Leia também...

Leia também...
Salve a tecnologia!

Leia também...

Leia também...
Rousseau e a Raça Uruguaia

Leia também...

Leia também...
A tecnologia que nos uniu, é a mesma que nos separa.

Leia também...

Leia também...
Santos Reis

Fotografas-me e não me revelas

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Estendo as mãos para o alto

Diante da máquina que me fotografa

Será que é uma arma que me levará

Para o encontro final com outra realidade?

 

Uma realidade que não me faça medo

Que não me traga a angústia de não poder ser criança

Em um mundo cercado de violência

Um mundo mergulhado sombriamente no horror da guerra

Que é travada sem que se saiba por quê

Sem que se saiba para quê

Assim como todas as guerras…

 

Estendo as mãos para o alto

Fotografas-me e não me revelas

O Salgado de minhas lágrimas

Não aparece diante do meu medo…

Sou apenas uma criança síria

Uma criança séria que não sabe rir

Uma criança sem esperança…

(ENANRE ETRAUD – THE EDN)

 

MENINA-SÍRIA

 

*****************************

 

Escrevo esse poema em lágrimas diante da imagem e da reportagem que acabo de ler…

 

http://www.contioutra.com/sobre-a-menina-siria-que-se-rende-ao-confundir-camera-fotografica-com-uma-arma/

 
Sobre o Autor:
The EDN
The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

Vamos Vaiar Quem Agora?

quarta-feira, 11 de março de 2015

 

Um certo assunto tem dominado as mídias sociais atualmente. Trata-se nada mais nada menos do que a tal VAIA. Que, segundo o dicionário, é a manifestação de desagrado, desaprovação, desprezo ou escárnio, por meio de brados, assobios ou certos ruídos orais.

 

Vaiando-a-incompetência-por-Genildo-412x420

 

Penso eu, que esse IBOPE todo tem como cerne o fato de que alguns “sabichões” resolveram, de uma hora pra outra, mudar o já conhecido adágio popular que dizia: QUEM TEM BOCA VAI A ROMA. Que em linhas gerais significa que tem boca vai a qualquer lugar, bastando usar o diálogo. Ocorre que de uns tempos pra cá, alguém, com tempo de sobra, resolveu levantar a polêmica de que o ditado correto é: QUEM TEM BOCA VAIA ROMA, vaia do verbo vaiar. Ora pois, alguém saberia me dizer o que diabos a coitada da ROMA fez para merecer esse desagravo? Pois é, nem eu, essa nova versão não faz sentido algum.

 

Mas polêmicas a parte a vaia já faz parte do nosso cotidiano. O povo vaiou a Dilma na Copa das Confederações, vaiou outra vez na feira de construção civil em São Paulo. A apresentadora Angélica foi vaiada após gravação para o programa Estrelas que ocorria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UniRio). Vaiaram, inclusive, num passado não muito distante, uma certa moça de vestido rosa na faculdade. Fato esse que acabou trazendo mais benefício do que prejuízo para a vítima.

 

Certo é que entre manifestações de apoio e desagravo, esses assuntos acabaram ganhando as discussões nas redes sociais. Entre um comentário e outro podemos perceber que a visão do ato possui 2 vertentes: os que defendem a liberdade de expressão; e os que são contra o ato por entendê-lo como uma falta de respeito e de educação. Não ternho certeza, mas acredito que diante do cenário atual, se os tais “sabichões” tivessem mudado o ditado para QUEM TEM BOCA VAIA A DILMA, eu tenho certeza que o a aceitação seria maior.

 

Porque se a democracia representa alguma coisa, ela representa, sobretudo, a liberdade de aplaudir ou desaprovar os atos dos agentes públicos. Seja por meio das críticas, seja por meio das vaias. Já dizia Georg Christoph Lichtenberg, filósofo, escritor e matemático alemão: Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito.

 

No caso específico de nossa presidenta, as vaias representam um ato de reprovação em relação às medidas recentes, tomadas para combater a crise econômica. Com a popularidade em franco declínio, poucos meses após a reeleição, aparentemente nossa governante maior perdeu, se é que um dia já teve, a capacidade de gerir, de forma racional, os rumos do país. Não bastasse isso, tem dado mostras diárias de que não tem habilidade para conseguir manter um diálogo amistoso até mesmo com os partidos da base aliada. Acho até que a crise institucional é mais grave do que a econômica.

