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A Caixa Preta da Petrobrás

quarta-feira, 16 de abril de 2014

 

 

 

Na charge da próxima edição da Folha de Paraopeba, que antecipo  aqui neste blog, retrata a crise político-institucional envolvendo o Governo Dilma e a Petrobrás em ano eleitoral.

 

caixa_preta

 

Considerada um dos maiores patrimônios do povo brasileiro - e uma das poucas empresas públicas que se salvaram da onda de privatizações do governo FHC, justamente por ser o petróleo de nosso subsolo um patrimônio nacional e não de governo “a” ou “b” - na charge há a comparação entre a crise da Petrobrás e o misterioso acidente com o avião da Malaysia Airlines, que desviou de sua rota inicial da Malásia para a China, desaparecendo com 239 pessoas a bordo, com alguns destroços encontrados no Oceano Índico.

 

Por aqui, o Governo terá de trabalhar duro para que essa crise não se reverta em votos maciços para a oposição. Só não sabemos se essa missão será mais ou menos fácil que localizar a caixa preta do avião da Malásia nas profundezas do Oceano Índico…

 

Mas se conseguiram até inocentar o piloto e os donos de um helicóptero abarrotado de cocaína, pertecente à família de um senador mineiro… No Brasil, nada é impossível!

 

 

Charge_Harley_Coqueiro_Caixa_Preta_Petrobras

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Filosofia Para as Massas

terça-feira, 15 de abril de 2014



Um professor do ensino médio de uma escola do Distrito Federal causou controvérsia ao apresentar uma questão mencionando a cantora de funk carioca Valesca Popozuda como “grande pensadora contemporânea” numa prova de filosofia.

Prova_Popozuda

Segundo Antônio Kubitschek, o responsável pela prova, a ideia da pergunta surgiu a partir de um debate em sala de aula sobre a formação moral da sociedade e sobre a construção de seus valores. "Discutimos em sala que a escola só aparece na mídia em contextos ruins. Há vinte dias fizemos uma exposição de fotos e nenhum veículo de comunicação deu atenção. Então eu decidi colocar uma questão como essa na prova, esperando a repercussão nas redes sociais e na imprensa.".

Lecionando há quase vinte anos na rede pública, o mestre defendeu a forma como se referiu à funkeira. "É um fato engraçado. Se eu tivesse colocado Chico Buarque como grande pensador contemporâneo, não geraria polêmica nenhuma! Mas a partir do momento em que a Valesca traz uma música e a imprensa diz que 'fulano de tal deu um beijinho no ombro', ela está passando um conceito. Se a gente pegar uma corrente filosófica de que todo mundo pode ser um pensador desde que consiga criar um conceito – e aí vêm os filósofos franceses, então eu acho que a Valesca é, sim, uma pensadora!", justificou o professor, que usou o termo "grande pensadora contemporânea" sem aspas na prova, por ter a convicção de que a funkeira exerce influência sobre a sociedade. "Ela acabou criando um conceito. Se ela influencia a sociedade com o que ela pensa, eu a considero, sim, uma pensadora.".

E com isso o professor alcançou o seu intento. Fez os fins justificarem os meios, e, ainda que tenha “forçado a barra” com o enunciado da questão, conseguiu provar para os seus alunos como a mídia e a internet são ferramentas poderosas na sociedade, e o quanto essa mesma sociedade se encontra dominada por aquelas, a ponto de se ver influenciada por uma artista de um gênero musical tido como tosco e maldito.

A meu ver, muito além de se reconhecer a cantora como pensadora ou não ainda mais em nosso país que, paradoxalmente, orgulhamo-nos das conquistas no futebol mas não temos um Prêmio Nobel sequer percebe-se o quanto o preconceito e o recalque já fizeram metástase em nossas almas. Tivesse a cantora nascido na Zona Sul e frequentado as escolas mais tradicionais do Rio, a questão da prova, certamente, teria passado em branco. Mas não, a pensadora em questão é mulher, favelada, funkeira, desbocada e jamais pertencerá à “elite cultural brasileira”.

O amigo Antônio Souza observou bem: “Pelo jeito, o tal professor conseguiu mostrar ao mundo o que é filosofar atingindo todos os públicos. Não se filosofa só com a parede.

