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As redes sociais e o dilema do politicamente correto

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

 

 

As redes sociais carrega o mérito de oportunizar a cada cidadão a possibilidade de ter uma opinião sobre tudo e qualquer assunto.

 

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A parte chata do negócio é o ônus de ter que conviver diariamente com "policiais virtuais", defensores da moral e dos bons costumes, que acham o politicamente correto tão relevante e defendem com tanta ênfase, que nem parece tratar-se de uma fachada moralista medíocre. Pesquisem e verão que os que mais criticam são os menos exemplares.


É chato pra burro ter que ficar medindo as palavras porque elas podem causar um mal entendido e ocasionar uma hecatombe de críticas. Certos grupinhos vagam por aí na busca de opiniões polêmicas com a clara intenção de semear a discórdia e atrair consigo a ira dos exaltadinhos de plantão que não sabem nem pra que serve uma vírgula, mas se acham no direito de interpretar até aquilo que não foi dito.


Ah, e as piadas? Essas estão com os dias contados, pois em sua maioria ofendem alguém ou alguma classe. Assim vamos reescrevendo a história de maneira monótona, mas politicamente correta, pois atende a todos. Se ainda estivessem no ar certamente alguns personagens dos humorísticos, estilo Os Trapalhões e Chico Anysio seriam linchados publicamente ou queimados na santa inquisição.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Charge de Uma Morte Anunciada

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

 

 

 

As pessoas têm todo o direito de discordar do que eu penso. Mas, com o aval de Voltaire, não posso me furtar de postar a minha opinião sobre o lamentável atentado à famosa revista francesa de humor Charlie Hebdo, que resultou na morte de doze pessoas, dentre elas, quatro cartunistas - certamente o alvo dos assassinos.

 

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Quando eu era um menino, de uns doze, treze anos, o meu sonho era me tornar um cartunista, chargista profissional. Não me profissionalizei, sigo em outra profissão, mas tenho o prazer de colaborar com a função de chargista na Folha de Paraopeba.

 

Humoristicamente falando, tenho comigo que o humor em geral não é algo absoluto e, involuntariamente ou não, segue um “código de ética”, o famoso “politicamente correto”, tão execrado por boa parte da classe de comediantes. Entendo que não há o direito de se fazer uma charge de mau gosto ridicularizando quem possua alguma necessidade especial; quem seja de cor diferente da minha; quem não professe a minha fé; quem tenha outra orientação sexual, etc.

 

Eu digo isso pois o que aconteceu com a revista de humor Charlie Hebdo, lamentavelmente já estava anunciado. Todos, inclusive nós aqui do outro lado do Atlântico, sabíamos que as tais charges satirizando o profeta Maomé não iriam acabar bem. Não precisávamos ser profetas para saber que haveria um preço muito alto a ser pago pelas tais charges nem tão engraçadas, de gosto duvidoso e, pior: carregadas de enorme preconceito contra a religião islâmica (Maomé vestido de terrorista, por exemplo!).

 

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Pelo amor de Deus, não estou aqui defendendo as pessoas que cometeram as atrocidades na redação da revista parisiense, assassinando doze pessoas. Os assassinos têm de ser presos, julgados e condenados como manda a lei francesa. Mas daí, ridicularizar através de charges o maior ícone da religião islâmica, sabendo-se que existe uma ala radical (não é a maioria dos muçulmanos, diga-se de passagem) na própria Europa e disposta a tudo para defender a imagem de sua religião milenar, perdoem-me: é no mínimo insensatez e irresponsabilidade do editor da revista, por colocar a vida de colegas de trabalho, familiares e vizinhos em risco, culminando numa Jihad desnecessária...

 

Eu poderia muito bem me juntar ao coro da maioria. Mas não seria sincero da minha parte. Lamento apenas que não precisava ter chegado aonde chegou: uma Paris em prantos; familiares chorando os seus mortos e o humor gráfico perdendo quatro chargistas talentosos após um ataque insano e que pode gerar outros desdobramentos, tais como perseguições aos cidadãos de origem árabe na Europa…

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Santos Reis

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Hoje a Igreja Católica comemora o Dia dos Santos Reis, que a tradição surgida no século VIII converteu nos santos Belchior, Gaspar e Baltazar. Adoro estudar as tradições culturais do meu país e, particularmente, tenho me dedicado bastante ultimamente ao estudo das Folias de Reis. É interessante saber que a Bíblia não revela no Sagrado Evangelho que os Santos Reis o seriam de fato, pois faz referência apenas a “magos do Oriente”. São citados apenas por São Mateus:
 
“(2, 1) Tendo, pois, nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram do oriente a Jerusalém uns magos que perguntavam: (2, 2) 'Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo.' (2, 3) O rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e com ele toda a Jerusalém; (2, 4) e, reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo.”
 