 

De minha parte eu ainda continuo achando as vaias a expressão máxima da falta de educação. E, quando elas são dirigidas a maior autoridade do país, significa que é preciso parar e repensar as prioridades, pois as políticas públicas relacionadas à educação falharam miseravelmente. Nesse caso, Ela está apenas colhendo o que não plantou (ops, mudaram mais um ditado popular).

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Campeonato de Pontos Perdidos

quinta-feira, 5 de março de 2015

 

 

 

A CBF, todo-poderosa guardiã do futebol brasileiro, deu na telha de impor aos clubes que disputarão o Campeonato Brasileiro desse ano a penalidade de perda de pontos por atraso de salários de seus jogadores, o chamado "fair play financeiro".

 

Segundo o ex-craque e hoje senador Romário, tudo isso não passa de um deboche e artifício para impedir que a MP com a mesma matéria, que o Governo estaria para editar, não vire lei e tudo volte como dantes, no já manjado “Quartel de Abrantes”...

 

troia

 

Venha de onde vier (CBF ou Governo), apesar de moralizadora e exigir dos clubes gestões mais equilibradas, é uma medida muito, mas muito perigosa.

 

Claro que todo trabalhador tem o direito de receber o seu salário em dia. Afinal, contratos existem para serem cumpridos e honrados. Mas tal questão, envolvendo atraso de salários de profissionais do futebol, tem de ser resolvida em outras instâncias e não dentro de um campeonato nacional, donde interesses e paixões vão muito além do pagamento “em dia” dos salários de cinco ou seis dígitos dos jogadores.

 

Na verdade, tal punição soa demagógica e certamente esconde outros intentos, servindo apenas para as nefastas disputas no excelso “tapetão”...

 

Se um clube atrasar salários, qual será o critério para a perda de pontos? Serão debitados três pontos por mês de atraso? Ou por dia?

 

Como serão apurados os atrasos de salário? Os times terão de declarar que estão em dia? Haverá uma comissão fiscalizadora independente e “aclubística” para isso? Os jogadores terão de confirmar se estão recebendo em dia ou não? Os clubes terão de fiscalizar uns aos outros?

 

Imaginemos a hipótese de um time despencando para a segunda divisão, os seus jogadores terão coragem de denunciar que estão com os salários atrasados, correndo o risco de sua equipe perder ainda mais pontos? Como ficará a relação jogadores/torcida numa situação dessas?

 

E se houver atraso nos repasses de direitos de arena pelas emissoras de tv? As cotas de tv serão repassadas todas na mesma data aos clubes? E na hipótese do salário do jogador ser pago por empresas ou empresários?

 

Perguntas, perguntas e mais perguntas!

 

E finalmente a pergunta que não quer calar e que, espero, não seja ofensiva: se algum grande clube do eixo Rio-São Paulo estiver com salários atrasados e também por isso vir a ser rebaixado para a segunda divisão, quem poderá garantir que não haverá “viradas de mesa” como as de outrora?

 

Na prática, com uma medida extrema e inoportuna como essa, o mérito de uma equipe não virá das quatro linhas e sim do departamento financeiro do clube…

 

E não me surpreenderá se tal questão acabar no STF, inclusive, por vício de inconstitucionalidade!

 

Se a intenção é tornar o nosso futebol cada vez mais chato e desinteressante, estão quase conseguindo!

 

 

 

[Bonus Track]:

 

Charge do Duke, publicada no Supernotícia de 03/03/2015:

 

 

Pontos

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Das Coisas que Aprendi nos Discos

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

 

 

 

Diante da boa repercussão nas redes sociais e acatando a sugestão do amigo e Professor Ernane Duarte Nunes (o The EDN),  decidi republicar no blog esta singela homenagem ao saudoso e lendário baixista da Legião, Renato Rocha, falecido no domingo passado. Para isso eu  topei o desafio de elaborar uma Top 5 com as músicas dessa icônica banda que marcou época e gerações pela simplicidade musical e pela força viva de suas letras.

 

Renato_Rocha

 

Tenho a consciência do quanto é difícíl escolher quais as melhores músicas do repertório de uma banda desse quilate, e que escolhas são subjetivas, blá, blá, blá... Mas sem querer soar pretensioso, eu me segurei na opinião e autoridade de quem comprou o primeiro disco de vinil da banda em 1985, quando tinha 14 anos e escrevia alguns poemas, sonhando em algum dia se tornar um “rock star”... (Rsrs)

Confesso que muitas músicas excelentes tiveram de ficar de fora. E isso me causa um certo remorso…

 

Mas enfim, vamos à lista:

 

5º Lugar: “Teatro dos Vampiros

“Esse é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez
É sempre a última chance”

 

 

4º Lugar: “Vamos Fazer um Filme

 
“E hoje em dia, como é que se diz: ‘Eu te amo’?”

