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Coração de Caçador

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

 

 

 

Certa vez, folheando uma revista sobre cinema, deparei-me com um título de um filme que me chamou muito a atenção: “Coração de Caçador”.

 

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Esse filme, de 1990, com a direção e atuação de Clint Eastwood, narra as peripécias do consagrado diretor de cinema John Huston nos bastidores das filmagens de “Uma Aventura na África”, nos idos de 1950, quando o megalomaníaco diretor esteve muito mais interessado em matar elefantes no continente africano do que propriamente dirigir o filme.

 

Embora nunca tenha tido oportunidade de assistir ao filme “Coração de Caçador” (apesar de pouco conhecido, é apontado por muitos críticos como o melhor da carreira de diretor de Clint Eastwood), achei genial o seu título em português. Um achado com uma metáfora forte, selvagem, uma evocação aos nossos ancestrais caçadores. Conquanto também eu nunca tenha caçado nada nesta vida, conheci alguns caçadores, e tenho comigo que o coração de um deve pulsar assim mesmo: furtivo, instintivo, impiedoso, no compasso da dualidade da vida e da morte.

 

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A pessoa que teve a ideia de fazer a versão em português do título, conseguiu, no meu modesto entendimento, superar o título original (“White Hunter Black Heart”), que também é muito interessante e, traduzido, seria “Caçador Branco, Coração Negro”, numa referência aos cidadãos americanos anglo-saxônicos e os seus safáris nas savanas africanas.

 

E já que estou falando em safáris, como deve pulsar o coração daquele até então bem-sucedido dentista norte-americano, Walter Palmer, que, por um punhado de euros, pagou para ter o estranho prazer de, inadvertidamente, atrair, ferir, perseguir e matar o leão Cecil, símbolo do Zimbábue?

 

Afora as inúmeras manifestações de “protesto de nenhuma estima” contra o dentista americano, que, segundo ele, matou “um leão macho velho” (com a emenda saindo pior que o soneto), entendo que não deveria ser permitida a caça aos leões, elefantes ou a qualquer outro animal na face da Terra. Pagar para ter o prazer em matar um animal em seu habitat é algo que denuncia uma perversão, um desvio psiquiátrico. E nesse particular, o desejo do dentista Palmer se confunde com o do cineasta Huston: uma sensação de que o dinheiro confere poderes ilimitados e desenfreados para se decidir entre a vida e a morte de um animal indefeso. No caso da morte do leão Cecil, ainda há um agravante: os seus seis filhotes deverão ser mortos pelo novo macho alfa do grupo, com o fim de estimular as fêmeas para cruzamento. É a natureza seguindo o seu curso...

 

Lamentavelmente, ainda prevalece na Humanidade a convicção de que o poder econômico compra tudo e todos. Mas o quê aproveita ao homem ter o coração de caçador e a alma empalhada?

 

 

Leia também:

 

Dentista Americano é Acusado de Matar o Leão mais Famoso do Zimbábue

 

Live and Let Die

 

O Curso da Natureza

Quando Dois e Dois São Cinco

quarta-feira, 10 de junho de 2015

 

 

 

Finalmente o Supremo Tribunal Federal “resolveu” a polêmica envolvendo as tais “biografias não autorizadas” de celebridades, cuja ação foi iniciada pelo cantor Roberto Carlos, que se posicionou contrário à liberação de tais biografias. No outro lado da lide, havia o interesse da imprensa e dos biógrafos, defensores destes tipos de biografia e que entendem que a não liberação configuraria uma censura prévia às mesmas.

 

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Sem adentrar no mérito, eu inicialmente escrevi a palavra “resolveu” entre aspas porque, na minha opinião, o STF “jogou para a torcida”, ou melhor, fez “uma média” descarada com a imprensa e os biógrafos.

 

Em nome do “fim da censura”, a mais alta Corte de Justiça Brasileira decidiu, de forma unânime (lembrou alguma frase de Nelson Rodrigues?), que qualquer um pode escrever e publicar um livro sobre a vida do outro, ainda que este não concorde, em detrimento das liberdades e garantias individuais asseguradas pela “Constituição Cidadã”. A vida pública não pode ser confundida com a vida privada, o que muitas vezes acontece nestes tipos de biografia.

