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É prudente não acreditar em tudo que circula pela interwebs

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A internet é uma maravilha, disso ninguém duvida. Sua agilidade facilita sobremaneira nossas tarefas cotidianos no tocante essencialmente à informação em tempo real. Hoje, tornou-se quase impossível viver sem acesso a essa maravilha moderna.

 

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Muito embora ainda não tenhamos em muitos lugares acesso a uma conexão banda larga decente, já falei sobre o tema nesse post (Internet Banda Larga? Isso é uma Vergonha Nacional!), é inegável que houve uma grande expansão desse serviço no Brasil.

 

Como vimos a internet propiciou um acesso com muito mais agilidade às informações, porém, infelizmente algumas pessoas acabam usando o serviço de maneira inapropriada, disseminando informações ou textos inverídicos sobre os mais diversos assuntos.

 

Um dos casos mais comuns são textos surgem do nada e são atribuídos a autores famosos como forma de tentar dar mais sustentabilidade à opinião, imagino eu. Diariamente nos deparamos na internet com textos atribuídos a autores mas que na verdade não foram escritos por eles, senão vejamos:

 

São inúmeras as contribuições da internet para a vida moderna. Agora, não dá para acreditar em tudo que aparece na rede. Muita gente já teve os textos copiados e atribuídos a outros autores. Ou pior: alguém escreve um texto ruim e diz que é de um autor consagrado só para ganhar reconhecimento e chamar atenção. O mais engraçado é que, às vezes, o falsificador erra o nome do autor. (Bom Dia Brasil)

 

Recentemente reapareceu na internet um texto sobre o Big Brother Brasil atribuído ao escritor Luis Fernando Veríssimo: “Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. [...] Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.” (Leia mais)

 

Diversas pessoas compartilharam o texto supra mencionada nas redes sociais acreditando ser verídico, porém o autor publicou nota recente desmentindo a autoria do referido texto: “E dizem que rola um texto na internet com minha assinatura baixando o pau no “Big Brother Brasil”. Não fui eu que escrevi. Não poderia escrever nada sobre o “Big Brother Brasil”, a favor ou contra, porque sou um dos três ou quatro brasileiros que nunca o acompanharam.” (Leia mais)

 

São diversos casos em que autores famosos recebem a atribuição por algo que de fato não têm o menor conhecimento e nunca sequer pensaram em escrever.

 

Não bastasse esses infortúnios de publicações atribuídas a autores que na verdade não foram escritas por eles, ainda temos que conviver constantemente com as chamadas “correntes”. Nos últimos dias tem circulado nas redes sociais (eu vi no Facebook), a foto de uma criança com os seguintes dizeres na legenda:  “ELE TEM CANCER, O FACEBOOK DOARÁ R$0,05 CENTAVOS POR CADA COMPARTILHAMENTO QUE TIVER, ENTÃO COMPARTILHEM MUITO POR FAVOR E VAMOS AJUDAR ESSE LINDO BEBÊ GALERA, COMPARTILHEM!”

 

crianca Imagem: (site TV Boituva)

 

Tudo não passa de mais um engodo para ludibriar as pessoas de bem, a foto exibida na referida mensagem na verdade foi retirada de um site americano que fala sobre técnicas cirúrgicas para tratamento de câncer.

 

Imagem01 Jan. 25

 

Publiquei a referida informação no perfil do meu Facebook no dia 24 de janeiro, mas o link parece não estar mais disponível, provavelmente o autor original do artigo deve ter tomado conhecimento do uso indevido da foto e retirou o post do ar.

 

A internet possui um dinâmica  formidável, tudo que é publicado ali é  disseminado por milhares de pessoas através do e-mail, redes sociais, blogs, etc., fazendo com que muitos acreditem que de fato aquelas mentiras são verídicas.

 

E inegável que a internet é um fonte riquíssima de informação, mas isso não impede que pessoas inescrupulosas usem o serviço para ludibriar e enganar as pessoas publicando matérias ou informações inverídicas. Não sei o que esses energúmenos ganham com isso, certo é que tais publicações poluem a internet e  levam gente de bem a acreditar. Por isso todo cuidado é pouco ao disseminar conteúdos que chegam via internet. Checar a informação em mais de uma fonte antes de republicar ou repassar as informações recebidas é sempre uma decisão mais prudente e sábia pra evitar dissabores posteriores.

 

Ainda sobre o tema:

+ Responsabilidade sobre o RT do twitter

+ (Des)autoria na web: Luis Fernando Veríssimo e “A vergonha” que não é sua.

+ Não acredite em tudo o que você lê na internet

+ Compartilhamento de correntes no Facebook

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].

Sua rede social é exatamente aquilo que você fez dela

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Não é de hoje que as redes sociais passaram a fazer parte do universo on line, com o perdão do trocadilho com o nome do UOL. Já disse em outras ocasiões por aqui sobre a origem e evolução deste serviço que remonta de alguns anos passados.

 

chato

 

Os serviços que oferecem as chamadas redes sociais são públicos e notórios, embora alguns proprietários rejeitem esse rótulo. Os mais populares atualmente são: Orkut, Facebook, Twitter, Google+ e outras menos conhecidas. Já disse também nesse post que o usuário escolhe sua rede social de acordo com a preferência e/ou interesse.

 

É muito comum, e muitos já devem ter presenciado, pessoas reclamando de assuntos ou pessoas presentes na sua rede. Normalmente por causa de um assunto que não lhe agrada e que está sendo discutido entre as pessoas que foram escolhidas pelo proprietário da conta para estar ali presentes. Ora, se é o dono quem escolhe o que vai seguir ou quem vai estar presente na sua timeline, o único culpado pelo que está presente ali é ele mesmo.

 

Ninguém é obrigado a aderir um perfil que não coadune com sua linha de pensamento. O bacana das redes sociais é exatamente a possibilidade de encontrar pessoas que possuam similaridade com suas preferências. Ninguém também é obrigado a conviver com assuntos que não lhe agradam e pra isso existem alternativas, desde a exclusão do perfil, até o uso de filtros.

 

Quem seleciona o que quer acompanhar é o dono do perfil. Particularmente não tenho nada a reclamar dos perfis que sigo. Se o assunto discutido é interessante, eu acompanho e ainda costumo dar meu pitaco, se não, eu apenas ignoro, afinal, ninguém consegue ser interessante 100% do tempo.