 


 

 

3º Lugar: “Índios


“Nos deram espelhos e vimos um mundo doente”

 

 

 

2º Lugar: “Há Tempos

“E há tempos são os jovens que adoecem
E há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos”

 

 


E para encabeçar a lista, escolhi essa, talvez a mais deprê do repertório da Legião e que, emblematicamente, representa o que é a poesia e filosofia "renatorrussiana":

 

1º Lugar: “Andrea Dória

“Quero ter alguém com quem conversar
Alguém que depois não use o que eu disse contra mim”

 

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Você curioso, não leia isso…

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

 

Dias atrás me peguei pensando sobre o quanto um título influencia na divulgação e na leitura de um post. Normalmente os leitores são atraídos pela curiosidade e nada atiça mais a curiosidade de alguém do que um título instigante.

 

Publicidade-enganosa_thumb[1]

 

A Wikipédia assim define curiosidade humana: é o desejo do ser humano de ver ou conhecer algo até então desconhecido. A curiosidade, porém, quando ultrapassa um limite pré-estabelecido pela ética social, como por exemplo a invasão de espaço alheio, pode ser reprimida.

 

Nos seres humanos, somos curiosos por natureza, obviamente que uns mais e outros menos, mas todos temos em comum o atiçamento para assuntos polêmicos, trágicos ou tabus que normalmente fazem parte de nossa cultura.

 

Devemos nos policiar pois a curiosidade exacerbada, pode nos ser prejudicial, temos que ser comedidos no trato dessa característica inerente ao ser humano. Nessas horas, um adágio  é bem educativo: “a curiosidade matou o gato”.

 

“O desejo de saber o porquê e o como chama-se curiosidade, e não existe em qualquer criatura viva a não ser no homem. Assim, não é só por sua razão que o homem se distingue dos outros animais, mas também por esta singular paixão”, afirma Hobbes

 

Então adentremos no assunto do post. Segundo Shaun Micheals “o título de um post deve ser inteligente o suficiente para obrigar o leitor a abrir e ler o seu artigo”.

 

Porém o autor deve se cercar de cuidados, pois muitos de vocês provavelmente já se depararam com títulos interessantes, porém com conteúdo pífio, na verdade, o título é o atrativo, ou a isca, mas o conteúdo é que fideliza o leitor.

 

O Youtube é um exemplo rotineiro dessa prática, pois temos acesso a uma infinidade de títulos cujos conteúdos dos vídeos não têm absolutamente nada haver com o mesmo. Ao se utilizar dessa prática, o autor corre sérios riscos de jamais ser clicado novamente pelo leitor, pois isso pode ser encarado como uma forma de tentar lesar sua inteligência.

 

Li certa vez em um artigo, não me lembro qual exatamente por isso não citarei, que as palavras que mais chamam a atenção das pessoas que navegam pela internet são: “grátis”, “dinheiro” e “sexo” - obviamente não estou sugerindo aqui que você use sempre essas palavras em seus títulos, a citação tem caráter meramente ilustrativa. Você, melhor do que ninguém, deve saber o que é relevante para seu público-alvo.

 

O título é tão importante que, em tempos não muito remotos, havia redações que tinham um profissional especializado apenas nesta tarefa: o titulador. O objetivo era estabelecer um padrão, uma uniformidade de titulação em todo o jornal. Havia, entre esses jornalistas, verdadeiros gênios na atribuição de títulos sumamente criativos às matérias. [Blog Pbondaczuk]

 

Interessante constatar que sigo o caminho inverso ao que muitos normalmente fazem, pois primeiro redijo o post e só depois de pronto é que penso no título.

 

Segundo o blog: copyblogger.com: “A maioria dos leitores escolhem o que ler através de sites como Digg, Stumble Upon, Dihitt, entre outros. E em 90% dos casos a escolha é feito através do título do post.” Destarte é de suma importância saber que: Um bom título atrai atenção do leitor a ler o restante do tópico.