Muitos acusarão o professor candango de banalizar o ensino de filosofia. Mas ele foi suficientemente corajoso ao, involuntariamente (ou não), iniciar um processo de “deselitização” da filosofia (perdoem o neologismo!). O docente está desembrulhando a filosofia de seu invólucro de papel alumínio dourado e está para servi-la numa “quentinha” bem temperada para as massas, tornando-a mais palpável, mais acessível, menos abstrata e menos maçante.

Por outro lado, nunca ouvi uma música da Valesca. Mas toda a discussão e muitos comentários que li nas redes sociais chegam a assustar. O Brasil dá indícios de estar caminhando a passos largos para um neofascismo. Embora entenda que ninguém é obrigado a gostar de funk carioca, percebo que uma horda de fariseus tem o prazer de manifestar todo o seu radicalismo, toda a sua intolerância contra aquilo o qual não se afeiçoa, estética ou ideologicamente.

Também não sou fã do funk carioca. Mas gosto de rock, reggae, samba e de Racionais MCs que, coincidentemente ou não, são ritmos e gêneros musicais que tiveram as mesmas origens nas camadas sociais mais pobres e excluídas. E tanto quanto o seu “primo pobre carioca”, também penaram muito por serem rotulados como ritmos marginais, profanos, indecentes, demonizados, proibidos pelas elites, combatidos pelas autoridades e talvez por tudo isso também venerados pelas juventudes de ontem e de hoje.

E afinal: tudo o que desafia o senso comum não pode ser filosófico? Ou Sócrates foi envenenado por acaso?


Bonus Track I:




Bonus Track II:




Sobre o Autor:
Harley Coqueiro
Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Estamos carentes de originalidade na rede

terça-feira, 11 de março de 2014

 

É decantando em prosa e verso o fato de não haver regras nas redes sociais, no tocante sobretudo a liberdade dos perfis. Tal situação é facilmente identificada quando passamos a frequentar mais assiduamente as redes sociais. Sim, de fato não existem regras, mas é bem perceptível que existem tendências, e tais tendências acabam fazendo com que a maioria opte por fazer aquilo que outros fazem.

 

REDES SOCIAIS


Talvez por isso seja tão difícil encontrar perfis originais, ou seja, pessoas que optam por quebrar paradigmas e fazer diferente do que a maioria faz. Sair do contexto exige sabedoria, estilo, vontade, e, sobretudo, originalidade.


Encontrar perfis que façam diferente não é uma tarefa fácil, a maioria cai na definição popular do mais do mesmo. São apenas replicadores de conteúdo que dificilmente postaram ideias próprias que levem a discussão e a troca de informações. Sigo com meu pensamento de que as redes sociais são espaços públicos e como tal cada um deve fazer o que bem entender.


Porém, também acho que elas poderiam ser usadas muito além da simples postagem de mensagens de auto-ajuda, gifs animados e piadas. Alguns me questionarão: isso é errado? Não, errado não é, eu também costumo postar isso. Mas não custa nada intercalar tais postagens com conteúdos próprios, pois, ao contrário do que muitos pensam, aqui também pode se trocar conhecimento.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

O Gol e a Comemoração

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

 

 

 

De todas as futilidades dessa vida, o futebol é uma das mais apaixonantes. E como não poderia deixar de ser, volta e meia surgem discussões futebolísticas fúteis que, com o perdão da redundância, nada de útil acrescentam, sequer para o esporte em si.

 

Quarentinha_Botafogo

 

Uma das mais recentes que eu vi/ouvi enquanto assistia a uma partida de futebol pela TV, veio de uma “prodigiosa” enquete sobre a obrigação ou não do artilheiro em comemorar o gol sobre o seu ex-time. A pérola que eu ouvi de um nobre comentarista foi de um puritanismo que faria enrubescer até a Madre Tereza de Calcutá:

 

O gol é o momento maior do futebol e, como tal, é a celebração do esporte, não se justificando a falta de comemoração por um jogador que venha assinalar contra a sua ex-equipe!

 

Concordando em parte, não diria que tal afirmação soou reacionária, para não constranger ainda mais a saudosa Madre Tereza. Ocorre que, na minha modesta opinião de boleiro, um artilheiro comemora, se quiser, o gol por ele marcado contra qual time for. Não enxergo como profano o ato de não se comemorar um gol!

