalmente constituídas na gestão dos recursos públicos. Por isso é muito comum ficarmos indignados quase que diariamente, pois todos os dias algo de podre sai do cenário político. Mesmo assim, EU SOU BRASILEIRO.

 

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Ainda que eu não tenha motivos para comemorar as conquistas que todos almejamos e sempre citamos como : saúde, educação, transporte público, segurança, saneamento básico, etc. EU SOU BRASILEIRO.


Ainda que a política desse país pareça regredir ao invés de evoluir. EU SOU BRASILEIRO.


Ainda que eu tenha inúmeros motivos para não acreditar num país mais justo e com melhor distribuição de renda, eu não desisto. EU SOU BRASILEIRO.


Ainda que eu veja com olhos o povo saindo do estado de letargia em que se encontravam para ir para as ruas protestar e exigir um país melhor. EU SOU BRASILEIRO.


Eu sei, e todos também sabem, que nosso país tem vários problemas, muitos deles desde o descobrimento. Mas torço a cara e fico indignado quando algum jornalista estrangeiro critica nosso país. Eu posso reclamar da minha pátria, eles não. Pois, EU SOU BRASILEIRO.


Ainda que tenhamos motivos para desejar, não acredito que o fracasso da Copa do Mundo irá propiciar melhora significativa para esse país. Aliás, acredito até que isso pode acarretar mais problemas que que soluções. Isso eu não quero, pois EU SOU BRASILEIRO.


Expus isso tudo para finalmente dizer que, ao contrário de alguns, eu não vou torcer pelo fracasso do Brasil na copa. Eu não consigo. Sempre que vejo a bandeira do país sendo hasteada em disputa e ouço nosso hino nacional, um dos mais lindos do mundo, diga-se de passagem, eu torço a favor, mesmo que seja contrariado pela condição do país de um modo geral. Acho impossível não desejar ver minha pátria no degrau mais alto do pódio, isso me enche de orgulho. Poderíamos, é certo, ser campeões em outras áreas, mas não somos. Ainda que seja no esporte, meu coração ufanista fala mais alto, por isso, vamos Brasil, eu acredito em você, afinal, SOU BRASILEIRO.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Prêmio Quiabo do Ano 2014

sexta-feira, 30 de maio de 2014

 

 

 

Desde 2006, a tradicional “Festa Nacional do Quiabo” é realizada em Paraopeba, no interior de Minas, cidade a cerca de 100 Km. de Belo Horizonte.

 

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A festa acontece em todo final do mês de maio e início de junho, coincidindo com o aniversário de emancipação político-administrativa do Município.

 

Pelos dados da EMATER, Paraopeba é o maior produtor nacional de quiabo.

 

Curiosamente, no interior de Minas, chamar alguém de "quiabo" é o mesmo que dizer que tal pessoa "possui habilidades para se esquivar de problemas”, ou é “astuto”, “escorregadio”, “liso”, ou ainda “que nunca assume nada do que diz ou faz". E isso funciona tanto para o bem quanto para o mal…

 

Durante a “Festa Nacional do Quiabo”, existe o prêmio “Quiabo do Ano” (ou “Kiaboo Prize”), honraria conferida pelo blog “Os Invicioneiros”, nos moldes do “Framboesa de Ouro”, à personalidade nacional ou internacional que mais se destaque no ato de “quiabar”...

 

Neste ano, o “Kiaboo Prize” vai para o lateral-direito titular da Seleção Brasileira de Futebol, Daniel Alves, que durante uma partida do Campeonato Espanhol, foi insultado de forma racista por alguns torcedores do Villarreal, que atiraram-lhe bananas enquanto o craque do Barça iria cobrar um escanteio.

 

Sem se fazer de rogado, Dani Alves pegou a banana no chão, descascou-a e foi à luta, cobrando o córner…

 

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O seu ato inusitado teve grande repercussão na mídia e na internet, como demonstração pacífica de combate à intolerância racial.

 

Pela sua habilidade e presença de espírito, tornou-se um exemplo de “Quiabo do Bem”. Desta forma, Daniel Alves receberá na Granja Comary, uma caixa de 40 Kg da hortaliça…

 

Veja os vencedores dos anos anteriores e os motivos para a premiação, clicando nos nomes:

2006 - Silvinho do PT

2007 - Léo Messi

2008 - Ronaldo Fenômeno

2009 - Vanusa

2010 - Neymar

2011 - Aécio Neves

2012 - Demóstenes Torres

2013 -­ Marco Feliciano

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.