 

Portanto é importante termos em mente que um bom artigo começa com um bom título, mas um bom título nem sempre é sinônimo de um bom artigo, por isso use e abuse de sua criatividade na hora de intitular seus posts, procure atiçar a curiosidade do leitor, mas jamais relegue o conteúdo, pois é o conteúdo de um artigo é que te faz relevante, ou não…

 

Nunca é demais lembrar que um título fraudulento consegue ser mais desastroso do que um título ruim.

 

Indico:

#16 Grandes Dicas Para Criar Um Título Chamativo nas Postagens

#10 Dicas de títulos que atraem mais leitores 

# O título é um dos fatores mais importantes na página

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

As redes sociais e o dilema do politicamente correto

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

 

 

As redes sociais carrega o mérito de oportunizar a cada cidadão a possibilidade de ter uma opinião sobre tudo e qualquer assunto.

 

politicamente-correto


A parte chata do negócio é o ônus de ter que conviver diariamente com "policiais virtuais", defensores da moral e dos bons costumes, que acham o politicamente correto tão relevante e defendem com tanta ênfase, que nem parece tratar-se de uma fachada moralista medíocre. Pesquisem e verão que os que mais criticam são os menos exemplares.


É chato pra burro ter que ficar medindo as palavras porque elas podem causar um mal entendido e ocasionar uma hecatombe de críticas. Certos grupinhos vagam por aí na busca de opiniões polêmicas com a clara intenção de semear a discórdia e atrair consigo a ira dos exaltadinhos de plantão que não sabem nem pra que serve uma vírgula, mas se acham no direito de interpretar até aquilo que não foi dito.


Ah, e as piadas? Essas estão com os dias contados, pois em sua maioria ofendem alguém ou alguma classe. Assim vamos reescrevendo a história de maneira monótona, mas politicamente correta, pois atende a todos. Se ainda estivessem no ar certamente alguns personagens dos humorísticos, estilo Os Trapalhões e Chico Anysio seriam linchados publicamente ou queimados na santa inquisição.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Charge de Uma Morte Anunciada

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

 

 

 

As pessoas têm todo o direito de discordar do que eu penso. Mas, com o aval de Voltaire, não posso me furtar de postar a minha opinião sobre o lamentável atentado à famosa revista francesa de humor Charlie Hebdo, que resultou na morte de doze pessoas, dentre elas, quatro cartunistas - certamente o alvo dos assassinos.

 

je-suis-charlie-hebdo_5182793

 

Quando eu era um menino, de uns doze, treze anos, o meu sonho era me tornar um cartunista, chargista profissional. Não me profissionalizei, sigo em outra profissão, mas tenho o prazer de colaborar com a função de chargista na Folha de Paraopeba.

 

Humoristicamente falando, tenho comigo que o humor em geral não é algo absoluto e, involuntariamente ou não, segue um “código de ética”, o famoso “politicamente correto”, tão execrado por boa parte da classe de comediantes. Entendo que não há o direito de se fazer uma charge de mau gosto ridicularizando quem possua alguma necessidade especial; quem seja de cor diferente da minha; quem não professe a minha fé; quem tenha outra orientação sexual, etc.

 

Eu digo isso pois o que aconteceu com a revista de humor Charlie Hebdo, lamentavelmente já estava anunciado. Todos, inclusive nós aqui do outro lado do Atlântico, sabíamos que as tais charges satirizando o profeta Maomé não iriam acabar bem. Não precisávamos ser profetas para saber que haveria um preço muito alto a ser pago pelas tais charges nem tão engraçadas, de gosto duvidoso e, pior: carregadas de enorme preconceito contra a religião islâmica (Maomé vestido de terrorista, por exemplo!).

 

terror2

 

Pelo amor de Deus, não estou aqui defendendo as pessoas que cometeram as atrocidades na redação da revista parisiense, assassinando doze pessoas. Os assassinos têm de ser presos, julgados e condenados como manda a lei francesa. Mas daí, ridicularizar através de charges o maior ícone da religião islâmica, sabendo-se que existe uma ala radical (não é a maioria dos muçulmanos, diga-se de passagem) na própria Europa e disposta a tudo para defender a imagem de sua religião milenar, perdoem-me: é no mínimo insensatez e irresponsabilidade do editor da revista, por colocar a vida de colegas de trabalho, familiares e vizinhos em risco, culminando numa Jihad desnecessária...