 

Obviamente que o mais importante no futebol é o gol e não a sua comemoração. Não haverá espetáculo, não haverá triunfo, nada acontecerá se não pintar um gol, pelo menos um golzinho aos quarenta e oito do segundo tempo. O gol, feio ou bonito, um “frango” ou de placa, é o objetivo; a comemoração nada mais é que uma consequência.

 

Em tempos de jogadores mercenários, que só se identificam e se comprometem com os seus milionários contratos e direitos de imagem, é tocante ver um craque reconhecer toda a admiração da torcida de seu ex-clube (Alô, Obina! Alô, Fred!).

 

Para o torcedor, em geral (ou na antiga e romântica “geral” que a FIFA tratou de acabar!), não faz diferença se o artilheiro de seu time comemore ou não o gol marcado contra o ex-time. O torcedor não ficará constrangido em comemorar por ele!

 

O lendário Quarentinha, o maior artilheiro do Botafogo e detentor da média histórica de um gol por jogo pela Seleção Brasileira, nunca comemorou os seus gols. Tímido e introvertido, ele tinha a convicção de que fazer gols nada mais era que o seu ofício, a sua missão. A torcida, por sua vez, fazia a festa!

 

Enfim, se em todos os gols houvesse a necessidade de comemoração, os autores de “gols contra” teriam de comemorar, também...

 

 

 

*Crônica publicada na Folha de Paraopeba, edição fevereiro/março de 2014.

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Por que as imagens fazem mais sucesso do que os textos nas redes sociais

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

 

Finalmente consegui entender porque os gifs fazem mais sucesso do que as imagens estáticas, as imagens fazem mais sucesso do que os textos nas redes sociais. A explicação pode estar nos grupos que compõem o universo virtual: OS NATIVOS DIGITAIS E OS IMIGRANTES DIGITAIS.

 

imagem

 

 

Usamos o termo “Nativos Digitais” para definir a geração que já nasceu cercada pela tecnologia, já conhecida como Geração N (NET). Computadores, celulares, videogames, webcams... fazem parte do cotidiano dessa geração, passando do status de ferramentas para o status de linguagem comum e falada fluentemente por essa geração.

 

Já o termo “Imigrantes Digitais” é utilizado para definir as gerações anteriores, que viram essas tecnologias se desenvolverem, se solidificarem e se incluírem (as vezes contra vontade) em seu cotidiano.


Segundo estudos da consultora Marcella Rasêra Carneiro, os imigrantes digitais se atentam primeiro ao texto, em seguida o som, passando pela imagem fixa e por fim a imagem em movimento. Já os nativos captam as mensagens através da imagem em movimento, passando para a imagem fixa, seguida do som e, por fim, a atenção ao texto.

 

Isso pode explicar o fato da preferência e constante sucesso das imagens em movimento, como gifs animados,  nas postagens mais populares das redes sociais.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Protesto ou terrorismo?

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

 

Há certas que acontecem nesse país que por mais que tentemos jamais conseguiremos entender. Virou praxe país afora protestar queimando ônibus. Eu fico me perguntando, como é que pode uma pessoa, em sã consciência, pensar que tais atos podem trazer o retorno esperado para aquilo que é alvo desse tipo de protesto.

 

onibus-incendiado-ilustrativa


O que vemos é cidadãos comuns, que já sofrem horrores para chegar ao trabalho, sendo afetados diretamente pelo resultado dessas ações, pois cada ônibus incendiado é um recurso de transporte a menos que deixa de existir.


Nosso transporte público já é sofrível, diante desse quadro, além da falta de veículos, ainda existe a preocupação com a segurança de quem viaja, quem nunca sabe se vai de fato chegar ao seu destino.


A única explicação plausível, é que a bandidagem está usando desse expediente para desviar a atenção de seus atos ilícitos. Enquanto o povo fica alarmado com os ônibus incendiados, os bandidos ficam livres para cometerem outros crimes sem serem importunados.