 

Tal decisão do STF, a meu ver, só atende aos interesses de certos biógrafos oportunistas, que vivem às custas da vida dos outros. Por outro lado, é evidente que havia o temor por parte dos ministros da Suprema Corte em verem os seus rostos estampados nas capas das Vejas e Épocas da vida, ao lado de verbetes do tipo “censura”, “obscurantismo”, etc.. Ainda mais depois que assistiram aos ícones Chico Buarque de Holanda e Roberto Carlos serem massacrados pela imprensa, em razão das suas posições contrárias à liberação de biografias não autorizadas…

 

Claro que quem sou eu para discutir alguma decisão do STF. Mas o que me incomoda é que o “Guardião da Constituição”, já há algum tempo, deixou de sê-lo. Já não vimos mais aquele STF corajoso de outrora (ainda que polêmico), que enfrentava a opinião pública em nome dos princípios e direitos constitucionalmente garantidos. O Pretório Excelso de hoje, parece manietado pelos grandes grupos de comunicação do Brasil.

 

E eu que sempre achei que as tais “biografias não autorizadas” não passavam de jogadas de marketing para render milhões aos biógrafos e às editoras, pude perceber, pelas manifestações de Chico Buarque e de Roberto Carlos, que o buraco é bem mais embaixo quando se trata de ter as suas vidas íntima e familiar devassadas e expostas em livros para a posteridade que, não podem sequer ser chamados de biografias, por se limitar apenas aos boatos, fofocas e mentiras. Creio que deveria haver uma limitação ética para isso.

 

E o que é ético, não é censurável!

 

O jornalista Geneton Moraes Neto conseguiu deixar Voltaire enrubescido de vergonha com a sua crônica no G1 (site pertencente à Rede Globo de Televisão - ex-fiadora da Ditadura Militar) intitulada “Roberto Carlos Estava Certo - Como Dois e Dois São Cinco”, ao atacar pessoalmente Roberto Carlos e o seu advogado, por defenderem ideias contrárias à liberação das fatídicas biografias não autorizadas. Soa muito paradoxal um jornalista falar em defesa da liberdade de expressão, atacando a liberdade de expressão alheia…

Detalhe: o nobre jornalista Geneton também é um biógrafo...

 

Para finalizar, vale uma reflexão: Jesus, o Cristo, teve quatro biógrafos e ainda assim, acabou crucificado...

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Acho Que a Humanidade Está Involuindo

terça-feira, 9 de junho de 2015

 

Estamos vivendo um tempo estranho em nossa sociedade no que diz respeito aos valores. Talvez tal fenômeno seja oriundo da popularização da internet, que propiciou uma maior liberdade às minorias. Hoje, qualquer pessoa ou grupo pode dar uma opinião, ou reivindicar algo através, sobretudo, das redes sociais. Assim sendo, tal fenômeno acabou por dar repercussão a fatos que antes eram restritos a um número ínfimo de pessoas.

 

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Estou presente nas redes sociais há muito tempo. Gosto da agilidade em que as coisas acontecem  nesse recinto, onde as informações viajam na velocidade de clique. Muitas situações que antes passavam despercebidas, hoje ganham repercussão mundial através do compartilhamento.


Mas percebo também que esse recurso talvez não esteja sendo utilizado com sabedoria por muitos. O que acaba causando mais desinformação do que informação. Isso também se reflete na defesa da liberdade individual ou de determinados grupos. Hoje, o politicamente correto é que dá a tônica, somos policiados a todo momento, e, qualquer palavra mal colocada pode dar início a uma hecatombe de críticas e ameaças. Aliás, diga-se de passagem, muitas vezes tais polêmicas são fruto mais do erro de interpretação do que foi escrito, do que efetivamente daquilo que foi dito.

 

As piadas de hoje precisam de revisão para que não causem embaraços, e para que determinados grupos não se sintam ofendidos. Assim, criamos um novo paradigma na sociedade, você tem liberdade de dizer o que quiser, desde que essa liberdade não esteja em desacordo com o que os outros vão entender. Ou seja, hoje em dia a gente não precisa se preocupar apenas com o que diz, temos também que pensar em como as pessoas vão entender. Como se fosse tarefa simples saber o que pode ser entendido como ofensa.