 

Eu poderia muito bem me juntar ao coro da maioria. Mas não seria sincero da minha parte. Lamento apenas que não precisava ter chegado aonde chegou: uma Paris em prantos; familiares chorando os seus mortos e o humor gráfico perdendo quatro chargistas talentosos após um ataque insano e que pode gerar outros desdobramentos, tais como perseguições aos cidadãos de origem árabe na Europa…

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Santos Reis

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Hoje a Igreja Católica comemora o Dia dos Santos Reis, que a tradição surgida no século VIII converteu nos santos Belchior, Gaspar e Baltazar. Adoro estudar as tradições culturais do meu país e, particularmente, tenho me dedicado bastante ultimamente ao estudo das Folias de Reis. É interessante saber que a Bíblia não revela no Sagrado Evangelho que os Santos Reis o seriam de fato, pois faz referência apenas a “magos do Oriente”. São citados apenas por São Mateus:
 
“(2, 1) Tendo, pois, nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram do oriente a Jerusalém uns magos que perguntavam: (2, 2) 'Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo.' (2, 3) O rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e com ele toda a Jerusalém; (2, 4) e, reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo.”
 
O evangelista não diz quantos nem quem são, mas a tradição católica e escritos não oficiais da Igreja sugerem que eram três e chamavam-se Melquior (ou Belchior), Baltasar e Gaspar. Esses nomes aparecem, entre outros textos, no Evangelho Apócrifo Armeno da Infância, do fim do século VI, no capítulo 5,10:
 
“Um anjo do Senhor foi de pressa ao país dos persas para avisar aos reis magos e ordenar a eles de ir e adorar o menino que acabara de nascer. Estes, depois de ter caminhado durante nove meses, tendo por guia a estrela, chegaram à meta exatamente quando Maria tinha dado à luz. Precisa-se saber que, naquele tempo, o reino persiano dominava todos os reis do Oriente, por causa do seu poder e das suas vitórias. Os reis magos eram 3 irmãos: Melquior, que reinava sobre os persianos; Baltasar, que era rei dos indianos, e Gaspar, que dominava no país dos árabes.”
 
Eles são conhecidos por “Magos” não porque fossem expertos na magia, mas porque eram muito sábios e, sobretudo, tinham grande conhecimento da astrologia. De fato, entres os persas, se dizia “Mago” aqueles que os judeus chamavam “escribas”, os gregos “filósofos” e os latinos “sábios”.

V
ale ressaltar que a exegese católica interpreta a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de David:
 
“Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. 11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11)
 
Segundo li há algum tempo na revista Superinteressante, foi apenas no século III que eles receberam o título de reis, provavelmente como uma maneira de confirmar a profecia contida no Salmo 72: “Todos os reis cairão diante dele”. Por volta de 800 anos depois do nascimento de Jesus, eles receberam os nomes e também a origem: Melchior era rei da Pérsia, Gaspar era rei da Índia, e Baltazar era rei da Arábia. Melchior, honorável ancião, ofereceu ouro ao Rei Jesus. Gaspar, na força de sua juventude e beleza, ofereceu incenso. E Baltazar, de cor muito escura, ofereceu ao Salvador mirra.
 
Em hebreu, esses nomes significavam, respectivamente: “rei da luz” (melichior), “o branco” (gathaspa) e “senhor dos tesouros” (bithisarea). Na catedral de Colônia, na Alemanha, supostamente é o lugar onde repousam os restos mortais dos reis magos. De acordo com uma tradição medieval, os magos teriam se reencontrado quase 50 anos depois do primeiro Natal, em Sewa, uma cidade da Turquia, onde teriam falecido. Algum tempo depois, seus corpos teriam sido levados para Milão, na Itália, onde permaneceram até o século 12, quando o imperador germânico Frederico dominou a cidade e levou as urnas mortuárias para Colônia.
 
Devemos aos magos até a tradição de dar presentes no Natal. No ritual da antiguidade, ouro era o presente para um rei, incenso, para um religioso. E mirra, para um profeta (a mirra era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, representava a mortalidade). O significado desses presentes costuma variar: uns dizem que o ouro representava a realeza de Jesus, filho de Davi; a mirra, a sua humanidade e o seu sacerdócio; o incenso falava de sua divindade, era Deus que se revestiu da forma humana, nascendo como um de nós. Outros já vão além disso, acrescentando outros detalhes:
 
– O ouro era o presente para um rei (realeza), mas também a riqueza e a alegria que os Reis Magos sentiram na alma quando se aproximaram do menino Jesus, além de ser símbolo de sabedoria universal e de todos os dons e talentos que Deus proporcionou à Humanidade.
 