E finalmente chegamos a triste conclusão: explica, mas não justifica. Pois a sensação que temos é que o país está dominado pelas facções criminosas, e nós, cidadãos de bem, não temos para onde fugir. Saímos para trabalhar, mas nunca sabemos se iremos voltar. Ou a justiça age com rigor, ou estaremos fadados a viver tempos de terror e de anarquia como nos países onde impera o radicalismo extremo e o terrorismo.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Sensíveis diferenças entre Google+ x Facebook

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

 

As duas redes sociais mais acessadas do momento possuem nuances interessantes. Embora muitos considerem as referidas redes concorrentes, quem conhece ambas sabe que existem diferenças fundamentais que fazem com que elas sejam completamente distintas.

 

 

facebookvsgooglelrg

 

Vou exemplificar para tornar mais claro essas diferenças:

 

+ Marcação nas postagens.

 

No Facebook é muito comum as pessoas marcarem contatos que desejam que tenham acesso a alguma postagem. Essas pessoas se sentem lisonjeadas e como forma de agradecimento acabam  curtindo ou comentando a postagem onde a marcação foi realizada.

 

Já no Google+ quando um determinado grupo de pessoas é marcado e recebe a notificação daquela marcação, é bem comum as pessoas reclamarem por estarem recebendo notificação de assuntos que não lhes interessam.

 

Quais as causas desse fenômeno?


Simples, qualquer um que frequenta rede social escolhe e adiciona como contato as pessoas com as quais imagina ter um pouco de afinidade, logo, se eu acompanho o que está pessoa posta não é necessário me marcar para que eu veja tal publicação, pois se todo mundo fizer isso o que é de fato interessante se perde no meio de tantas notificações inúteis.

 

Nesse caso, ponto para o Google+.

 

+ Clientes x Empresas

 

Outra questão que sempre me chama a atenção, é que a maioria das empresas não entenderam, ou preferem não querer entender, o grande potencial da ferramenta Google+ para interação com seus clientes. Enquanto nas demais redes sociais existe um embate direto entre cliente e empresa, expondo muitas vezes funcionários despreparados à execração pública e colocando em xeque a credibilidade da empresa. Sem contar os inúmeros casos de engraçadinhos que adoram trollar os perfis de algumas empresas. No Google+ é possível responder aos questionamentos somente para o perfil que fez a reclamação, sem tornar o assunto público e sem atrair a atenção de quem nada tem a ver com o problema.

 

Nesse caso, ponto para o Google+

 

+Retribuir ou não pedido de amizade

 

No Facebook quando uma pessoa te adiciona como amigo é preciso que você aceite para que essa pessoa possa acompanhar o que você posta. Existe um limite, se não estou enganado, de 5.000 amigos. Ou seja, se 5.000 pessoas te adicionarem e você retribuir, terá que acompanhar a postagem de 5.000 pessoas na sua stream, transformando-a num verdadeiro “balaio de gatos”.

 

No Google+ não existe obrigação de reciprocidade, você pode adicionar a pessoa e mesmo ela não retribuindo, você pode acompanhar o que ela posta. Para exemplificar 50.000 pessoas podem te adicionar, mas você pode retribuir, circulando de volta,  somente que lhe interessar desse grupo, tornando sua stream muito mais leve e interativa. Sem contar que é possível separar os grupos de pessoas por círculos e definir a intensidade que esses grupos aparecem na sua stream.

 

Nesse caso, ponto para o Google+

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Live And Let Die

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

 

Certa tarde, estava eu e a minha esposa assistindo ao “Nat Geo Wild”, canal da “National Geographic”, que exibe séries e documentários sobre o sempre instigante mundo selvagem. E eu, aficcionado por este tipo de programação, às vezes me pergunto se o que mais me atrai é o fascínio pela natureza ou o conforto de saber que, apesar de toda a maldade do civilizado bicho homem, não somos praticantes da cruel “seleção natural” de Darwin, apesar de caminharmos para isso...

 

Cleo Pires

 

Pois bem. Naquela tarde, o “Nat Geo Wild” exibia um interessante documentário sobre a vida dos leopardos no coração da África. Assistíamos ao drama de uma mãe leopardo que acabara de dar cria e que teve de se afastar do grupo para livrar o seu filhote das garras dos machos adultos que, instintivamente, matam os filhotes que não são os de sua descendência.