 

Ademais, especialmente no twitter, quando o assunto discutido se prolonga por mais tempo eu uso o filtro do TweetDeck que é bem eficiente para limar o “assunto chato” de vez do meu convívio.

 

O que não concordo é com pessoas que vivem reclamando da futilidade presente em sua rede social. Amigo, se você ainda não sabe, é melhor aprender, se na vida OFF você não convive com pessoas que não lhe agradam, na vida ON você também não é obrigado a conviver com os chamados “malas”, descarte aquele perfil que te irrita tanto e seja feliz!

 

Também não é conveniente ser muito extremista em relação às pessoas presentes na sua rede. Pessoas exigentes demais, são um  convite ao descarte. O bom humor nas relações é sempre o melhor caminho para uma convivência harmoniosa.

 

Recentemente o Marcel Dias do blog Byte Que Eu Gosto, fez um post falando sobre as reclamações constantes presente no Facebook sobre a chatice do serviço. [O Facebook tá chato. Mas não tanto quanto você.]

 

No referido post ele faz uma indagação extremamente interessante, que vale a reflexão de todos:

 

Uma reclamação constante em redes sociais, sejam lá quais forem tais redes é sobre a qualidade da mesma. Basicamente, é como você ir a um restaurante e começar a gritar que o local é uma porcaria. Porém, assim como você escolhe em que restaurante quer deixar os últimos caraminguás do seu Visa Vale, você, pasmem, também escolhe quais redes sociais deseja frequentar e mais incrível, com quais pessoas deseja se relacionar virtualmente. É assim que uma rede social funciona, o usuário tem total liberdade sobre o conteúdo que vai oferecer e sobre o conteúdo que vai consumir. [Byte Que Eu Gosto]

 

É verdade amigo, é você quem escolhe o que vai consumir nas redes sociais. Ninguém te obriga a ficar num lugar onde não se sente bem, você é único responsável pelas pessoas e/ou assuntos presentes no seu convívio ON line. Talvez, como bem frisou o Marcel, o problema não seja as pessoas, mas sim você mesmo.

 

Cada indivíduo tem o chato que merece. É impossível chatear um chato. Dois chatos da mesma espécie não se chateiam. [Guilherme Figueiredo]

 

Acho que está mais do que na hora de você aprender a escolher melhor suas companhias, as redes sociais estão aí para expandir os relacionamentos, não faça dessa convivência um martírio, a maior vítima acaba sendo você mesmo.

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].

Recomeçar

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

 

27caminho - Cópia

 

Neste início de ano, retomo meus posts consciente de que se tornam cada vez mais raros. Seria a falta de tempo ou a falta de entusiasmo? Não tenho certeza, mas uma coisa não é: falta de assunto...

 

 

Poderia falar, por exemplo, de futebol: as mudanças de elenco, jogador daqui para ali e de lá para cá... Os clubes quebrados, mas com jogadores caríssimos, os torneios das categorias de base, os bairrismos de alguns setores da imprensa...

 

 

Outro assunto seria a política: os escândalos, as disputas políticas, quem cai e quem sobe ao posto, as doenças cercadas de marketing político no Brasil e no mundo, as prévias nos EUA, os problemas no Oriente Médio... E as chuvas: desastres para todo lado absolutamente previsíveis, mas nunca prevenidos. Quem sabe falasse das crises econômicas mundo afora (aqui no Brasil está tudo às mil maravilhas, todo mundo com grana no bolso!...). E os prováveis candidatos a prefeito nas terras invicioneiras: quem serão?

 

 

Quem sabe falasse do BBB12 e sua repercussão? Epa!... Isso não é assunto para mim, muito menos para este espaço blogueiro. Sem preconceito, simplesmente não me interessa e por isso sequer assisto. Consequentemente, não posso fazer juízo de valor, não posso comentar a respeito. Não mesmo... não falaria a respeito…

 

 

Então, de que falaria nesse post? Vem-me agora à mente o recente Encontro de Folias de Reis e Pastorinhas em Caetanópolis. Esse é um bom tema, mas de cunho muito íntimo, visto que falaria de forma por demais apaixonada a respeito, visto que sou um profundo admirador dessa tradição cultural. Prefiro fazê-lo no meu Poetopias...

 

 

Sei o quanto é difícil recomeçar qualquer coisa. Mas recomeço a escrever em “Os Invicioneiros” com o espírito colaborador e quero apenas reportar aos leitores que estou por aí. E para que esse post tenha pelo menos algo que se preste à leitura, transcrevo aqui um poema de Miguel Torga e uma música e vídeo da cantora Tânia Mara.

 

 

primeiros-passos-bebe

 

 

Recomeçar

(Miguel Torga)

Recomeça....

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

 

 

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças...

 

 

 

*********************

Recomeçar (Volver a Comenzar)

(Tânia Mara)

Despertar, sob a luz de um novo dia e renovar

Encontrando nova força para Amar

Em tempos difíceis

 

 

Descobrir

Sem querer o quanto é frágil

Decidir

Escolhendo cada passo onde ir

Num futuro incerto

 

 

Não é fácil, prosseguir apagando da memória

Tudo aquilo que fez a nossa história

Nossa vida de novo começar

 

 

Eu canto ao vento

Que beija os meus cabelos num alento

Eu canto ao mar

Que apaga os meus sentidos, e me faz

Recomeçar

 

 

Decidi avançar o meu caminho

Sem deixar

Que o passado, o destino, possam destruir

Uma vida honesta

 

 

Revirar

Alegrias e lamentos

Entender, que só mesmo o próprio tempo

Nos dará, todas as respostas

 

 

Não é fácil, prosseguir apagando da memória

Tudo aquilo que fez a nossa história

Nossa vida de novo começar

 

 

Vídeo disponível no YouTube

Guerra das Redes Sociais? Que idiotice é essa?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Desde que o mundo é mundo parece ser obrigatório as divisões, assim sendo, segundo reza a lenda,  Adão começou a reclamar por ser sentir sozinho e acabou cedendo uma costela para que fosse criada a sua companheira a quem chamou de Eva , ou algo parecido, já que não sou especialista no assunto.