 

Na esteira dessa confusão interpretativa ainda temos que conviver com a reação dos ofendidos, que muitas vezes conseguem ser mais preconceituosos na resposta do que a própria ofensa.

 

Parece que o mundo caminha a passos largos para uma nova guerra, a guerra de egos. A tendência agora é: EU NÃO TE COMPREENDO E VOCÊ NÃO ME ENTENDE. Assim acabamos por gerar mais intolerância do que compreensão. Porque, como se sabe, o respeito não impõe, ele se conquista.

 

Nessa nova ordem mundial estão inseridos os diversos rótulos: xenófobo, misógino, homofóbico, racista, direita, esquerda, torcedores de futebol e também os grupos religiosos ou não.

 

Modismos geram excessos, acirram retaliações e podem voltar ao esquecimento sem nenhum ganho real. Virou mania dizer (e acreditar) que o mundo é gay. E não é. Ele é dos gays, héteros e vários outros gêneros inventados a cada semana. De fato, algumas mudanças de paradigma só acontecem se fomentadas pelo exagero revolucionário, mas aqueles que levantam bandeiras também precisam aceitar que nem todo mundo é obrigado a sentir-se à vontade vendo mastros trançando à sua frente. [Bruno Fernandes – Jornalista]

 

Parece que estamos voltando ao tempo em que o diferente era tratado como inimigo e desta forma, precisava ser aniquilado. Todas as guerras que se tem notícia, tiveram início na necessidade de alguém ou algum grupo impor a sua condição. Eu mato o inimigo que pensa diferente, assim criamos uma sociedade apenas com os igualitários.

 

Na atual conjuntura as coisas não são muito diferentes: para que meu grupo tenha direito, eu preciso acabar com o direito do outro. A incompreensão é mútua, o ofendido de hoje é o ofensor de amanhã. Ninguém quer conquistar nada através do diálogo, querem apenas impor. Seja ela uma opinião ou uma condição. Somos vítimas da nossa própria liberdade.

 

A confusão recente tem como estopim a tal Parada Gay. Onde os diversos grupos trocam acusações e ironias. No meio dessa mixórdia, fica difícil saber que tem ou não razão, se é que alguém tem. O que fica claro, pelo menos pra mim, é que estamos perdendo uma ótima oportunidade de discutir tais questões de forma séria e educativa. O viés ideológico tem falado mais alto do que o diálogo e a compreensão.

 

Fato é que estamos pagando um alto preço por não saber usar a liberdade que os recursos tecnológicos nos proporcionaram. Ao invés de disseminar o respeito e o amor. Estamos alimentando, cada vez mais, o ódio e a incompreensão. Basta dar um olhada nos sites de notícias. Diariamente somos bombardeados por notícias que tornam cada vez mais evidentes as demonstrações de ódio e preconceito. Muitos grupos estão  querendo se impor empurrando goela abaixo dos outros uma determinada condição. Esse tom impositivo, já sabemos que não funciona, aliás, ele mais atrapalha do que ajuda.

 

A humanidade sangra, talvez ferida de morte.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

As Lições do Caso FIFA

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Tava acompanhando aqui os noticiários sobre as investigações e prisões do maior rescândalo do  futebol dos últimos tempos e acabei quase que instintivamente traçando um pararelo entre esse episódio e os quadros recentes de nossa política.

 

Quase todos que acompanham o futebol suspeitavam que altas cifras movimentadas pelo ludopédio, seria um terreno perfeito para os corruptos e os corruptores. Situações, no mínimo estranhas, envolviam as competições e escolhas de sedes, sobretudo da Copa do Mundo.

 

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As prisões e acusações balançaram as estruturas do esporte mais popular do planeta mundo afora. Sobrou até para o ex-presidente da CBF José Maria Marin, que acabou preso na Suíça.

 

Aqui no Brasil o histórico da CBF nos remete a gestões encobertas de suspeição e vantagens pessoais. Haja vista o ex- presidente Ricardo Teixeira que ostenta uma riqueza altamente suspeita. A organização da Copa do Mundo do Brasil 2014, motivo de inúmeros protestos país afora, se apresenta agora como parte dessa história de corrupção. A maioria dos brasileiros nunca duvidou disso, faltava apenas a confirmação. Agora se vê que na verdade o dinheiro público foi usado para benefício de poucos particulares.