O evangelista não diz quantos nem quem são, mas a tradição católica e escritos não oficiais da Igreja sugerem que eram três e chamavam-se Melquior (ou Belchior), Baltasar e Gaspar. Esses nomes aparecem, entre outros textos, no Evangelho Apócrifo Armeno da Infância, do fim do século VI, no capítulo 5,10:
 
“Um anjo do Senhor foi de pressa ao país dos persas para avisar aos reis magos e ordenar a eles de ir e adorar o menino que acabara de nascer. Estes, depois de ter caminhado durante nove meses, tendo por guia a estrela, chegaram à meta exatamente quando Maria tinha dado à luz. Precisa-se saber que, naquele tempo, o reino persiano dominava todos os reis do Oriente, por causa do seu poder e das suas vitórias. Os reis magos eram 3 irmãos: Melquior, que reinava sobre os persianos; Baltasar, que era rei dos indianos, e Gaspar, que dominava no país dos árabes.”
 
Eles são conhecidos por “Magos” não porque fossem expertos na magia, mas porque eram muito sábios e, sobretudo, tinham grande conhecimento da astrologia. De fato, entres os persas, se dizia “Mago” aqueles que os judeus chamavam “escribas”, os gregos “filósofos” e os latinos “sábios”.

V
ale ressaltar que a exegese católica interpreta a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de David:
 
“Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. 11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11)
 
Segundo li há algum tempo na revista Superinteressante, foi apenas no século III que eles receberam o título de reis, provavelmente como uma maneira de confirmar a profecia contida no Salmo 72: “Todos os reis cairão diante dele”. Por volta de 800 anos depois do nascimento de Jesus, eles receberam os nomes e também a origem: Melchior era rei da Pérsia, Gaspar era rei da Índia, e Baltazar era rei da Arábia. Melchior, honorável ancião, ofereceu ouro ao Rei Jesus. Gaspar, na força de sua juventude e beleza, ofereceu incenso. E Baltazar, de cor muito escura, ofereceu ao Salvador mirra.
 
Em hebreu, esses nomes significavam, respectivamente: “rei da luz” (melichior), “o branco” (gathaspa) e “senhor dos tesouros” (bithisarea). Na catedral de Colônia, na Alemanha, supostamente é o lugar onde repousam os restos mortais dos reis magos. De acordo com uma tradição medieval, os magos teriam se reencontrado quase 50 anos depois do primeiro Natal, em Sewa, uma cidade da Turquia, onde teriam falecido. Algum tempo depois, seus corpos teriam sido levados para Milão, na Itália, onde permaneceram até o século 12, quando o imperador germânico Frederico dominou a cidade e levou as urnas mortuárias para Colônia.
 
Devemos aos magos até a tradição de dar presentes no Natal. No ritual da antiguidade, ouro era o presente para um rei, incenso, para um religioso. E mirra, para um profeta (a mirra era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, representava a mortalidade). O significado desses presentes costuma variar: uns dizem que o ouro representava a realeza de Jesus, filho de Davi; a mirra, a sua humanidade e o seu sacerdócio; o incenso falava de sua divindade, era Deus que se revestiu da forma humana, nascendo como um de nós. Outros já vão além disso, acrescentando outros detalhes:
 
– O ouro era o presente para um rei (realeza), mas também a riqueza e a alegria que os Reis Magos sentiram na alma quando se aproximaram do menino Jesus, além de ser símbolo de sabedoria universal e de todos os dons e talentos que Deus proporcionou à Humanidade.
 
– O incenso, para um religioso, simbolizava a fé, o retorno íntimo ao sagrado, às bênçãos que todo cristão precisa receber e doar, como também simboliza o ato de abençoar alguém com o coração e pode ser considerado uma oferenda devocional oferecida somente aos deuses e, nesse caso, ao Filho de Deus.
 