 

propaganda-posters Imagem: Gizmodo

 

Então foram criados o homem x mulher, coloquei o versus de forma intencional devido ao fato de que parece haver um grupo, ou grande parte da humanidade, adepto à competição entre o sexo oposto. Perdem tanto tempo discutindo que o homem é melhor nisso e a mulher é melhor naquilo, que não conseguem entender o “óbvio ululante” de que ambos se complementam.

 

No ano de 450, sob o pretexto das discussões se Jesus tinha uma natureza (era só Deus) ou duas (a divina e a humana), houve a separação da Igreja Siriana. Em 1054, a Igreja de Constantinopla e a Igreja de Roma romperam as relações, excomungaram-se mutuamente, declarando-se inimigas. Uma chaga que até hoje não se curou. Isto para falar apenas das divisões maiores. [Edmilson Schinelo]

 

Ao término da Segunda Guerra, os EUA eram o país mais rico do mundo, porém eles teriam que enfrentar um rival, ou seja, o segundo país mais rico do mundo: a URSS. Tanto os EUA (capitalista) como a URSS (socialista), tinham idéias contrárias para a reconstrução do equilíbrio mundial, foi então que começou uma grande rivalidade entre esses dois países. Quem era melhor? Esse conflito de interesses que assustou o mundo ficou conhecido como Guerra Fria. Tanto os EUA criticavam o socialismo quanto a URSS criticava o capitalismo. [Infoescola]

 

As questões suscitadas acima servem apenas de parâmetro para que o leitor tenha noção de que parece haver uma necessidade rudimentar da espécie humana em se dividir, montando sempre os grupos dos contras e dos a favor. Cada qual precisa, necessariamente estar de um lado ou de outro da questão, já que como diria o poeta: toda unanimidade é burra.

 

 

Desde a popularização da internet no tocante especificamente às redes sociais,  cada grupo defende sua posição em relação a preferência exaltando as qualidades de uma em relação a outra. Os protagonistas mais populares do momento são: Facebook, Twitter e o recém criado Google Plus ou Google+.

 

Você, obrigatoriamente, terá que escolher sua bandeira e lutar até a morte pela supremacia da sua preferência ou quem sabe a aniquilação total do seu adversário. Obviamente que, como em toda a guerra, o mais importante é angariar os maior número de aliados possível para auxiliar nos embates diários. As batalhas ocorrem em várias frontes, e, às vezes, é necessário adentrar no território inimigo.

 

Pois é amigos, todos que fazem presentes nas redes sociais já devem ter presenciado essa batalha inútil de alguns pela unanimidade de uma rede em relação a outra. Facebookanos, Twitteiros e Pluseiros, vivem em constante atrito, cada qual defendendo a supremacia de sua ilha imaginária.

 

Recentemente opinei numa postagem da Karla Karioca no G+ que versava sobre uma possível batalha existente entre o G+ x Facebook:

 

Imagem01 Jan. 05 

Fato é que, pra mim, tudo não passa de uma grande inutilidade, pra não dizer imbecilidade, já que, teoricamente, cada usuário escolhe a rede social de acordo com sua preferência e necessidade. Como eu disse no post supra mencionado: tem sempre alguém botando pilha nas redes sociais prevendo que uma vai destruir a outra. Pra mim, ninguém vai acabar com ninguém, cada qual tem sua importância para os usuários. O sujeito fica onde se sente melhor. A única que não uso é o Orkut, uma questão meramente pessoal, nada contra quem usa.

 

Outra coisa, eu não consigo ver tanta similaridade assim entre as redes sociais para que sejam concorrentes, uso vários redes sociais e cada qual tem a sua importância de acordo com minha necessidade do momento. Ademais ninguém é obrigado a ficar onde não se sente bem, caso aquela rede não atenda seus anseios, o melhor a fazer é “enfiar a viola no saco” e procurar abrigo em outro lugar, sem no entanto, praguejar ou desfazer do lugar onde você não se adaptou.

 

Psicólogos do grupo de pesquisa de computação social da HP, fabricante de computadores, descobriram que ficamos mais teimosos à medida que mais pessoas discordam de nossas opiniões…  [Revista Galileu]

 

Sinceramente não vejo motivos para essa celeuma toda que se criou no tocante à eterna guerra entre as redes sociais. Que os proprietários dessas redes sejam de fato concorrentes e que procurem superar uns aos outros,  já que dessa forma quem ganha são os usuários. Mas, decididamente, eu não quero e nem vou tomar partido de nada. Não recebo nenhum vintém de nenhuma delas pra ser usuário vitalício e defensor perpétuo. Estarei presente até o momento em que me são uteis, quando não mais me interessarem, pego meu chapéu e vou cantar em outra  freguesia, e sugiro que outros façam o mesmo.

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].

Retrospectiva em Perspectiva

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

 

 

Calma, nobre leitor, não tenho aqui a menor pretensão de repassar os fatos de 2011. Aliás, estou com uma preguiça danada e você já deve estar de saco cheio destas tais “retrospectivas”…!

 

Apenas quero encerrar o ano com os mesmos besteiróis de outrora…

 

messi

 

Aproveito este espaço para republicar o meu desabafo publicado na edição deste mês da Folha de Paraopeba, contra um ano patético pelo qual passou o glorioso futebol mineiro:

 

CHUTANDO PARA ESCANTEIO

 

A expressão “chutar para escanteio”, emprestada do futebol, também é usada para descartar pessoas, coisas ou situações indesejáveis. Embora com a graça de Deus, tive muito o quê comemorar em 2011, o mesmo não posso dizer no que se refere ao futebol, em especial, ao mineiro, “de páginas heroicas e imortais”...

 

Dependendo do ponto de vista, o ano que se finda está fadado ao esquecimento ou à posteridade - se servir de referência para “o quê não deve ser praticado no futebol de jeito nenhum”.

 

Começarei pelo Cruzeiro, que teve um início de ano promissor: futebol vistoso e muitos gols. Chegou a ser comparado ao famoso time catalão: “Barça das Américas”. A confiança e o entusiasmo eram tamanhos que o presidente Perrela já tinha uma certeza, já no mês de março, quando foi divulgada a Tabela do Brasileirão 2011: o Cruzeiro seria campeão brasileiro na última rodada em cima do Galo!

 

Na verdade, o Cruzeiro não encontrou páreo no Campeonato Mineiro. Na Libertadores, atropelava todo mundo. Tudo azul, até o dia em que enfrentou o Once Caldas e o excesso de confiança afundou o Titanic Celeste.