– O incenso, para um religioso, simbolizava a fé, o retorno íntimo ao sagrado, às bênçãos que todo cristão precisa receber e doar, como também simboliza o ato de abençoar alguém com o coração e pode ser considerado uma oferenda devocional oferecida somente aos deuses e, nesse caso, ao Filho de Deus.
 
– A mirra era uma erva amarga cuja resina antisséptica era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, podia representar a humanidade de Jesus e, ao mesmo tempo, a Sua imortalidade divina, Sua pureza (o cheiro que ela emana faria ainda a ligação com o Divino e o Eterno, como símbolo para a vitória de Jesus sobre a morte), além de simbolizar também os pecados e defeitos humanos que seriam redimidos pelo Filho de Deus.
 
Nesta data, ainda, encerram-se para os católicos os festejos natalícios e é o dia em que se desmancham os presépios e são retirados todos os enfeites de Natal. Tenho uma identidade muito forte com esse dia, por vários motivos, que revelo a seguir.
 
O primeiro deles é a importância que dou à figura alegórica representada por cada um dos Santos Reis, conforme foi descrito acima, além dos significados dos presentes que levaram ao Menino Jesus.
 
De acordo com São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra, considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador (sua obra “História Eclesiástica do Povo Inglês” — Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum — lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa), em seu tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele:
 
“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
 
Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes. Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.
 
O segundo motivo pelo qual considero muito importante este dia é porque tenho o maior respeito pelo que representa a Epifania na minha vida particular. Sempre, após as festas de fim de ano (e isso é algo que trago comigo desde a infância), sinto-me muito pensativo e faço uma revisão de minha vida e do que posso fazer para tornar-me alguém melhor. Não é fácil perceber que, em alguns momentos como estes, que deixei de fazer muitas coisas importantes em minha vida que me fariam crescer como ser humano. Mas também é um momento de satisfação em perceber as vitórias que conquistei como pai, marido, irmão, filho, afilhado, compadre, padrinho, tio, amigo, profissional, enfim, como o Ernane que cada uma das pessoas que fazem parte da minha vida compreendem.
 
O terceiro e menos importante motivo de celebrar o dia 6 de janeiro é porque é meu aniversário.



******************************


Reis Magos”
 
Os Reis Magos chegaram e deixaram seus presentes
Para o Menino Deus que acabara de nascer
Muitas vezes, sinto que somos uns cristãos tão ausentes
Não celebramos aquilo que de fato deve ser

Ouro foi dado ao Menino Jesus como símbolo de sua realeza
E nós precisamos reafirmar a certeza
De nossa fé incondicional na figura de Deus em nossa vida
E da força que Ele nos proporciona para superar a lida

Incenso também foi um presente para o Menino Jesus
Que deve nos lembrar Sua divindade incontestável
E o amor intenso que emana suavemente de sua luz
Que nos enche o coração de forma inexorável

A mirra de nossos pecados e de nossa alma imperfeita
Representa a eternidade da presença do Cristo Ressuscitado
E a amargura que ora nos acolhe e que ora nos rejeita
É a redenção que Deus nos oferece em Jesus, de bom grado

Gaspar, Belchior e Baltazar louvam o Menino Deus vivo...
Seguiram a Estrela do Oriente em busca do palácio divino
E encontraram um castelo na gruta sagrada do motivo
Que deve mover cada cristão na procura do mistério sagrado
Que não precisa de rimas, nem de estrofes, nem de métrica...
Basta apenas acreditar...



 
Sobre o Autor:
The EDN
The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

O Humor nos Tempos do Cólera

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

 

 

“É uma pena que muitos comediantes, e não só comediantes, mas muitos artistas jovens brasileiros sejam de direita. Sejam garotos fascistas. Eles fazem um trabalho que a gente ensina nossos filhos a não fazer. Apontam para os outros e dizem “hahaha, você é preto, você é viado, você é aleijado”. Eu sou politicamente correto. O politicamente correto é uma ferramenta civilizatória que inventamos para que uma criança negra não veja um negro sendo humilhado na TV. Mas todo garotão que é artista gosta de dizer que o maneiro é ser politicamente incorreto. Isso não é engraçado, não é humor.”

 

Embora não sendo fã, concordo com quase tudo que foi postado acima por Wagner Moura, o eterno Capitão Nascimento, em seu perfil no Facebook.

 

Wagner_Moura

 

Por trás do "politicamente incorreto" de certos pseudos comediantes de televisão (independentemente da influência político-partidária; esquerda, direita, volver! etc.), há a visível falta de talento e a insistência em um humor subliminarmente preconceituoso, em que não se salvam nem o CQC, nem o Pânico!, nem quase ninguém...