– A mirra era uma erva amarga cuja resina antisséptica era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, podia representar a humanidade de Jesus e, ao mesmo tempo, a Sua imortalidade divina, Sua pureza (o cheiro que ela emana faria ainda a ligação com o Divino e o Eterno, como símbolo para a vitória de Jesus sobre a morte), além de simbolizar também os pecados e defeitos humanos que seriam redimidos pelo Filho de Deus.
 
Nesta data, ainda, encerram-se para os católicos os festejos natalícios e é o dia em que se desmancham os presépios e são retirados todos os enfeites de Natal. Tenho uma identidade muito forte com esse dia, por vários motivos, que revelo a seguir.
 
O primeiro deles é a importância que dou à figura alegórica representada por cada um dos Santos Reis, conforme foi descrito acima, além dos significados dos presentes que levaram ao Menino Jesus.
 
De acordo com São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra, considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador (sua obra “História Eclesiástica do Povo Inglês” — Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum — lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa), em seu tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele:
 
“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
 
Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes. Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.
 
O segundo motivo pelo qual considero muito importante este dia é porque tenho o maior respeito pelo que representa a Epifania na minha vida particular. Sempre, após as festas de fim de ano (e isso é algo que trago comigo desde a infância), sinto-me muito pensativo e faço uma revisão de minha vida e do que posso fazer para tornar-me alguém melhor. Não é fácil perceber que, em alguns momentos como estes, que deixei de fazer muitas coisas importantes em minha vida que me fariam crescer como ser humano. Mas também é um momento de satisfação em perceber as vitórias que conquistei como pai, marido, irmão, filho, afilhado, compadre, padrinho, tio, amigo, profissional, enfim, como o Ernane que cada uma das pessoas que fazem parte da minha vida compreendem.
 
O terceiro e menos importante motivo de celebrar o dia 6 de janeiro é porque é meu aniversário.



******************************


Reis Magos”
 
Os Reis Magos chegaram e deixaram seus presentes
Para o Menino Deus que acabara de nascer
Muitas vezes, sinto que somos uns cristãos tão ausentes
Não celebramos aquilo que de fato deve ser

Ouro foi dado ao Menino Jesus como símbolo de sua realeza
E nós precisamos reafirmar a certeza
De nossa fé incondicional na figura de Deus em nossa vida
E da força que Ele nos proporciona para superar a lida

Incenso também foi um presente para o Menino Jesus
Que deve nos lembrar Sua divindade incontestável
E o amor intenso que emana suavemente de sua luz
Que nos enche o coração de forma inexorável

A mirra de nossos pecados e de nossa alma imperfeita
Representa a eternidade da presença do Cristo Ressuscitado
E a amargura que ora nos acolhe e que ora nos rejeita
É a redenção que Deus nos oferece em Jesus, de bom grado

Gaspar, Belchior e Baltazar louvam o Menino Deus vivo...
Seguiram a Estrela do Oriente em busca do palácio divino
E encontraram um castelo na gruta sagrada do motivo
Que deve mover cada cristão na procura do mistério sagrado
Que não precisa de rimas, nem de estrofes, nem de métrica...
Basta apenas acreditar...



 
Sobre o Autor:
The EDN
The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

O Humor nos Tempos do Cólera

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

 

 

“É uma pena que muitos comediantes, e não só comediantes, mas muitos artistas jovens brasileiros sejam de direita. Sejam garotos fascistas. Eles fazem um trabalho que a gente ensina nossos filhos a não fazer. Apontam para os outros e dizem “hahaha, você é preto, você é viado, você é aleijado”. Eu sou politicamente correto. O politicamente correto é uma ferramenta civilizatória que inventamos para que uma criança negra não veja um negro sendo humilhado na TV. Mas todo garotão que é artista gosta de dizer que o maneiro é ser politicamente incorreto. Isso não é engraçado, não é humor.”

 

Embora não sendo fã, concordo com quase tudo que foi postado acima por Wagner Moura, o eterno Capitão Nascimento, em seu perfil no Facebook.

 

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Por trás do "politicamente incorreto" de certos pseudos comediantes de televisão (independentemente da influência político-partidária; esquerda, direita, volver! etc.), há a visível falta de talento e a insistência em um humor subliminarmente preconceituoso, em que não se salvam nem o CQC, nem o Pânico!, nem quase ninguém...

 

Fato é que quase todas as piadas no mundo carregam uma certa dose de preconceito. Faz parte. E isso remonta os tempos da Idade da Pedra, quando o homem descobriu o humor bem depois do fogo, como diria Oscar Wilde...