 

A situação chegou a tal ponto que o presidente da entidade maior do futebol Joseph Blatter acabou renunciando poucos dias depois de ser reeleito.

 

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Fonte: Site UOL

 

Por aqui o atual presidente da CBF age como se não soubesse de nada e que a entidade fosse um exemplo para o mundo de gestão competente. Ora, nunca é demais lembrar que a pouco dias surgiu acusações sobre o favorecimento e recebimento de dinheiro para convocação de alguns jogadores para a Seleção Brasileira. Sem contar os patrocínios e jogos caças níqueis realizados em locais sem o mínimo de estrutura, cujo objetivo era apenas faturar alto em nome da história da Seleção Brasileira.

 

Há épocas de tal corrupção, que, durante elas, talvez só o excesso do fanatismo possa, no meio da imoralidade triunfante, servir de escudo à nobreza e à dignidade das almas rijamente temperadas. [Alexandre Herculano]

 

Falei desse episódio futebolístico para finalmente traçar um parâmetro entre o comportamento dos acusados aqui e lá fora. O suiço Joseph Blatter, ao se ver acuado pelos escândalos, renunciou ao seu cargo. Numa atitude normal para quem tem o mínimo de vergonha na cara. Mas por aqui o procedimento é totalmente adverso, todos os envolvidos em corrupção ou suspeita, não largam o osso, muito pelo contrário, se apegam ainda mais a eles. Basta ver o histórico recente de nossa política. Descobriu-se um rombo na Petrobrás, que em qualquer país decente, seria motivo para prisões e renúncias, mas por aqui tudo é tratado como fantasia, e  os envolvidos ao invés de punidos são aclamados através do voto popular.

 

"A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa. " [Jô Soares]

 

O presidente da CBF, deveria pelo menos ter a hombridade de renunciar ao cargo que ocupa para que se apure até que ponto a entidade está envolvida nesse escândalo. Mas seguindo os exemplo dos políticos locais prefere dizer que não viu, ou não sabia. Por aqui, o ladrão é tão convivente no seu discurso que é bem provável que a vítima lhe peça desculpas.  Roubar e corromper se tornou algo tão comum que os envolvidos acham que a exceção agora é não corromper.

 

Por lá eu acredito que as coisas realmente vão ser investigadas e os responsáveis punidos, pois tem gente séria por trás dessas investigações. Por aqui as coisa como sempre acabam na mesa de uma pizzaria, como os envolvidos rindo da nossa cara, enquanto fazemos papel de idiotas. Se seguissem o exemplo dos envolvidos em outros países, certamente teríamos que escolher um outro presidente, tanto para a CBF, como para o país.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Os 10 Mandamentos da Vida Virtual

terça-feira, 5 de maio de 2015

Todos sabem que o ambiente virtual é um local onde reina a falta de noção. Poucos são os escolhidos que conseguem utilizar o aparato tecnológico de forma inteligente e com sabedoria para que essas ferramentas se revertam em benefício próprio, e porque não dizer, de toda a coletividade.

 

Pensando nisso Os Invicioneiros resolveram contribuir de maneira efetiva para um melhor direcionamento dos mecanismos que compõem o universo virtual. Elaborando, de forma não tão democrática, Os 10 Mandamentos da Vida Virtual.

 

10 mandamentos

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Fotografas-me e não me revelas

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Estendo as mãos para o alto

Diante da máquina que me fotografa

Será que é uma arma que me levará

Para o encontro final com outra realidade?