 

Seguindo o sagrado instinto maternal, a mãe leopardo teve de se esconder com o filhote numa pequena gruta de difícil acesso, o que, em tese, dificultaria ataques de outros leopardos, leões e hienas. Entretanto, a necessidade de se alimentar e assim poder amamentar o seu filhote, obrigou a mãe a deixá-lo momentaneamente na gruta para partir à caça de algum mamífero cervídio (veados, gazelas, etc) longe dali. Levar o filhote consigo, poderia expô-lo aos ataques de outros animais.

 

A produção do documentário, por sua vez, posicionou uma câmera para filmar os passos da mãe leopardo, e outra, para focalizar o filhote que brincava solitário na gruta, tal como uma inocente criança no berço, aguardando a chegada da mamadeira…

 

Entretanto, o local que a mãe julgava ser a fortaleza intransponível para a proteção de seu filhote, revelou-se ineficaz para impedir a entrada de uma píton constritora (semelhante à sucuri). De repente, não mais que de repente, enquanto a mãe leopardo tentava, sem sucesso, capturar alguma presa, o seu filhote sucumbia ao furtivo ataque da  faminta serpente...

 

Quando retorna à gruta, a mãe leopardo, além da frustração de não conseguir uma caça sequer, depara-se com a gruta vazia. Farejando, consegue chegar ao encalço da píton que não estava muito distante dali, carregando o peso do filhote de leopardo que jazia em sua barriga.

 

Diante daquela cena tétrica, eu não me contive:

 

“O cinegrafista filmou a cobra atacando o pequeno leopardo e nada fez para salvá-lo?”.

 

A resposta que ouço é desconcertante, perturbadora:

 

“Ninguém pode interferir: a natureza tem de seguir o seu curso.”. Ponderou friamente a minha esposa.

 

Embora tal assertiva soasse como um tapa no pé do ouvido, fazia um certo sentido: “Quantos filhotes e mães de filhotes essa mãe leopardo também não matou para saciar a sua fome?”.

 

Na verdade, a produção do documentário seguiu à risca aquela canção de Paul McCartney: “Live and Let Die” (“viva e deixe morrer”) - composta exclusivamente para o filme “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (GB, 1973) - embora a “insensibilidade” da equipe de produção deixou-me incomodado:

 

“Se fosse eu teria, pelo menos, espantado a cobra para longe dali… Afinal, desde quando o homem alguma vez se preocupou em deixar a natureza seguir o seu curso?”

 

 

Print

 

 

Bonus Track 1:

 

Trailer do filme “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (1973), estrelado por Roger Moore.

 

 

Bonus Track 2:

 

Paul McCartney tocando “Live and Let Die” em show no Brasil, em 2010.

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Vamos compartilhar gente! Só que não…

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

 

Certas coisas sempre nos surpreendem nesse  universo virtual, por mais que a gente esteja habituado, há certos comportamentos, que via de regra aparecem nas redes sociais, que ainda nos deixam assustados pela idiotice da prática.

 

Curti-x-Compartilha

 

Por exemplo, acho de extremo mau gosto esses pedidos de compartilhamento. Se o assunto é interessante não precisa, se não é nem adianta pedir. Acredito que as pessoas não compartilham algo porque alguém pede, mas sim porque acham aquilo interessante. Dessa forma o pedido é totalmente inútil e extremamente antipático.

 

É muito comum nos deparamos com pedidos do tipo: SE VOCÊ GOSTA DE DINHEIRO COMPARTILHA! Ora, pela obviedade da coisa, o pedido nada mais é do que uma tentativa de tentar aparecer às custas dos outros.

 

Outro comportamento muito comum é o pedido de compartilhamento para doação de dinheiro: SE VOCÊ COMPARTILHAR ISSO, O FACEBOOK VAI DOAR TANTOS REAIS PARA TRATAMENTO DESSE POBRE  COITADO. Muitas pessoas já se deram conta de que tal prática é uma bobagem sem precedentes , mas muitos ainda acreditam que de fato o Facebook ou outro serviço qualquer, vai doar dinheiro em troca de compartilhamento.

 

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Ao que me parece o único desejo de quem faz esse tipo de pedido é tentar aparecer para um maior número de pessoas possível. Eu sou daqueles que mesmo achando interessante um determinado assunto, não compartilho se me deparar com esse pedido. Ora, o perfil é individual e a pessoa só deve compartilhar aquilo que julgar conveniente, esses pedidos são extremamente chatos, sobretudo quando não possuem nenhum sentido prático.