 

Mas é preciso descobrir novos rumos, desenvolver novas formas de se fazer comédia para a tv (tal como conseguiram os Irmãos Marx, o grupo Monty Python e até o brasileiro "TV Pirata", nos anos 80), e não ficar repetindo velhas fórmulas, chutando cachorros mortos…

 

Há um perigo muito iminente de que ocorra com o nosso humor televisivo o que aconteceu com a música popular brasileira contemporânea: "funkear-se"... (não falei: mais uma piada politicamente incorreta e preconceituosa!)

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

A Maldita Rotina Que Nos Faz Esquecer de Nossos Bens Mais Preciosos

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

 

 

Chega o verão e ouvimos relatos de crianças esquecidas por horas no interior de veículos e, na maioria dos casos, com finais trágicos, principalmente nos grandes centros. Digo no verão, porque certamente crianças são também esquecidas em estações menos quentes do ano, e por essa razão, obviamente, têm mais chances de sobreviver...

 

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Não me cabe julgar os pais que, nessas situações, a meu ver, são também vítimas dessas nossas rotinas estressantes de trabalho e cobranças por resultados, que somados aos tablets e smartphones de última geração, acabam roubando o nosso foco daquilo que é o nosso bem mais precioso: os nossos filhos!

Para quem acha um absurdo o fato de um pai ou uma mãe esquecer uma criança em um carro, sob um sol escaldante, cabe aqui uma ponderação do psicólogo Hélio Deliberador:


“A rotina orienta a memória e muitas vezes nos trai, porque certas coisas acontecem fora da rotina. A nossa vida não é só rotina. Nossa vida são coisas novas, situações novas, mudanças. Nós nos defendemos dizendo 'eu não esqueço, isso não pode acontecer comigo’. Mas é uma defesa. Isso pode acontecer com qualquer pessoa. Faz parte da nossa condição humana: esquecer”.

 

O psicólogo alerta ainda que as mudanças de rotina ou as situações de estresse exigem cooperação e atenção redobrada:


“Quando está fora da rotina, tem que fazer bilhetes, escrever, ter jeitos para lembrar daquilo que você tem como responsabilidade. Você tem que estar com seu sistema nervoso sempre preparado para prevenir situações de risco”.


E vou mais além e indago se o Governo Federal não poderia investir em campanhas alertando sobre tais situações e recomendando algumas medidas, como por exemplo, de orientar os motoristas a não deixarem a cadeirinha do bebê atrás de seu banco, mas em uma posição de segurança visível para quem dirige, pois observei que nos casos ocorridos tanto em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, quanto em BH, as cadeirinhas foram colocadas atrás do banco do motorista. E pelo fato de ficarem “escondidas” e em silêncio (é sabido que o interior dos carros é o melhor lugar para uma criança dormir), o motorista não atina que está involuntariamente esquecendo (perdoem a redundância) uma criança no carro.

A ONG "Criança Segura" também dá uma dica preciosa: coloque algo que você vá precisar em sua próxima parada - como uma bolsa, almoço, mochila da academia ou maleta - no chão do banco de trás, onde a criança está sentada. Esse ato simples pode prevenir o esquecimento acidental da criança caso ela esteja dormindo.

No mais, é orar e vigiar!

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/12/criancas-morrem-apos-serem-esquecidas-pelos-pais-dentro-de-carro.html

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Não é falta de tempo, é falta de prioridades.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

 

O tempo que hoje parece mais corrido, não é fruto de nenhuma transformação mágica ocorrida na natureza. O tempo escasso é apenas consequência natural de nossa fissura pelos aparatos tecnológicos.

 

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Muitos ainda não perceberam, mas cada vez mais nos tornamos refens de nossa própria criação. A comunicação instantânea nos trouxe rapidez, mas nos tornou também frios e individualistas. O que antes era diálogo, hoje é whatsapp. E o que era carta, hoje virou Facebook.


Nosso tempo se perde na nossa própria ignorância, aquilo que nos trouxe agilidade, acabou nos tornando também prisioneiros. O mundo anda muito corrido, mas não tanto quanto nossa incapacidade de tornar as relações mais humanas.


Somos prisioneiros do aparato tecnológico porque ele não exige muito de nós, podemos fingir ser aquilo que não somos, pois atrás da tela ninguém vai perceber nosso rosto enrubescer quando mentimos. Perdemos um tempo incalculável na atualização de nossas redes sociais, o mesmo tempo que depois reclamos que anda escasso.