 

No Brasileirão 2011, o time estrelado começou até bem, mas no returno, o caldo entornou de tal modo que quase redundou num vergonhoso rebaixamento para a Série B. E o pior: a ironia selava o destino através das mãos do arquirrival histórico. Para quem profetizara a conquista do título em cima do rival, Zezé Perrela teve de se contentar em ver o Cruzeiro ser o “recepcionista da Z4”, amargando um 16º lugar.

 

O América, que segundo os bastidores, acabou promovido para a Série A deste ano, “por acidente” (a diretoria americana planejava a ascensão do Coelho em 2012, por questões financeiras), fez um Campeonato Brasileiro cheio de altos e baixos. Na verdade, mais baixos que altos, em momentos de lampejo - com vitórias sobre o campeão e vice (Corinthians e Vasco) - e perdendo muitos jogos em que saía na frente e tomava a virada (lembrando a fábula do coelho e a tartaruga), evidenciando um pecado capital no futebol: a falta de preparo físico.

 

Deixei o Atlético Mineiro por último, quando na verdade não seria nem digno de nota! Com o seu presidente boquirroto “arrastando bagaço” e “oferecendo dinheiro” ao clube rival no início do ano, o Galo acabou por fazer um “campeonato rural” inominável e fechou com “chave de ouro” um dos anos mais ridículos de sua história, perdendo de forma vexatória para um Cruzeiro desesperado para não cair.

 

O Galo acabou levando uma surra histórica na chance em que teve para empurrar o rival para as trevas abissais da Segundona. Para a Massa, restou a triste constatação: nos momentos em que a torcida mais espera do time, ele não corresponde (e a recíproca nunca é verdadeira!).

 

A hora é de chutar para escanteio a empáfia e a falta de comprometimento de jogadores e dirigentes dos clubes mineiros, e pôr em campo a lucidez e a competência, como bem fez o Tupi de JF.

 

Boas Festas e um próspero Ano Novo!

 

 

E se acaso você aspira ser Ministro no Governo Dilma, atente-se à admoestação contida na charge seguinte:

 

Charge_Dilma_Ministerios_Revista_Veja_Harley_Coqueiro

 

Bônus Track:

 

Versão “toscamente animada” da charge no You Tube, ao som do Led Zeppelin:

 

Se John Lennon não tivesse morrido

sábado, 24 de dezembro de 2011

 

Nesta manhã de sábado, véspera natalina, assisti novamente ao filme “Assassinato de John Lennon”, um filme instigante que invade a cabeça perturbada de Mark David Chapman, o assassino. O britânico Andrew Piddington, diretor do filme, tenta recriar os planos diabólicos do maníaco narcisista para se tornar famoso, acabando com a vida de Lennon. O ator Jonas Ball, à época pouco conhecido, faz uma interpretação assustadora do maluco que encerrou a vida de um artista e do homem que marcou várias gerações mundo afora. Se quiser saber detalhes desse triste episódio, basta clicar aqui. Inclusive, a cena do filme está no Youtube.

 

 

Mas não é sobre isso que quero falar, exatamente. queria falar de uma ideia que me passou pela cabeça: se John não tivesse morrido? Como seria sua carreira posterior a tudo isso. Como se passaram 30 anos desse triste episódio, resolvi escrever um post somente sobre o que ocorreria nos oito primeiros anos após o que seria a tentativa frustrada de Chapman. Vejamos então…

 

 

“Se John Lennon não tivesse morrido”

Depois de ter sobrevivido à tentativa de assassinato, John Lennon resolveu dar um tempo em sua carreira. Passou uma semana em coma e três meses internado no hospital, mas conseguiu sobreviver sem sequelas físicas aos tiros do maníaco, cujo nome não gostava de ouvir, o que mostrava que as marcas psicológicas ficariam indelevelmente em sua alma.

 

John e Yoko foram para o Japão com o filho Sean. Billy Preston, Paul, George e Ringo foram ficar com ele por várias semanas. Surgiu o boato de que se reuniriam novamente, o que foi negado veemente por todos. Mas não restava dúvidas de que o que acontecera com John os reunira novamente, não como artistas, mas como amigos. A perspectiva de perder John foi algo que mexeu com todos eles.

 

As várias semanas juntos evidentemente dariam frutos: muitas canções foram compostas. Combinaram que seriam lançados álbuns individuais com elas. Paul lançou em 12 de setembro de 1982 o LP “Ressurrection”, cuja música principal, “Little bird”, tinha o seguinte trecho: “We’re just men who fight for peace / Hold me in your wings, little dove / We can’t fight anymore / We can just sleep and dream…” (“Somos apenas homens que lutam por paz /  Abrace-me em suas asas, pombinha / Nós não podemos lutar mais /  Só queremos dormir e sonhar…”).

 

George também lançou, alguns dias depois, em 27 de setembro de 1982, um LP que tinha como música principal a angustiada canção “Pain”, acompanhada por um solo maravilhoso da guitarra do amigo Eric Clapton no trecho: “My heart bleeds of pain / I imagine another song / People would be happy and can / Make different things as love each other…” (Meu coração sangra de dor / Eu imaginei uma outra canção / As pessoas seriam felizes e poderiam / Fazer coisas diferentes como amar um ao outro…”).

 

Ringo demorou mais de um ano para gravar um novo LP, mas quando o fez, em 22 de fevereiro de 1983, apareceram várias canções, com destaque para a alegre “The yes song”, que dizia “We have many reasons to laugh / including the fact of being alive / then we go to another level, where the angels sing live life…” (“nós temos vários motivos para rir / inclusive o fato de estarmos vivos / nós vamos então para outro nível / onde os anjos cantam ao vivo a vida…”).