 

É óbvio que reconheço que existem casos e casos. Muitas vezes quando se trata de alguém desaparecido ou algo roubado, o pedido não soa tão abusivo. Muito embora eu ainda ache que é desnecessário pedir aquilo que todos por caridade já farão, mesmo sem alguém pedir.

 

As redes sociais são uma maravilha, mas certas atitudes acabam servindo apenas para poluir o ambiente e prejudicar a interação. Rede Social não é muro das lamentações, muito menos uma comunidade de pedintes. Se você postar algo interessante, mesmo sem pedir, as pessoas irão compartilhar, pode apostar.

 

Portanto, deixemos de lado a mania de tentar estimular as pessoas através de pedidos e vamos nos preocupar mais com a qualidade do conteúdo postado, pois certamente fara com que o ambiente fique menos poluído, o universo virtual agradece.

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Wayne Rooney e o Brasil com “S”

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

 

 

 

Assim que a Seleção Inglesa conseguiu a classificação para a Copa do Mundo no Brasil, o craque Wayne Rooney, eufórico, postou no Twitter: "Que noite. Grande jogo e grande resultado. Nossos torcedores estavam incríveis hoje. Obrigado a todos". Em seguida, acrescentou a hashtag “#Brasil2014”, com Brasil grafado na versão portuguesa.

 

Wayne_Rooney_Harley_Coqueiro_Invicioneiros_English_Team

 

Imediatamente, um de seus fãs ingleses postou uma mensagem para lá de agressiva: “É Brazil, seu burro", corrigindo o ídolo inglês, com Brasil grafado conforme a Língua Inglesa.

 

Não se fazendo de rogado e sem devolver a ofensa, Rooney treplicou, limitando-se a postar a foto da camisa da Seleção Canarinho, contendo a inscrição “BRASIL”, abaixo do escudo da CBF.

 

Wayne_Rooney_Harley_Coqueiro_Invicioneiros

 

Essa confusão, que envolveu o craque inglês e o seu “fã” nas redes sociais, é para mim mais um exemplo dos infindáveis conflitos advindos de nossa Língua Portuguesa, que embora bela e rica, é uma Torre de Babel inacabável...

 

Eu não sou professor de Português e reconheço “os erros do meu Português ruim”, tal como naquela canção do Roberto. Entretanto, há muito eu tenho pregado que a nossa Língua Portuguesa poderia ser mais objetiva e mais coerente, não se detendo apenas às incontáveis regras e exceções gramaticais e ortográficas, que na verdade são decorebas e armadilhas até mesmo para os profissionais que têm a Língua como a sua ferramenta de trabalho.

 

Antes que alguém me tache de neoliberal, o nome do nosso país poderia ter sido etimologicamente grafado com “z”, tal como postou o fã de Rooney no Twitter. A letra “s” poderia ser usada apenas para o final das palavras no plural, além dos dois “ss” dentro dos encontros vocálicos, como na palavra “passar”, por exemplo, aposentando as cedilhas que só servem para mostrar o quanto a nossa gloriosa “Flor do Lácio” tem um pé atolado no arcaísmo.

 

Talvez eu esteja pegando pesado, mas a famigerada Reforma Ortográfica, a meu ver, só serviu para reforçar ainda mais a nossa condição de colônia, quando palavras como “assembleia” e “europeia”, por exemplo, que outrora recebiam acento agudo por conterem ditongos abertos, tiveram os seus acentos suprimidos para atender à forma como é falada em Portugal, que soam como se tivessem acentos circunflexos (“assemblêia”, “europêia”). Também não compreendo o porquê da palavra “heroico” perder o acento agudo! Ah, já sei: “palavra paroxítona terminada em ‘o’ não são acentuadas, blá, blá, blá”... E os fonemas das palavras pronunciadas no Brasil, como é que ficam?

 

Sei que o assunto é polêmico e não cabe nas duas colunas dessa crônica. Embora a ideia inicial dos reformistas busque a unificação da Língua para atender a toda Comunidade de Língua Portuguesa (Portugal, Brasil e ex-colônias portuguesas na África e Ásia), entendo que isso seja uma missão quase impossível. Nestes tempos de globalização, parece ser mais uma questão de interesse comercial que cultural.