Nosso smartphone é  hoje algo indispensável, nossas amigos estão todos naquela caixinha maravilhosa, basta um clique. Estamos tão concentrados nela que nem percebemos que o calor humano jamais poderá ser reproduzido por um novo aplicativo do Google Play.


Estamos sendo doutrinados a abrir mão da materialidade, o virtual é que dita os rumos. O dia continua com as mesmas 24 horas, mas toda essa modernidade nos consome muito tempo. E assim, a tendência é que continuemos trocando o bate papo com alguém do nosso lado, pelos nossos amiguinhos virtuais. O homo-cyber segue dominando o mundo, enquanto isso, a depressão segue acometendo cada vez mais pessoas. Não seria a hora de repensarmos nossas prioridades?

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Homo Sapiens x Homo Cyber

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Atualmente o universo humano se divide em 2 espécies: o homem civilizado – homo sapiens e homem cibernetizado – homo cyber.

 

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O homo sapiens ainda consegue manter o mínimo de convívio humano e procura manter o contato físico como forma de interação. Ainda que homo sapiens conviva com o aparato tecnológico, ele não é dependente dele, eles são apenas instrumentos de facilitação de comunicação e informação. Para o homem sapiens o calor humano é algo imprescindível, ele ainda consegue ter a consciência de que a espécie humana só evoluiu porque aprendeu a extrair a essência do indivíduo. Muitas das descobertas que hoje desfrutamos foram frutos de relações interpessoais.

 

Já o homo cyber é dependente das tecnologias, ele está mais preocupado com os amigos virtuais do que com o universo real. O homo cyber valoriza mais os seus gadgets digitais do que as relações humanas. Por isso é muito comum você se deparar com grupo de pessoas que se comunicam com todos, menos com quem está do seu lado.


O homo cyber não vive mais sem seu smartphone, ele é escravo da tecnologia. A mesma tecnologia que encanta, também escraviza. Para eles o celular é uma necessidade básica, quase fisiológica. Nas rodas de amigos dessa espécie o diálogo inexiste, é um silêncio sepulcral só quebrado pelo som dos teclados. A comunicação agora é monólogo. Atualizar minha rede social é mais importante do que um bate papo descontraído com os amigos.

 

Nessa espécie, a exaltação da humilhação é algo desafiador. Por isso, o respeito ao semelhante deu lugar a violência injustificada, quem possui como prêmio o compartilhamento em massa de agressões, violência e humilhações públicas. Se alguém está sendo agredido ou humilhado, ninguém interfere, pois a filmagem é mais importante do que o ser humano, isso será um material atrativo para os amigos do Facebook e Whatsapp.

 

Para o homem cyber a sexualidade não é mais algo íntimo, ela se tornou uma espécie de competição entre mocinhas que se despem para os amantes virtuais. Quanto mais ousado for, mais interessante se torna.

 

O homo cyber não tem consciência de que a cibernética domina suas ações. Para ele, isso é um processo natural de evolução. Ele não percebe que a tecnologia está tornando as relações superficiais demais. O amigo virtual é sempre mais importante do que o amigo do lado. Com isso estamos construindo uma sociedade cada vez mais repleta de virtualidade e oca de materialidade.

 

Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez. [Simone de Beauvoir]

 

Estamos vendo nascer e crescer uma geração que não sabe mais viver sem o aparato tecnológico, o que veio para facilitar a vida, acabou se tornando um aprisionador de mentes. O futuro desse fenômeno ninguém sabe ao certo. Mas é bem provável que muitos um dia venham a lamentar pelo tempo que perderam com as máquinas. O ser humano é insubstituível e o convívio humano uma necessidade evolutiva. Num futuro não muito distante  perceberemos que o ser humano começará a involuir. O homo sapiens entrará em extinção e o homo cyber viverá apenas a mercê de todo aparato tecnlógico existente. Ironia do destino: o criador refém da criatura.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Receita Literária

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

 

Uma forma bem didática de propagar o nome dos grandes mestres da literatura brasileira. Nesta frase recebem homenagem especial: Manuel Bandeira; Machado de Assis; Guimarães Rosa; Graciliano Ramos; Gregório de Matos; Augusto dos Anjos e Jorge Amado.