 

Uma realidade que não me faça medo

Que não me traga a angústia de não poder ser criança

Em um mundo cercado de violência

Um mundo mergulhado sombriamente no horror da guerra

Que é travada sem que se saiba por quê

Sem que se saiba para quê

Assim como todas as guerras…

 

Estendo as mãos para o alto

Fotografas-me e não me revelas

O Salgado de minhas lágrimas

Não aparece diante do meu medo…

Sou apenas uma criança síria

Uma criança séria que não sabe rir

Uma criança sem esperança…

(ENANRE ETRAUD – THE EDN)

 

MENINA-SÍRIA

 

*****************************

 

Escrevo esse poema em lágrimas diante da imagem e da reportagem que acabo de ler…

 

http://www.contioutra.com/sobre-a-menina-siria-que-se-rende-ao-confundir-camera-fotografica-com-uma-arma/

 
Sobre o Autor:
The EDN
The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

Vamos Vaiar Quem Agora?

quarta-feira, 11 de março de 2015

 

Um certo assunto tem dominado as mídias sociais atualmente. Trata-se nada mais nada menos do que a tal VAIA. Que, segundo o dicionário, é a manifestação de desagrado, desaprovação, desprezo ou escárnio, por meio de brados, assobios ou certos ruídos orais.

 

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Penso eu, que esse IBOPE todo tem como cerne o fato de que alguns “sabichões” resolveram, de uma hora pra outra, mudar o já conhecido adágio popular que dizia: QUEM TEM BOCA VAI A ROMA. Que em linhas gerais significa que tem boca vai a qualquer lugar, bastando usar o diálogo. Ocorre que de uns tempos pra cá, alguém, com tempo de sobra, resolveu levantar a polêmica de que o ditado correto é: QUEM TEM BOCA VAIA ROMA, vaia do verbo vaiar. Ora pois, alguém saberia me dizer o que diabos a coitada da ROMA fez para merecer esse desagravo? Pois é, nem eu, essa nova versão não faz sentido algum.

 

Mas polêmicas a parte a vaia já faz parte do nosso cotidiano. O povo vaiou a Dilma na Copa das Confederações, vaiou outra vez na feira de construção civil em São Paulo. A apresentadora Angélica foi vaiada após gravação para o programa Estrelas que ocorria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UniRio). Vaiaram, inclusive, num passado não muito distante, uma certa moça de vestido rosa na faculdade. Fato esse que acabou trazendo mais benefício do que prejuízo para a vítima.

 

Certo é que entre manifestações de apoio e desagravo, esses assuntos acabaram ganhando as discussões nas redes sociais. Entre um comentário e outro podemos perceber que a visão do ato possui 2 vertentes: os que defendem a liberdade de expressão; e os que são contra o ato por entendê-lo como uma falta de respeito e de educação. Não ternho certeza, mas acredito que diante do cenário atual, se os tais “sabichões” tivessem mudado o ditado para QUEM TEM BOCA VAIA A DILMA, eu tenho certeza que o a aceitação seria maior.

 

Porque se a democracia representa alguma coisa, ela representa, sobretudo, a liberdade de aplaudir ou desaprovar os atos dos agentes públicos. Seja por meio das críticas, seja por meio das vaias. Já dizia Georg Christoph Lichtenberg, filósofo, escritor e matemático alemão: Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito.

 

No caso específico de nossa presidenta, as vaias representam um ato de reprovação em relação às medidas recentes, tomadas para combater a crise econômica. Com a popularidade em franco declínio, poucos meses após a reeleição, aparentemente nossa governante maior perdeu, se é que um dia já teve, a capacidade de gerir, de forma racional, os rumos do país. Não bastasse isso, tem dado mostras diárias de que não tem habilidade para conseguir manter um diálogo amistoso até mesmo com os partidos da base aliada. Acho até que a crise institucional é mais grave do que a econômica.

 

De minha parte eu ainda continuo achando as vaias a expressão máxima da falta de educação. E, quando elas são dirigidas a maior autoridade do país, significa que é preciso parar e repensar as prioridades, pois as políticas públicas relacionadas à educação falharam miseravelmente. Nesse caso, Ela está apenas colhendo o que não plantou (ops, mudaram mais um ditado popular).

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Campeonato de Pontos Perdidos

quinta-feira, 5 de março de 2015

 

 

 

A CBF, todo-poderosa guardiã do futebol brasileiro, deu na telha de impor aos clubes que disputarão o Campeonato Brasileiro desse ano a penalidade de perda de pontos por atraso de salários de seus jogadores, o chamado "fair play financeiro".