 

E uma vez que as manifestações de rua estão tão em voga no Brasil, que tal uma revolução para lá de utópica: abolir a Língua Portuguesa e fazer nascer uma Língua Brasileira, mais acessível e menos confusa para nós, os brasileiros, e para os jogadores de futebol e seus fãs ao redor do mundo?

 

 

 

[Crônica publicada na Folha de Paraopeba, edição de Outubro de 2013]

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

De criança para criança

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O Dia das Crianças se aproxima e com ele o já tradicional festival de presentes para os pequeninos. Não tem como passar por essa data e não se lembrar da nossa própria infância. De uma época em que nossa única preocupação era brincar, sem se preocupar com o tempo. Aliás, perdíamos a noção do tempo brincando e tais brincadeiras só eram interrompidas quando os pais recolhiam os amiguinhos.  Alguns mais exigentes dirão que as coisas evoluíram, e de fato eles têm razão, mudou muita coisa desde minha infância até os dias de hoje, e, tenho certeza, de muitas outras pessoas também.




Um fato que sempre me intriga são as músicas. Nos idos anos 80 foi a década em que apareceram grandes grupos infantis que transformavam em músicas  a realidade das crianças. Trem da Alegria, O Balão Mágico, Abelhudos e vários outros nomes compunham o casting dos sucessos infantis.

Era quase que obrigatório nessa época, nas festas de aniversário, além do tradicional brigadeiro, a animação de uma trilha sonora de alguns desses nomes citados.

Evidentemente que seria ingênuo da minha parte querer que tal realidade se repita no mundo atual, dominado pelos recursos tecnológicos. As crianças de hoje estão muito preocupadas com seus gadgets, smartphones e demais engenhocas modernas, que sequer sobra  tempo para valorizar músicas e artistas. Ainda que, nesses aparelhos, seja possível e comum a presença de músicas, que nem de longe possuem a qualidade de outros tempos. Na realidade não existe mais música feita pra crianças, todos, com todo respeito, ouvem apenas lixo musical descartável e de gosto muito duvidoso.

A globalização proporcionou grandes avanços, isso já é público e notório. Também não podemos negar que nossa qualidade de vida melhorou se comparado, por exemplo, a realidade das famílias brasileiras dos anos 80. Mas sinto também que estamos perdendo um pouco do hábito do convívio, obcecados pelos encantos dos videogames, tablets e smartphones. As crianças de hoje estão perdendo o hábito de brincar como crianças. De ouvir músicas de criança, de curtir esse tempo maravilhoso que nunca mais volta. Posso estar equivocado, mas em algum momento da vida, as crianças de hoje pagarão um preço muito alto por não terem tido infância de verdade.

Quanta saudade, meu filho é criado em um muro de 6 metros, nem rua vê. Não podemos deixar brincar na rua, nem passeio e muito menos frequentar a casa do vizinho. Tenho pena dessa geração infantil. Ainda podemos deixar um grande espaço de lote nos fundos de casa, onde tem várias frutas plantadas e ele tem esse acesso, mas é a minoria. Amiguinhos dele não têm coragem de pisar na terra, medo de machucar. Não sabem o que perdem, vivem na selva de pedra dos prédios, enclausurados em seus ricos e belos apartamentos e não sabem de onde vem o leite, o doce e muito mesmo as frutas. Alguns nem gostam de frutas, pois elas são sem gosto quando compradas no mercado. [Silvia Leticia Carrijo de Azevedo Sá]



Mas voltemos ao assunto música. Se você se atentar ao vídeo acima, perceberá claramente que houve um tempo em que criança fazia música para criança, e, através das letras, transformavam o cotidiano, muito comum a várias crianças, em músicas. Tais grupos atraiam não só pela qualidade musical, mas também pelo fato de serem interpretadas por outras crianças.

Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, particularmente nas décadas finais do século XX, confirmam que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebê, ainda no útero materno, desenvolve reações a estímulos sonoros. [Monique Andries Nogueira]

A realidade musical do universo infantil atualmente é bem diferente. Não vemos mais músicas infantis com a mesma intensidade, elas ainda existem, mas numa proporção muito menor e num universo também muito mais restrito. A maioria das crianças de hoje ouvem o que os adultos ouvem, seguindo os maus exemplos dos pais.