 

 

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Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

O LED do Vaga-Lume

terça-feira, 2 de setembro de 2014

 

 

 

Certa vez, dois gentis missionários da Igreja das Testemunhas de Jeová, deixaram em minha casa uma edição muito interessante de sua revista “Despertai!”. Trata-se de um periódico que a respeitável igreja imprime e distribui em sua obra missionária, dando dicas de como enfrentar os problemas do dia a dia com sabedoria e fé, e onde pode se conhecer um pouco mais de sua doutrina peculiar, afastando certos preconceitos.

 

Vaga-Lume

 

Na última página, sob o título “A Lanterna do Vaga-Lume”, a matéria informava sobre uma descoberta que os pesquisadores acabaram de realizar a partir das pequeninas escamas na superfície da lanterna de alguns vaga-lumes. A lanterna, ou órgão bioluminescente de um vaga-lume do gênero Photuris, é coberta por escamas irregulares, cuja função é aumentar a intensidade da luz produzida por esse ser fantástico.

 

Os cientistas concluíram que as escamas formam um padrão ondulado, como telhas sobrepostas, e nas bordas das escamas existe uma saliência de apenas três micrômetros de altura, com um tamanho vinte vezes menor que a espessura de um fio de cabelo humano.

 

E de forma espetacular, essas minúsculas saliências irregulares potencializam o efeito da lanterna natural do inseto, fazendo-a brilhar 50% a mais do que se as escamas fossem completamente lisas.

 

Com base nesta constatação, chegou-se a indagar se essa estrutura poderia melhorar a eficiência dos diodos emissores de luz (LEDs), usados em muitos aparelhos eletrônicos de última geração. Para comprovar, os cientistas revestiram os LEDs com uma camada ondulada, imitando a superfície da lanterna do vaga-lume. E qual foi o resultado? Os LEDs emitiram 55% mais luz!

 

A física Annick Bay, assombrada com o resultado, disse: “O aspecto mais importante desse trabalho é que ele destaca o quanto podemos aprender por estudar a natureza.”

 

E para encerrar, no final da excelente matéria impressa na “Despertai!”, são feitas as seguintes e instigantes ponderações: “Será que lanterna desse vaga-lume é resultado da evolução [darwiniana] ou teve um projeto [criacionista]?

 

*[Crônica publicada na Folha de Paraopeba, edição de setembro de 2014]

 

 

Bonus Track:

 

O goleiro Aranha no divã… Charge da Folha de Paraopeba.

 

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Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

A tecnologia que nos uniu, é a mesma que nos separa.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

 

Vivemos num tempo em que a correria do dia a dia é quem dita o ritmo. O mundo evoluiu, a tecnologia facilitou nossa vida. Mas ainda não encontraram nada para substituir o calor humano.

 

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Grande parte de nossa nostalgia não é oriunda da falta de habilidade em lidar com a modernidade, mas um misto de saudade e tristeza por lembrar do tempo em que as relações humanas eram mais importantes do que atualizar o perfil numa rede social.


Temos tempo para tudo, para baixar nossas músicas, para atualizar nosso perfil, para ler diversos sites de notícias, para manter nossos amigos no Whatsapp informados a nosso respeito. Mas não temos tempo para conversar pessoalmente com eles.

 

A evolução tecnológica nos tornou mais egocentristas, sem que percebêssemos. Talvez seja esse o motivo da depressão ser hoje o mal do século.

 

A causa  muitas vezes pode ser ocasionada por essa falsa ilusão de que a tecnologia nos uniu, quando na verdade somos só nós e o computador, o tablet ou o smartphone. Quando nos damos conta disso, percebemos que vivemos ricos de modernidade e pobres de materialidade.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Achado não é roubado! Mas e a ética e a moral, onde ficam?

quinta-feira, 17 de julho de 2014

 

Que me desculpem os mais otimistas mas hoje estou um pouco decepcionado com o ser humano. A gente que exige tanto ética e  moral dos nossos governantes, que deveríamos ser os primeiros a dar exemplo. Exemplo de honestidade, de retidão, de caráter. Estou especialmente decepcionado por um fato que aconteceu com minha esposa ontem no shopping de uma cidade vizinha a nossa, mais especificamente em Sete Lagoas.

 

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Por ser feriado religioso na minha cidade aproveitamos a folga para fazer umas compras e passear com nossos filhos. Em dado momento minha esposa se dirigiu ao fraldário do shopping para amamentar meu filho recem-nascido e como eu tinha que resolver outras coisas acabei por tomar outro rumo.