 

Fato é que quase todas as piadas no mundo carregam uma certa dose de preconceito. Faz parte. E isso remonta os tempos da Idade da Pedra, quando o homem descobriu o humor bem depois do fogo, como diria Oscar Wilde...

 

Mas é preciso descobrir novos rumos, desenvolver novas formas de se fazer comédia para a tv (tal como conseguiram os Irmãos Marx, o grupo Monty Python e até o brasileiro "TV Pirata", nos anos 80), e não ficar repetindo velhas fórmulas, chutando cachorros mortos…

 

Há um perigo muito iminente de que ocorra com o nosso humor televisivo o que aconteceu com a música popular brasileira contemporânea: "funkear-se"... (não falei: mais uma piada politicamente incorreta e preconceituosa!)

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

A Maldita Rotina Que Nos Faz Esquecer de Nossos Bens Mais Preciosos

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

 

 

Chega o verão e ouvimos relatos de crianças esquecidas por horas no interior de veículos e, na maioria dos casos, com finais trágicos, principalmente nos grandes centros. Digo no verão, porque certamente crianças são também esquecidas em estações menos quentes do ano, e por essa razão, obviamente, têm mais chances de sobreviver...

 

Bem_Precioso

Não me cabe julgar os pais que, nessas situações, a meu ver, são também vítimas dessas nossas rotinas estressantes de trabalho e cobranças por resultados, que somados aos tablets e smartphones de última geração, acabam roubando o nosso foco daquilo que é o nosso bem mais precioso: os nossos filhos!

Para quem acha um absurdo o fato de um pai ou uma mãe esquecer uma criança em um carro, sob um sol escaldante, cabe aqui uma ponderação do psicólogo Hélio Deliberador:


“A rotina orienta a memória e muitas vezes nos trai, porque certas coisas acontecem fora da rotina. A nossa vida não é só rotina. Nossa vida são coisas novas, situações novas, mudanças. Nós nos defendemos dizendo 'eu não esqueço, isso não pode acontecer comigo’. Mas é uma defesa. Isso pode acontecer com qualquer pessoa. Faz parte da nossa condição humana: esquecer”.

 

O psicólogo alerta ainda que as mudanças de rotina ou as situações de estresse exigem cooperação e atenção redobrada:


“Quando está fora da rotina, tem que fazer bilhetes, escrever, ter jeitos para lembrar daquilo que você tem como responsabilidade. Você tem que estar com seu sistema nervoso sempre preparado para prevenir situações de risco”.


E vou mais além e indago se o Governo Federal não poderia investir em campanhas alertando sobre tais situações e recomendando algumas medidas, como por exemplo, de orientar os motoristas a não deixarem a cadeirinha do bebê atrás de seu banco, mas em uma posição de segurança visível para quem dirige, pois observei que nos casos ocorridos tanto em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, quanto em BH, as cadeirinhas foram colocadas atrás do banco do motorista. E pelo fato de ficarem “escondidas” e em silêncio (é sabido que o interior dos carros é o melhor lugar para uma criança dormir), o motorista não atina que está involuntariamente esquecendo (perdoem a redundância) uma criança no carro.

A ONG "Criança Segura" também dá uma dica preciosa: coloque algo que você vá precisar em sua próxima parada - como uma bolsa, almoço, mochila da academia ou maleta - no chão do banco de trás, onde a criança está sentada. Esse ato simples pode prevenir o esquecimento acidental da criança caso ela esteja dormindo.

No mais, é orar e vigiar!

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/12/criancas-morrem-apos-serem-esquecidas-pelos-pais-dentro-de-carro.html

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Não é falta de tempo, é falta de prioridades.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

 

O tempo que hoje parece mais corrido, não é fruto de nenhuma transformação mágica ocorrida na natureza. O tempo escasso é apenas consequência natural de nossa fissura pelos aparatos tecnológicos.

 

japan-kids-children-smartphone


Muitos ainda não perceberam, mas cada vez mais nos tornamos refens de nossa própria criação. A comunicação instantânea nos trouxe rapidez, mas nos tornou também frios e individualistas. O que antes era diálogo, hoje é whatsapp. E o que era carta, hoje virou Facebook.