Reconheço que sou um saudosista inveterado. Mas é inegável que a qualidade musical das crianças oitentistas era muito superior ao que vemos atualmente. E sabemos que a música, de qualidade, é um estímulo importante para o desenvolvimento da criança. Monique Andries Nogueira, Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo, faz o alerta: “não descuide do repertório. Isso pode parecer difícil, mas tente utilizar a mesma tática da boa alimentação: um fast food, de vez em quando, não faz mal a ninguém, desde que a nutrição básica seja feita por meio de uma dieta balanceada, rica em verduras, frutas, cereais e proteínas. Da mesma forma, os malefícios de se ouvir música descartável na TV podem ser minimizados se, em casa, você “nutrir” os ouvidos e cérebros de seus filhos com música rica, estimulante e de boa qualidade.”


Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Clube do Coração

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

 

 

 

 

O que leva uma pessoa a torcer por um clube de futebol, a carregar no coração para o resto de sua vida uma instituição esportiva e a defendê-la sem nunca ter recebido nada em troca?

 

Torcedor_Harley_Coqueiro_Invicioneiros

 

Para os amantes do futebol, amores, profissões e até religiões, vêm e vão. Mas um clube de futebol, estando no auge ou em decadência, consegue uma fidelidade canina de seu torcedor, que às vezes beira a insensatez.

 

Geralmente, essa paixão surge na infância, ora por influências familiares, ora de amigos, mas principalmente, quando o clube encontra-se no auge, vencendo jogos e erguendo troféus. Habitualmente, gosta-se primeiro do time e depois do clube. Mas é antes de tudo, um sentimento espontâneo.

 

No meu caso, vou lhes contar como tudo começou. No fim da década de 1970, a minha família morava em Caconde, cidadezinha do interior paulista, na divisa com Minas. O meu pai viajou para a capital paulista e trouxe duas camisas do Atlético Mineiro: uma para mim, outra para o meu irmãozinho de seis anos. Eu tinha oito anos e confesso que à primeira vista não me entusiasmei com aquele presente: camisa alvinegra listrada igual às de juiz de futebol americano, um escudo simples, bordado com as iniciais CAM e, o pior, não era de nenhum clube paulista como as que os meus amiguinhos vestiam. Entretanto, era a primeira camisa de futebol que eu vestiria na vida!

 

O meu pai contou algumas histórias como as dos lendários goleiros Mão de Onça e Kafunga. E eu, no interior paulista, só ouvia os meus amiguinhos falarem de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. Até que num certo dia, eu e o meu irmãozinho, “vestidos a caráter”, fomos acompanhar o nosso pai a um supermercado de descendentes de italianos. Ficou gravada em minha memória quando o gerente perguntou ao meu pai, apontando para nós e com um sotaque italiano: “Essa é a camisa do Galo?” (!?).

 

Com a minha alma de menino, achei muito curioso um clube de futebol ser conhecido pelo seu mascote, ainda mais que em São Paulo, um dos mais importantes centros futebolísticos do Brasil, não se dava tanto destaque ao mascote como se dá ao clube mineiro, que é tão conhecido pelo seu mascote quanto pelo seu nome institucional. Além disso, trata-se o mascote de uma bela ave, carregada de simbolismo e misticismo, que representa a valentia, cujo canto personifica a liberdade e a esperança. Pesquisando sobre isso, vi que o chargista Mangabeira, na década de 40, não poderia ter sido mais feliz ao retratar o Atlético Mineiro em suas charges como um galo de briga, ressaltando a raça e a valentia de seus jogadores.

 

Em 1980, eu mudaria com a família para Contagem, na região metropolitana de BH. 1980? Ah, nesse ano o Galo montaria um de seus melhores esquadrões. E outra coisa me seduziria de vez: o belo hino do clube, composto por Vicente Motta, que de forma muito inspirada e genial, começa sendo cantado na primeira pessoa do plural (“Nós somos do Clube Atlético Mineiro/Jogamos com muita raça e amor.”), dando a ideia de coletividade, como se todos os torcedores também entrassem em campo para a peleja. Mas isso seria um bom tema para outras crônicas...

 

 

[Crônica publicada na Folha de Paraopeba – edição de setembro de 2013]

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.