 

Segundo o ex-craque e hoje senador Romário, tudo isso não passa de um deboche e artifício para impedir que a MP com a mesma matéria, que o Governo estaria para editar, não vire lei e tudo volte como dantes, no já manjado “Quartel de Abrantes”...

 

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Venha de onde vier (CBF ou Governo), apesar de moralizadora e exigir dos clubes gestões mais equilibradas, é uma medida muito, mas muito perigosa.

 

Claro que todo trabalhador tem o direito de receber o seu salário em dia. Afinal, contratos existem para serem cumpridos e honrados. Mas tal questão, envolvendo atraso de salários de profissionais do futebol, tem de ser resolvida em outras instâncias e não dentro de um campeonato nacional, donde interesses e paixões vão muito além do pagamento “em dia” dos salários de cinco ou seis dígitos dos jogadores.

 

Na verdade, tal punição soa demagógica e certamente esconde outros intentos, servindo apenas para as nefastas disputas no excelso “tapetão”...

 

Se um clube atrasar salários, qual será o critério para a perda de pontos? Serão debitados três pontos por mês de atraso? Ou por dia?

 

Como serão apurados os atrasos de salário? Os times terão de declarar que estão em dia? Haverá uma comissão fiscalizadora independente e “aclubística” para isso? Os jogadores terão de confirmar se estão recebendo em dia ou não? Os clubes terão de fiscalizar uns aos outros?

 

Imaginemos a hipótese de um time despencando para a segunda divisão, os seus jogadores terão coragem de denunciar que estão com os salários atrasados, correndo o risco de sua equipe perder ainda mais pontos? Como ficará a relação jogadores/torcida numa situação dessas?

 

E se houver atraso nos repasses de direitos de arena pelas emissoras de tv? As cotas de tv serão repassadas todas na mesma data aos clubes? E na hipótese do salário do jogador ser pago por empresas ou empresários?

 

Perguntas, perguntas e mais perguntas!

 

E finalmente a pergunta que não quer calar e que, espero, não seja ofensiva: se algum grande clube do eixo Rio-São Paulo estiver com salários atrasados e também por isso vir a ser rebaixado para a segunda divisão, quem poderá garantir que não haverá “viradas de mesa” como as de outrora?

 

Na prática, com uma medida extrema e inoportuna como essa, o mérito de uma equipe não virá das quatro linhas e sim do departamento financeiro do clube…

 

E não me surpreenderá se tal questão acabar no STF, inclusive, por vício de inconstitucionalidade!

 

Se a intenção é tornar o nosso futebol cada vez mais chato e desinteressante, estão quase conseguindo!

 

 

 

[Bonus Track]:

 

Charge do Duke, publicada no Supernotícia de 03/03/2015:

 

 

Pontos

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Das Coisas que Aprendi nos Discos

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

 

 

 

Diante da boa repercussão nas redes sociais e acatando a sugestão do amigo e Professor Ernane Duarte Nunes (o The EDN),  decidi republicar no blog esta singela homenagem ao saudoso e lendário baixista da Legião, Renato Rocha, falecido no domingo passado. Para isso eu  topei o desafio de elaborar uma Top 5 com as músicas dessa icônica banda que marcou época e gerações pela simplicidade musical e pela força viva de suas letras.

 

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Tenho a consciência do quanto é difícíl escolher quais as melhores músicas do repertório de uma banda desse quilate, e que escolhas são subjetivas, blá, blá, blá... Mas sem querer soar pretensioso, eu me segurei na opinião e autoridade de quem comprou o primeiro disco de vinil da banda em 1985, quando tinha 14 anos e escrevia alguns poemas, sonhando em algum dia se tornar um “rock star”... (Rsrs)

Confesso que muitas músicas excelentes tiveram de ficar de fora. E isso me causa um certo remorso…

 

Mas enfim, vamos à lista:

 

5º Lugar: “Teatro dos Vampiros

“Esse é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez
É sempre a última chance”

 

 

4º Lugar: “Vamos Fazer um Filme

 
“E hoje em dia, como é que se diz: ‘Eu te amo’?”