Nosso tempo se perde na nossa própria ignorância, aquilo que nos trouxe agilidade, acabou nos tornando também prisioneiros. O mundo anda muito corrido, mas não tanto quanto nossa incapacidade de tornar as relações mais humanas.


Somos prisioneiros do aparato tecnológico porque ele não exige muito de nós, podemos fingir ser aquilo que não somos, pois atrás da tela ninguém vai perceber nosso rosto enrubescer quando mentimos. Perdemos um tempo incalculável na atualização de nossas redes sociais, o mesmo tempo que depois reclamos que anda escasso.


Nosso smartphone é  hoje algo indispensável, nossas amigos estão todos naquela caixinha maravilhosa, basta um clique. Estamos tão concentrados nela que nem percebemos que o calor humano jamais poderá ser reproduzido por um novo aplicativo do Google Play.


Estamos sendo doutrinados a abrir mão da materialidade, o virtual é que dita os rumos. O dia continua com as mesmas 24 horas, mas toda essa modernidade nos consome muito tempo. E assim, a tendência é que continuemos trocando o bate papo com alguém do nosso lado, pelos nossos amiguinhos virtuais. O homo-cyber segue dominando o mundo, enquanto isso, a depressão segue acometendo cada vez mais pessoas. Não seria a hora de repensarmos nossas prioridades?

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Homo Sapiens x Homo Cyber

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Atualmente o universo humano se divide em 2 espécies: o homem civilizado – homo sapiens e homem cibernetizado – homo cyber.

 

cena-do-filme-connected-a-declaration-of-interdependence-1302280886116_615x300

 

O homo sapiens ainda consegue manter o mínimo de convívio humano e procura manter o contato físico como forma de interação. Ainda que homo sapiens conviva com o aparato tecnológico, ele não é dependente dele, eles são apenas instrumentos de facilitação de comunicação e informação. Para o homem sapiens o calor humano é algo imprescindível, ele ainda consegue ter a consciência de que a espécie humana só evoluiu porque aprendeu a extrair a essência do indivíduo. Muitas das descobertas que hoje desfrutamos foram frutos de relações interpessoais.

 

Já o homo cyber é dependente das tecnologias, ele está mais preocupado com os amigos virtuais do que com o universo real. O homo cyber valoriza mais os seus gadgets digitais do que as relações humanas. Por isso é muito comum você se deparar com grupo de pessoas que se comunicam com todos, menos com quem está do seu lado.


O homo cyber não vive mais sem seu smartphone, ele é escravo da tecnologia. A mesma tecnologia que encanta, também escraviza. Para eles o celular é uma necessidade básica, quase fisiológica. Nas rodas de amigos dessa espécie o diálogo inexiste, é um silêncio sepulcral só quebrado pelo som dos teclados. A comunicação agora é monólogo. Atualizar minha rede social é mais importante do que um bate papo descontraído com os amigos.

 

Nessa espécie, a exaltação da humilhação é algo desafiador. Por isso, o respeito ao semelhante deu lugar a violência injustificada, quem possui como prêmio o compartilhamento em massa de agressões, violência e humilhações públicas. Se alguém está sendo agredido ou humilhado, ninguém interfere, pois a filmagem é mais importante do que o ser humano, isso será um material atrativo para os amigos do Facebook e Whatsapp.

 

Para o homem cyber a sexualidade não é mais algo íntimo, ela se tornou uma espécie de competição entre mocinhas que se despem para os amantes virtuais. Quanto mais ousado for, mais interessante se torna.

 

O homo cyber não tem consciência de que a cibernética domina suas ações. Para ele, isso é um processo natural de evolução. Ele não percebe que a tecnologia está tornando as relações superficiais demais. O amigo virtual é sempre mais importante do que o amigo do lado. Com isso estamos construindo uma sociedade cada vez mais repleta de virtualidade e oca de materialidade.

 

Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez. [Simone de Beauvoir]

 

Estamos vendo nascer e crescer uma geração que não sabe mais viver sem o aparato tecnológico, o que veio para facilitar a vida, acabou se tornando um aprisionador de mentes. O futuro desse fenômeno ninguém sabe ao certo. Mas é bem provável que muitos um dia venham a lamentar pelo tempo que perderam com as máquinas. O ser humano é insubstituível e o convívio humano uma necessidade evolutiva. Num futuro não muito distante  perceberemos que o ser humano começará a involuir. O homo sapiens entrará em extinção e o homo cyber viverá apenas a mercê de todo aparato tecnlógico existente. Ironia do destino: o criador refém da criatura.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.