 

Billy Preston, por sua vez, foi convidado por John para gravar com ele seu novo LP, após quatro anos, em 1985. O LP foi lançado no dia 6 de janeiro, mostrando um novo lado interessante de John Lennon: ele tinha se tornado um estudioso da história das religiões e isso aparecia em várias canções. Inclusive, a escolha da data de lançamento tinha a ver com a história dos Reis Magos do Oriente que visitaram Jesus em Belém. O disco se chamava, aliás, “Journey”, que relatava a jornada de John Lennon até aquele momento. A participação de seu filho Julian, então com 22 anos, foi maravilhosa. O sucesso foi estrondoso. Tornou-se o disco mais vendido da história, com vários prêmios mundo afora. John, no entanto, continuava sem dar entrevistas e raramente era visto em público. Mas era respeitado por sua posição. A música que mais se destacou no disco, “Trip”, revelava o seu sentimento e, de certa forma, justificava essa ausência: “Now, I know I have fear/ I made a trip to paradise / But God wanted me to be here / I do not remember the way / But this man is separated / From myth that I became a day…” (“Eu agora tenho muito medo / Eu fiz uma viagem ao paraíso / Mas Deus quis que eu estivesse aqui / Eu não me lembro do caminho / Porém este homem está separado / Do mito que me tornei um dia…”).

 

John continua recluso. Não está mais no Japão. Dizem que vive viajando. Por volta de 1987, dizem tê-lo visto em duas pequenas cidades do interior de Minas Gerais, no Brasil. Caetanópolis e Paraopeba chamaram-lhe a atenção pelo contato que ele teve com Mílton Nascimento, o Bituca, que lhe contou a história de Clara Nunes, sua amiga e a maior cantora do Brasil até os anos atuais. Inclusive, Clara recebera o Grammy em 2011 pelo conjunto da obra e uma de suas principais interpretações, do compositor mineiro Armando Fernandes Aguiar (Mamão), “Tristeza Pé no Chão”, teve uma versão maravilhosa da dupla Julian e Sean Lennon, que se apaixonaram pela música brasileira e gravaram em português, porque não conseguiram traduzir a saudade: “Dei um aperto de saudade no meu tamborim / Molhei o pano da cuíca com as minhas lágrimas / Dei meu tempo de espera para a marcação e cantei / A minha vida na avenida sem empolgação…”

*********************

 

Realmente, não dá para traduzir a saudade. Temos saudade de John e de tudo o que ele representou. Essa época do ano sempre serve para lembrar disso.

Deixo ao leitor meus desejos de boas festas, que o Natal seja de muita felicidade e reflexão a respeito da figura do aniversariante e do que Ele representou. Ele é mais popular que os Beatles. Digo isso dentro do contexto.

Feliz Natal! Feliz 2012!

 

Jesus e Lennon

Sobre o Autor:
The EDN

The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

12 Melhores Posts de 2011 Segundo os Leitores

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

E lá se vai mais um ano. Uns com motivos para comemorar, já pra outros foi um ano que não vai deixar saudades. Certo é que para a blogosfera, houveram boas novidades, muitos serviços interessantes foram implementados, alguns pioram é verdade, mas tivemos boas novidades.

 

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Para Os Invicioneiros foi um ano de crescimento. O número de visitas quase dobrou e nosso PR passou de 3 para 4. Porém tivemos também a perda de uma importante colaboradora, a sempre invicioneira Ana Karenina, que continua tocando seus próprios projetos.

 

Os sempre atarefados The EDN e Harley Coqueiro, tiveram certa dificuldade em manter a constância das publicações, mas isso não impediu que eles nos presenteassem com alguns posts dignos de registro.

 

Como mantemos um média de 3 posts semanais, é muito provável que alguns de nossos leitores não tenham tido acesso a todo conteúdo publicado nesse ano que se encerra e foi pensando nessa turma que resolvi fazer a coletânea dos 10 posts que tiveram maior repercussão durante esse ano.

 

Antes de mais nada gostaríamos de agradecer aos nossos fiéis leitores, pela presença constante e colaboração, estamos sempre buscando fazer o melhor para levar algum tipo de informação a vocês.

 

- As redes sociais e a falta de interação – Sobre a falta de interação muitas vezes presentes nas redes sociais;

 

- E não é que a blogosfera perdeu a identidade! – Sobre a fissura de alguns que pensam que ganhar dinheiro com blog é a prioridade de todos;

 

- Vai mudar, tá mudando, já mudou – Sobre uma mudança de planejamento tentada porém rechaçada no blog;

 

- A Magia do Cinema Começa Pelas Vinhetas dos Estúdios – Sobre as vinhetas de abertura de maior sucesso dos filmes;

 

- Sobre a polêmica do livro “Por uma vida melhor” – Sobre as nuances que envolveram o polêmico livro “Por um vida melhor”;

 

- 21 Logomarcas e Símbolos Marcantes – Sobre as logomarcas e símbolos mais marcantes de todos os tempos;

 

- O Google+ Chegou! Acho Que Para Ficar – Sobre a nova tentativa do Google de adentrar no universo das redes sociais;

 

- Qual é o Foco do Seu Blog? – Sobre o direcionamento de blogs e nicho;

 

- 10 Lições Sobre Blogs Que Aprendi Falhando – Sobre alguns percalços que temos que enfrentar na blogosfera;

 

- Internet Banda Larga? Isso é uma Vergonha Nacional! – Sobre a vergonha que é a banda larga disponível pra nós consumidores;

 

- Internetês e Miguxês, me inclua fora disso! – Sobre a abuso do uso dessas formas de comunicação na internet;

 

- Celular, Pochete e Tablets, assim caminha a humanidade! – Sobre o avanço tecnológico e os aparelhos que povoam o imaginário geek.


Esses foram os melhores posts do ano segundo a crítica especializada, ou seja, nossos leitores e comentaristas.

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].

A Pior Música de Natal de Todos os Tempos (“Merry Xmas [War Is Over]”) de John Lennon na Voz de Simone

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

 

 

 

O Natal está chegando. A data mais importante do calendário cristão. Mas há pessoas que não gostam do Natal…

 

john_lennon_simone_harley_coqueiro_invicioneiros

 

 

Particularmente, eu sinto que é o melhor momento de um ano de muita luta, encerrado com as bênçãos e a sensação de prosperidade proporcionadas pelas festividades natalinas [confraternizações com familiares e amigos] e a esperança de um novo tempo com o ano que está para nascer!

 

Voltando aos que não são chegados ao Natal, sou obrigado a concordar num pormenor: as trilhas sonoras natalinas.

 

Silent Night” [“Noite Feliz”] é bonita mas tem uma melodia triste. “We Wish You A Merry Christmas” e “White Christmas” também são legais mas ambas contêm a ressalva de “Silent Night”. “Let It Snow, Let It Snow, Let It Snow” reflete bem o espírito do “american way of life”…

 

Das mais conhecidas, “Jingle Bells” [“É Natal”] é a que transmite mais alegria [porém a versão instrumental com harpa é duro de aguentar! ].