 


 

 

3º Lugar: “Índios


“Nos deram espelhos e vimos um mundo doente”

 

 

 

2º Lugar: “Há Tempos

“E há tempos são os jovens que adoecem
E há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos”

 

 


E para encabeçar a lista, escolhi essa, talvez a mais deprê do repertório da Legião e que, emblematicamente, representa o que é a poesia e filosofia "renatorrussiana":

 

1º Lugar: “Andrea Dória

“Quero ter alguém com quem conversar
Alguém que depois não use o que eu disse contra mim”

 

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Você curioso, não leia isso…

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

 

Dias atrás me peguei pensando sobre o quanto um título influencia na divulgação e na leitura de um post. Normalmente os leitores são atraídos pela curiosidade e nada atiça mais a curiosidade de alguém do que um título instigante.

 

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A Wikipédia assim define curiosidade humana: é o desejo do ser humano de ver ou conhecer algo até então desconhecido. A curiosidade, porém, quando ultrapassa um limite pré-estabelecido pela ética social, como por exemplo a invasão de espaço alheio, pode ser reprimida.

 

Nos seres humanos, somos curiosos por natureza, obviamente que uns mais e outros menos, mas todos temos em comum o atiçamento para assuntos polêmicos, trágicos ou tabus que normalmente fazem parte de nossa cultura.

 

Devemos nos policiar pois a curiosidade exacerbada, pode nos ser prejudicial, temos que ser comedidos no trato dessa característica inerente ao ser humano. Nessas horas, um adágio  é bem educativo: “a curiosidade matou o gato”.

 

“O desejo de saber o porquê e o como chama-se curiosidade, e não existe em qualquer criatura viva a não ser no homem. Assim, não é só por sua razão que o homem se distingue dos outros animais, mas também por esta singular paixão”, afirma Hobbes

 

Então adentremos no assunto do post. Segundo Shaun Micheals “o título de um post deve ser inteligente o suficiente para obrigar o leitor a abrir e ler o seu artigo”.

 

Porém o autor deve se cercar de cuidados, pois muitos de vocês provavelmente já se depararam com títulos interessantes, porém com conteúdo pífio, na verdade, o título é o atrativo, ou a isca, mas o conteúdo é que fideliza o leitor.

 

O Youtube é um exemplo rotineiro dessa prática, pois temos acesso a uma infinidade de títulos cujos conteúdos dos vídeos não têm absolutamente nada haver com o mesmo. Ao se utilizar dessa prática, o autor corre sérios riscos de jamais ser clicado novamente pelo leitor, pois isso pode ser encarado como uma forma de tentar lesar sua inteligência.

 

Li certa vez em um artigo, não me lembro qual exatamente por isso não citarei, que as palavras que mais chamam a atenção das pessoas que navegam pela internet são: “grátis”, “dinheiro” e “sexo” - obviamente não estou sugerindo aqui que você use sempre essas palavras em seus títulos, a citação tem caráter meramente ilustrativa. Você, melhor do que ninguém, deve saber o que é relevante para seu público-alvo.

 

O título é tão importante que, em tempos não muito remotos, havia redações que tinham um profissional especializado apenas nesta tarefa: o titulador. O objetivo era estabelecer um padrão, uma uniformidade de titulação em todo o jornal. Havia, entre esses jornalistas, verdadeiros gênios na atribuição de títulos sumamente criativos às matérias. [Blog Pbondaczuk]

 

Interessante constatar que sigo o caminho inverso ao que muitos normalmente fazem, pois primeiro redijo o post e só depois de pronto é que penso no título.

 

Segundo o blog: copyblogger.com: “A maioria dos leitores escolhem o que ler através de sites como Digg, Stumble Upon, Dihitt, entre outros. E em 90% dos casos a escolha é feito através do título do post.” Destarte é de suma importância saber que: Um bom título atrai atenção do leitor a ler o restante do tópico.

 

Portanto é importante termos em mente que um bom artigo começa com um bom título, mas um bom título nem sempre é sinônimo de um bom artigo, por isso use e abuse de sua criatividade na hora de intitular seus posts, procure atiçar a curiosidade do leitor, mas jamais relegue o conteúdo, pois é o conteúdo de um artigo é que te faz relevante, ou não…

 

Nunca é demais lembrar que um título fraudulento consegue ser mais desastroso do que um título ruim.