Qual não foi minha supresa ao receber a ligação dela de outro telefone dizendo que tinha perdido seu celular. Quando a encontrei novamente ela me relatou que foi amamentar nosso filho e acabou colocando o celular numa bancada próxima, ao sair acabou esquecendo o aparelho. Quando deu falta dele acabou voltando ao fraldário e encontrou uma senhora que limpava o local, essa senhora disse que havia acaba de entrar uma moça loira passando mal e que percebeu quando ela saiu carregando um celular amarelo, certamente o da minha esposa.
Não estou aqui fazendo mencão à questão material do bem, que é totalmente insignificante perto do valor sentimental. Esse aparelho eu dei de presente pra minha esposa por ocasião de seu aniversário em junho passado. Justamente para que ela pudesse registrar os momentos de crescimento de nosso filho. O aparelho tinha várias fotos e vídeos dele.


Me entristece muito é perceber como algumas pessoas não possuem o mínimo de educação, de moral, de ética. Esses valores foram os primeiros ensinamentos dos meus pais. O que é meu é meu o que é do outro é do outro. Eu carrego comigo esse ensinamento desde a infância. Jamais faria algo semelhante. Até mesmo porque a gratidão da pessoa quando devolvemos algo que ela perdeu não tem dinheiro que pague.


Percebemos que em nosso país existem pessoas honestas, mas existem corruptos. Muitos deles no poder. E sabemos perfeitamente porque eles estão lá. Eles são o reflexo de alguns que não possuiram uma formação moral por parte da família. Pessoas comuns, que convivem conosco em muitos casos reclamando dos nossos políticos. Mas incapazes de devolver um simples aparelho que não lhe pertence. Minha tristeza não é pela perda do bem, mas pela decepção de perceber que em nosso meio existem mais corruptos do que se imagina, pessoas cujo dinheiro é mais importante do que qualquer valor ético ou moral.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Reflexões sobre a copa, ou não…

segunda-feira, 14 de julho de 2014

 

E agora José? A copa acabou, o legado atrasou, a conta sobrou. Não fomos campeões, e nem merecemos. Qualquer um que entenda mais ou menos de futebol sabia que as apresentações da nossa seleção não inspiravam confiança. Torci mesmo assim, como muitos outros também torceram, por acreditar no sobrenatural de almeida que sempre abunda pelo universo futebolístico. Mas desta vez o melhor venceu.

 

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Ficou na boca aquele gosto amargo de derrota. Nesse momento não sabemos o que se destaca mais, o vira-latismo ou o puxa-saquismo. Alguns querem atribuir ao futebol a culpa que, por grau de importância, ele não carrega. Se dentro de campo não brilhamos, muito pelo contrário, demos um vexame histórico. Fora dele a organização não foi um desastre que muitos previram. Muitos estrangeiros voltaram para casa maravilhados com o país que eles só conheciam pelo Google, e, diga-se de passagem, com as piores notícias possíveis.


Gastamos mais do que devíamos num momento inoportuno de nossa economia. Isso também é fato. Qualquer governante de bom senso não teria aceitado tantas imposições custeadas com recursos públicos, sobretudo num país carente de investimentos primários.


Porém, devemos ser realistas no balanço, para perceber que perdemos em alguns aspectos e ganhamos em outros. Nossa seleção foi um fiasco, obras superfaturadas, recursos públicos jogados no ralo, pesam em desfavor da copa, para tristeza dos puxa-saquistas.  Porém, a receptividade do povo brasileiro, os bons estádios, e a organização do evento de um modo geral, foram pontos positivos, para quem esperava o caos total, esses aspectos foram dignos de comemoração, para irritação dos vira-latistas.


Em resumo, creio que a copa vai ficar marcada de alguma forma. Eu só lamento que a falta de noção acabe levando pessoas aos extremos. Não admitindo que você goste de futebol sem dissociar isso das questões políticas e sociais. Perdemos dentro de campo, mas ainda assim, apesar do superfaturamento das obras, a copa não foi esse desastre todo que muitos alardearam.


Sigamos nossa vida, em outubro teremos um compromisso importante pela frente. Que saibamos ser patriotas nesse momento de festa da democracia, escolhendo com seriedade nossos representantes.

 

 

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José Márcio
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