 

Mas a pior de todas, com todo o respeito aos fãs de John Lennon e aos beatlemaníacos [nos quais eu me incluo] é: “Merry Xmas [War Is Over]”. É arrastada demais, com uma harmonia depressiva e o pior: de tão melancólica, parece um funeral de criança!

 

Talvez o que explique isso é o fato de que a canção foi originalmente composta em tonalidade menor, para servir de elegia contra a intolerância da Guerra, já que John Lennon era uma pacifista radical.

 

Canções para datas festivas, no meu modesto entendimento, têm de servir para a exaltação de um momento glorioso e não para causar sensações de lamentos!

 

Por causa disso, eu evito escutar “Merry Xmas (War Is Over)” no Natal, pois em mim, ela consegue acabar com todas as boas vibrações proporcionadas pela data [principalmente se na voz de Simone…!].

 

 

 

 

[Bonus Track]:

 

 

 

Afora isto, um Feliz Natal, seja com que música for!

 

Ho ho ho!!!

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Kits Babaquice Automotiva

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Não é de hoje que as pessoas adoram ornar os carros. Lembro que durante um certo tempo era muito comum o uso de tapetes de retalhos coloridos no painel do carro, como também alguns penduricalhos nos vidros, aliás, inúmeros.

 

Com o tempo a moda acabou involuindo e hoje tornou-se muito comum nos depararmos com alguns possantes ostentando as beldades modernas elencadas abaixo.

 

Decerto que não sei o que passa na cabeça desse povo e antes que alguém me censure dizendo que não sou eu quem paga a conta deles já me penitencio e reconheço que fato é verdade, até mesmo porque se pagasse teria o mais prazer em atear fogo nos referidos bólidos.

 

O mais interessante é que grande parte dos kits valem mais do que o carro.

 

kit babaquice

 

E você? Tem mais algum acessório interessante pra acrescentar à lista? Deixe sua sugestão nos comentários.

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].

Não Há Mais Músicas Lentas! [Semelhanças nos Refrões de “Crazy” e “Rolling In The Deep”]

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

 

 

 

Numa era em que parece que estão proibidas as “músicas lentas” – aquelas para se ouvir e dançar agarradinho a dois, típicas dos anos 90 e anteriores, destaco aqui duas canções atuais que falam de amor nestes tempos modernos, em que a galera anda louca demais e deixando as coisas mais importantes desta vida rolarem para as profundezas...

 

mundo_louco_Harley_Coqueiro_os_invicioneiros

 

Tratam-se, a bem da verdade, de dois belos hits contemporâneos: “Crazy”, do duo americano Gnarls Barkley, e “Rolling In The Deep”, da cantora e compositora britânica Adele. Ambas as canções bebem na fonte cristalina da Soul Music e têm como tema os desencontros e a falta de superação para as frustrações amorosas.

 

Por outro lado, não tenho aqui a menor pretensão de bancar o xerife para questionar/comparar as duas composições. Mas percebo uma certa semelhança (ou coincidência) na harmonia dos refrões das referidas músicas.

 

 

“Crazy”, do Gnarls Barkley, lançada em 2006, vencedora do Grammy de Melhor Música Alternativa de 2007, é estranha e alucinada como o seu videoclipe. Destaque também para o excelente cantor Cee Lo Green, que manda muito bem com o seu “barítono-intoxicado-de-fim-de-rave”...

 

Prestem atenção na harmonia do refrão:

 

 

 

Já na primeira vez em que ouvi “Rolling In The Deep”, achei que a cantora emendaria no refrão um “Does that make me crazy?” no lugar de “We could have had it all”!

 

Rolling In The Deep” foi lançada em 2010 e, embora não seja tão inovadora e experimentalista quanto “Crazy”, é também muito bonita, com uma letra magistralmente melancólica, mostrando ao mundo todo o talento da jovem compositora de 23 anos.

 

 

 

“Ha ha ha bless your soul!”

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Cesária Évora - Mar é morada da saudade

sábado, 17 de dezembro de 2011

 
    
Sei agora da morte de Cesária Évora. Sei-me instantaneamente triste. Sequer reconheço o que escrever. Cesária era mais que Évora para mim. Um símbolo imprescindível da música negra que transcende o orgulho e a pretensão brasileira. Sou brasileiríssimo, mas Cesária era uma amostra de onde viemos, da negritude orgulhosa da África mãe sofredora. Não tenho palavras... Não tenho mesmo o que dizer. Reproduzirei apenas os mestres. Que eles digam o que sofro com a morte de Cesária... Que alguém leia o que escrevi e entenda a importância que essa mulher teve para toda a lusofonia. Respeito profundamente as mortes concomitantes de Joãosinho Trinta e de Sérgio Brito. Mas meu objeto maior de respeito hoje é dessa mulher que defendeu seu país e toda a diversidade lusófona tão apaixonadamente. Tornou-se mito...
 


Para rimar e homenagear, ouso, mesmo com rimas longínquas, como nosso respeito e conhecimento por alguém tão importante:

Passou agora Joãosinho Trinta
Passou também o Sérgio Brito
Passou o teatro e o carnaval
Mas passou alguém mais além
Que muitos podem achar ninguém
Cesária Évora nunca foi a tal
Mas há hoje quem ainda a sinta
Cesária Évora foi um mito...



Vozes d'África
(Castro Alves)


Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...

Qual Prometeu tu me amarraste um dia
Do deserto na rubra penedia
- Infinito: galé! ...
Por abutre - me deste o sol candente,
E a terra de Suez - foi a corrente

Que me ligaste ao pé...

O cavalo estafado do Beduíno
Sob a vergasta tomba ressupino
E morre no areal.

Minha garupa sangra, a dor poreja,
Quando o chicote do simoun dardeja
O teu braço eternal.
Minhas irmãs são belas, são ditosas...
Dorme a Ásia nas sombras voluptuosas
Dos haréns do Sultão.
Ou no dorso dos brancos elefantes
Embala-se coberta de brilhantes
Nas plagas do Hindustão.