 

Indico:

#16 Grandes Dicas Para Criar Um Título Chamativo nas Postagens

#10 Dicas de títulos que atraem mais leitores 

# O título é um dos fatores mais importantes na página

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

As redes sociais e o dilema do politicamente correto

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

 

 

As redes sociais carrega o mérito de oportunizar a cada cidadão a possibilidade de ter uma opinião sobre tudo e qualquer assunto.

 

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A parte chata do negócio é o ônus de ter que conviver diariamente com "policiais virtuais", defensores da moral e dos bons costumes, que acham o politicamente correto tão relevante e defendem com tanta ênfase, que nem parece tratar-se de uma fachada moralista medíocre. Pesquisem e verão que os que mais criticam são os menos exemplares.


É chato pra burro ter que ficar medindo as palavras porque elas podem causar um mal entendido e ocasionar uma hecatombe de críticas. Certos grupinhos vagam por aí na busca de opiniões polêmicas com a clara intenção de semear a discórdia e atrair consigo a ira dos exaltadinhos de plantão que não sabem nem pra que serve uma vírgula, mas se acham no direito de interpretar até aquilo que não foi dito.


Ah, e as piadas? Essas estão com os dias contados, pois em sua maioria ofendem alguém ou alguma classe. Assim vamos reescrevendo a história de maneira monótona, mas politicamente correta, pois atende a todos. Se ainda estivessem no ar certamente alguns personagens dos humorísticos, estilo Os Trapalhões e Chico Anysio seriam linchados publicamente ou queimados na santa inquisição.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Charge de Uma Morte Anunciada

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

 

 

 

As pessoas têm todo o direito de discordar do que eu penso. Mas, com o aval de Voltaire, não posso me furtar de postar a minha opinião sobre o lamentável atentado à famosa revista francesa de humor Charlie Hebdo, que resultou na morte de doze pessoas, dentre elas, quatro cartunistas - certamente o alvo dos assassinos.

 

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Quando eu era um menino, de uns doze, treze anos, o meu sonho era me tornar um cartunista, chargista profissional. Não me profissionalizei, sigo em outra profissão, mas tenho o prazer de colaborar com a função de chargista na Folha de Paraopeba.

 

Humoristicamente falando, tenho comigo que o humor em geral não é algo absoluto e, involuntariamente ou não, segue um “código de ética”, o famoso “politicamente correto”, tão execrado por boa parte da classe de comediantes. Entendo que não há o direito de se fazer uma charge de mau gosto ridicularizando quem possua alguma necessidade especial; quem seja de cor diferente da minha; quem não professe a minha fé; quem tenha outra orientação sexual, etc.

 

Eu digo isso pois o que aconteceu com a revista de humor Charlie Hebdo, lamentavelmente já estava anunciado. Todos, inclusive nós aqui do outro lado do Atlântico, sabíamos que as tais charges satirizando o profeta Maomé não iriam acabar bem. Não precisávamos ser profetas para saber que haveria um preço muito alto a ser pago pelas tais charges nem tão engraçadas, de gosto duvidoso e, pior: carregadas de enorme preconceito contra a religião islâmica (Maomé vestido de terrorista, por exemplo!).

 

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Pelo amor de Deus, não estou aqui defendendo as pessoas que cometeram as atrocidades na redação da revista parisiense, assassinando doze pessoas. Os assassinos têm de ser presos, julgados e condenados como manda a lei francesa. Mas daí, ridicularizar através de charges o maior ícone da religião islâmica, sabendo-se que existe uma ala radical (não é a maioria dos muçulmanos, diga-se de passagem) na própria Europa e disposta a tudo para defender a imagem de sua religião milenar, perdoem-me: é no mínimo insensatez e irresponsabilidade do editor da revista, por colocar a vida de colegas de trabalho, familiares e vizinhos em risco, culminando numa Jihad desnecessária...

 

Eu poderia muito bem me juntar ao coro da maioria. Mas não seria sincero da minha parte. Lamento apenas que não precisava ter chegado aonde chegou: uma Paris em prantos; familiares chorando os seus mortos e o humor gráfico perdendo quatro chargistas talentosos após um ataque insano e que pode gerar outros desdobramentos, tais como perseguições aos cidadãos de origem árabe na Europa…

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.