Por tenda tem os cimos do Himalaia...
Ganges amoroso beija a praia
Coberta de corais ...
A brisa de Misora o céu inflama;
E ela dorme nos templos do Deus Brama,
- Pagodes colossais...

A Europa é sempre Europa, a gloriosa! ...
A mulher deslumbrante e caprichosa,
Rainha e cortesã.
Artista - corta o mármor de Carrara;
Poetisa - tange os hinos de Ferrara,
No glorioso afã! ...

Sempre a láurea lhe cabe no litígio...
Ora uma c'roa, ora o barrete frígio
Enflora-lhe a cerviz.
Universo após ela - doudo amante
Segue cativo o passo delirante
Da grande meretriz.

Mas eu, Senhor!... Eu triste abandonada
Em meio das areias esgarrada,
Perdida marcho em vão!
Se choro... bebe o pranto a areia ardente;
talvez... p'ra que meu pranto, ó Deus clemente!
Não descubras no chão...
E nem tenho uma sombra de floresta...
Para cobrir-me nem um templo resta
No solo abrasador...

Quando subo às Pirâmides do Egito
Embalde aos quatro céus chorando grito:
"Abriga-me, Senhor!..."
Como o profeta em cinza a fronte envolve,
Velo a cabeça no areal que volve
O siroco feroz...
Quando eu passo no Saara amortalhada...
Ai! dizem: "Lá vai África embuçada
No seu branco albornoz. . . "

Nem veem que o deserto é meu sudário,
Que o silêncio campeia solitário
Por sobre o peito meu.
Lá no solo onde o cardo apenas medra
Boceja a Esfinge colossal de pedra
Fitando o morno céu.

De Tebas nas colunas derrocadas
As cegonhas espiam debruçadas
O horizonte sem fim ...
Onde branqueia a caravana errante,
E o camelo monótono, arquejante
Que desce de Efraim.

Não basta inda de dor, ó Deus terrível?!
É, pois, teu peito eterno, inexaurível
De vingança e rancor?...
E que é que fiz, Senhor? que torvo crime
Eu cometi jamais que assim me oprime
Teu gládio vingador?!

Foi depois do dilúvio... um viadante,
Negro, sombrio, pálido, arquejante,
Descia do Arará...
E eu disse ao peregrino fulminado:
"Cão! ... serás meu esposo bem-amado...
- Serei tua Eloá. . . "

Desde este dia o vento da desgraça
Por meus cabelos ululando passa
O anátema cruel.
As tribos erram do areal nas vagas,
E o Nômada faminto corta as plagas
No rápido corcel.
Vi a ciência desertar do Egito...
Vi meu povo seguir - Judeu maldito -
Trilho de perdição.
Depois vi minha prole desgraçada
Pelas garras d'Europa - arrebatada -
Amestrado falcão! ...

Cristo! embalde morreste sobre um monte
Teu sangue não lavou de minha fronte
A mancha original.
Ainda hoje são, por fado adverso,
Meus filhos - alimária do universo,
Eu - pasto universal...

Hoje em meu sangue a América se nutre
Condor que transformara-se em abutre,
Ave da escravidão,
Ela juntou-se às mais... irmã traidora
Qual de José os vis irmãos outrora
Venderam seu irmão.

Basta, Senhor! De teu potente braço
Role através dos astros e do espaço

Perdão p'ra os crimes meus!
Há dois mil anos eu soluço um grito...
escuta o brado meu lá no infinito,
Meu Deus! Senhor, meu Deus!!...






Navio Negreiro
(Castro Alves)



I

'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.

'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...

'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...

'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...

Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.

Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!


Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!

Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...

..........................................................


Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!

Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.

II

Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!

Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena

Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.
Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,

Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente

Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!

O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,

(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),

Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!

Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...

III


Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

IV

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...

V


Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.

Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...

... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...

Depois, o areal extenso...

Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.


Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. . .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte 
Ao som do açoute... Irrisão!... 

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...

VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Siêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Auriiverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

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Não quero tornar esse post tão longo que seja ilegível... Termino com uma letra de música de Cesária Évora que todos deviam conhecer. Coloco letra e versão, pois o que ela canta é um dialeto de Cabo Verde, sua terra natal. Um dia voltarei a tratar dessa lenda, mais respeitosamente, antes de ter bebido as seis Bohemias que hoje me acompanham nesse post.



Mar e morada de sodade
Num tardinha na camba di sol
Mi t'andá na pr'aia de Nantasqued
Lembra'n praia di Furna Sodade
frontán 'm tchorá Mar é morada di sodade
El ta separá-no pa terra longe
El ta separá-no d'nôs mâe, nós amigo
Sem certeza di torná encontrá
M'pensá na nha vida mi só
Sem ninguem di fé, perto di mim
Pa st'odjá quês ondas ta 'squebrá di mansinho
Ta trazé-me um dor di sentimento

O mar é a morada da saudade

Na tardinha, ao pôr do Sol
Estendido na praia de Nantasqued
Lembro a praia de Furna
A saudade faz-me chorar
O mar é a morada da saudade
É ele que nos leva para terras distantes
Ele separa-nos da nossa mãe,
Dos nossos amigos
Sem certeza de os tornar a ver
A pensar na minha vida tão só
Sem ninguém de confiança perto da mim
Olhando as ondas a rebentar de mansinho
Que me trazem um sentimento de dor


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Sobre o Autor:
The EDN

The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

O Twitter e sua eterna crise de identidade

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

 

Não é de hoje que o termo rede social passou a fazer parte do nosso convívio, sua origem remonta mais precisamente do ano de 1997 com o lançamento do Sixdegrees, que segundo o site do Correio Braziliense foi o primeiro site a possibilitar a criação de um perfil virtual combinado com o registro e publicação de contatos, o que viabilizou a navegação por perfis alheios.  As redes sociais como as conhecemos hoje, com milhões de usuários em todo o mundo, iniciaram suas atividades a partir de 2003. MySpace e Orkut foram as primeiras.

 

duvida-twitter[4]

 

Segundo o site Mestreseo: As redes sociais são formas de compartilhamento de informações, gostos e idéias entre usuários com os mesmos gostos e estilos.

 

Parece que esse escriba que vos fala sempre se equivocou no conceito ao ter o twitter como uma rede social. Para mim, o twitter  era uma rede de relacionamentos, onde pessoas ofereciam e buscavam interação e conteúdo.

 

Muitos dos que frequentam o twitter o têm como uma rede social e muitos outros especialistas também assim o consideram. Porém isso não é unanimidade e encontra várias correntes contrárias. A própria definição de rede social possui várias nuances senão vejamos:

 

# Redes Sociais são estruturas sociais virtuais  compostas por pessoas e/ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns na internet. [O Gestor]

# Redes Sociais são o meio onde as pessoas se reúnem por afinidades e com objetivos em comum, sem barreiras geográficas e fazendo conexões com dezenas, centenas e milhares de pessoas conhecidas ou não.[Administradores]

# Rede social é uma estrutura social composta por pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns. Uma das características fundamentais na definição das redes é a sua abertura e porosidade, possibilitando relacionamentos horizontais e não hierárquicos entre os participantes. "Redes não são, portanto, apenas uma outra forma de estrutura, mas quase uma não estrutura, no sentido de que parte de sua força está na habilidade de se fazer e desfazer rapidamente." [Wikipédia]

 

Já o conceito de mídias sociais, que segundo a Wikipédia, precede a Internet e as ferramentas tecnológicas - ainda que o termo não fosse utilizado. Trata-se da produção de conteúdos de forma descentralizada e sem o controle editorial de grande grupos. Significa a produção de muitos para muitos.

 

Porém, é natural que quando não existe uma definição consensual sobre algo  sempre há pessoas tentando dar alguma categoria para aquele “treco”. Neste ínterim o twitter é um bom exemplo disso. Percebe-se que não existe um consenso na definição deste serviço, uns o consideram uma rede de relacionamentos interpessoal, já outros o definem como uma mídia social e ainda existe um outro grupo que consideram que ele não é um nem outro.

 

Por analogia, penso que o twitter é na verdade uma mídia social, já que é a definição melhor se encaixa no que atualmente vemos por lá. Porém também não tenho essa certeza.

 

Para mim,  já algum tempo o twitter deixou de ser uma rede que integra pessoas, para ser uma rede de negócios e como tal os relacionamentos nesse espaço cada dia se tornam menos informal e mais profissional.

 

Em recente visita ao Brasil Biz Stone, um dos fundadores do Twitter, afirmou em coletiva para a imprensa que não vê o serviço como uma rede social. Para ele, numa rede as pessoas precisam seguir as outras e serem seguidas por elas, trocando informações. E não é exatamente isso que ocorre no Twitter.

 

Ok, o twitter parece passar por uma crise existencial constante, onde grande parte dos  frequentadores não sabem exatamente o querem ao aderirem o serviço. Alguns pensam em expandir relacionamentos e conhecimentos, outros em se auto promover, outros em promover seus produtos e ainda existem aqueles que até hoje não sabem pra quê entraram.

 

Fato é que, pra mim, que frequento esse minifúndio midiático desde os idos anos de 2007, é perceptível as mudanças ocorridos nos usuários deste serviço. Anteriormente era comum a troca de informações e interação, atualmente isso já não acontece com a mesma frequência. A maioria prefere utilizar o twitter como ferramenta de negócios.

 

Admito porém que não sinto a mesma atração de antes pelo twitter e pela forma com que as pessoas o moldaram, gosto de interagir e expandir meus horizontes e, atualmente, isso não acontece com naturalidade no twitter. Até mesmo os antigos contatos que fiz quando do meu ingresso parecem não ser os mesmos, simplesmente deixaram se contaminar pela onda avassaladora da unilateralidade, pra não dizer egoísta. Gostava mais da fase fetal do serviço, onde os relacionamentos eram muito mais humano.

 

Como bem definiu Aristóteles, "O homem é, por natureza, um ser social". É natural que as pessoas busquem diferentes formas para interagirem e expandir os relacionamentos, as redes sociais são, sobretudo, o reflexo desse desejo humano. Mas percebo que esse feeling interativo não é mais prioridade no twitter, as pessoas estão muito ocupadas divulgando seus negócios ou serviços e não têm mais tempo para interagirem.

 

Talvez seja essa carência afetiva que me  faz gostar cada dia mais do Google+/Google Plus, em detrimento ao twitter. Pelo menos por enquanto, os usuários deste serviço ainda dispõem de algum tempo para se dedicar à figura humana e a trocar informações.

 

Ainda me faço presente no twitter, porém não sei até quando. Admito que as coisas ali já não me apetecem mais.

 

Não e atoa que conheço diversas pessoas que possuem verdadeira ojeriza do twitter, entre alguns famosos também é comum a resistência. Indagado sobre o serviço o escritor português José Saramago sentenciou em 2008: “Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido".

 

Percebemos que as relações interpessoais no ciberespaço têm cada dia mais se deteriorado, alguns acabam se esquecendo que por trás de um perfil, existe uma figura humana, uma pessoa que como tal possui uma história, uma experiência, exemplos de vida que podem ser compartilhados. Não podemos perder de vista que:

 

“Cada grande inovação em informática abriu a possibilidade de novas relações entre homens e computadores: códigos de programação cada vez mais intuitivos, comunicação em tempo real, redes, micro, novos princípios de interfaces… É porque dizem respeito aos humanos que estas viradas na história dos artefatos informáticos nos importam” (Pierre Lévy, 1993:54).

 

É elementar que alguns cuidados básicos são necessários na interwebs, muitas pessoas não exatamente aquilo que aparentam ser. Criar um perfil imaginário emoldurado com características fictícias, infelizmente tornou-se habitual nesse espaço. Mas também não podemos pensar que todo mundo que habita as redes sociais é bandido. Com o tempo a gente aprender a diferenciar o joio do trigo e aproveitar melhor o que cada um oferece.

 

“É no anonimato do “lugar virtual” que se experimenta solitariamente uma nova sociabilidade. O viajante pode caminhar por diversas infovias até encontrar o grupo ou tribo com que mais se assemelha, ou informações. Ao encontrar sua tribo, o indivíduo fixa-se neste endereço eletrônico e passa a experienciar e compartilhar de um lugar simbólico e marcado por relações de pertencimento de caráter ideológico, afetivo, sexual ou racial” (Carlos Alberto F. da Silva, 2007).

 

Verdade é que,  pra maioria, pouco importa saber se o twitter é uma rede social, mídia social  ou o que quer que seja, já que dificilmente alguém vai mudar a forma de utilização por causa disso.

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].