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Santos Reis

Goleadores Invicioneiros e Furiosos

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

 

Selecao_Goleadores_Invicioneiros_Furiozos

 

 

Que a maioria tem reclamado de que o futebol mundial está se tornando um esporte cada vez mais disciplinado e careta, é fato. Os técnicos e jogadores, cada vez mais cobrados por resultados e títulos, acabam se esquecendo de que se trata de um esporte popular. O mais popular de todos.

 

Não obstante o rigor da disciplina tática, o talento de certos jogadores faz com que algumas partidas durem mais que os seus 90 minutos. Talvez uma eternidade na lembrança dos amantes do esporte.

 

Partindo desta premissa, selecionei 11 goleadores brasileiros que não tinham apenas o talento impiedoso e invicioneiro para balançar as redes adversárias. Se fosse apenas pela arte, não me esqueceria “jamás” de Garrincha, Pelé, Rivelino, Zico, Pita, Roberto Dinamite, os Ronaldinhos, etc.

 

Mas não - eu relacionei artilheiros que se destacaram também pelo carisma ou pela personalidade polêmica, alguns “useiros e vezeiros” em aprontar confusões, deliciosas confusões. Craques controvertidos que contestaram tudo e todos. Craques que fizeram com que uma partida durasse muito além de seus 90 minutos. E assim, fizeram o futebol ser mais humano e ter bem mais graça.

 

Casagrande: Magrelão, desengonçado e cabeludo. O seu biótipo lembrava mais o do lendário Joey Ramone, do que de um jogador de futebol. Aliás, é fã de rock’n’roll e teve uma postura rock’n’roll, com noitadas regadas a muito sexo, confusões e manchetes policiais. Foi um dos líderes da emblemática “Democracia Corinthiana”, ao lado de Sócrates e Biro-Biro, que, contrariando a todas as previsões pessimistas de que não passaria de um movimento quixotesco de jogadores indisciplinados, veio a triunfar, rendendo títulos e orgulho para o Timão, sendo o embrião do movimento das “Diretas Já”. O respeito da torcida corinthiana pelo Casão é tão grande, que quando atuava pelo Flamengo, em um jogo contra o Corinthians, em São Paulo, ao em vez de hostilizá-lo, a torcida corinthiana ovacionou o seu ex-jogador e, em coro, cantou: "Doutor, eu não me engano, o Casagrande é corinthiano!". Por causa de sua pinta de galã, é um sucesso entre a mulherada até hoje. Acabou se tornando comentarista de futebol da Globo, condenado a escutar as xaropadas do Galvão Bueno.

 

Casagrande_Timao

 

Dadá Maravilha: Um exemplo de superação e obstinação que chega a comover. Vivenciou um terrível drama familiar na infância; foi servente de obras no subúrbio de Marechal Hermes e somente foi dar o seu primeiro chute numa bola aos 19 anos, quando esteve internado na FEBEM, em razão de um furto. Foi artilheiro em todos os clubes por onde passou e tornou-se o perna-de-pau mais bem sucedido do futebol mundial. Como passou fome na infância, dizia que disputava a bola como se fosse um prato de comida. Fã de Stevie Wonder, passou a adotar a alcunha de “Dadá Maravilha”. Com o seu jeitão de malandro carioca, é dono de um carisma e intelecto impressionantes. Foi o precursor do marketing pessoal no futebol, só que bem mais inventivo que os Beckham e os Cristianos Ronaldos da vida. Certa vez, um crítico musical da extinta revista Bizz, ao tecer elogios ao clássico “SugarBloodSexMagic”, da banda californiana Red Hot Chili Peppers, o comparou à Dadá: “É pesado mas pára no ar; é malandro mas é boa gente.” Um comediante nato, Dadá é autor de frases célebres, das quais destacam-se: “Não me venham com a problemática, que eu tenho a solucionática.”/“Não existe gol feio. Feio é não fazer gol.”/“Faça tudo com amor. Inclusive o amor.”

 

dada_do_galo

 

Edmundo: Temperamental, dono de um futebol magistral e de uma coleção invejável de belos gols. Entortava os zagueiros, xingava os árbitros, insultava os torcedores e chutava câmeras de TV, tal como fez em Quito, durante uma partida do Palmeiras pela Libertadores. Era um astro em campo e extra-campo, rendia manchetes com o seu pavio curto e língua afiada. Foi justamente apelidado de “O Animal” pelo jornalista Osmar Santos.

 

Edmundo_Bacalhau

Jardel: Debochado e matador, esse grandalhão desengonçado, dono de uma impulsão impressionante, fez história no Grêmio pelos seus inúmeros gols e anedotas. Carismático, fazia piadas, insultava adversários, prometia gols e cumpria. Pode se dizer que também foi um perna-de-pau que fez sucesso no futebol (dizem que em Portugal foi endeusado pelos seus inúmeros gols). Por causa de sua veia cômica, a revista Placar chegou a criar uma coluna intitulada “Piada do Jardel”, quando o mesmo transferiu-se para o futebol português. Uma delas explica como que o Jardel fazia para gastar dinheiro: esfregava uma moeda no asfalto...

 

Jardel

 

Oséas: Bob Marley da Bahia? Não, um tanque de guerra com trancinhas rastafári. Alto e forte, este baiano martirizava os zagueiros que tentavam marcá-lo. Uma máquina de fazer gols, mas que notabilizou-se por um “autogol” de cabeça em uma partida do seu Palmeiras contra o Corinthians. Gozador e bon vivant, quando atuou pelo Cruzeiro, autointitulou-se “Oseinhas da Bahia”, como forma de marketing.

 

cruzeiro-time

 

Reinaldo: Um gênio da pequena área, sendo um dos precursores dos centroavantes técnicos, com belos dribles e gols de placa. No auge da repressão militar, quando poucos tinham coragem para contestar o regime, Reinaldo insultava os generais linha dura, comemorando os seus gols pelo Galo e pela Seleção, com o braço direito levantado e punhos cerrados, no melhor estilo dos militantes negros do movimento dos “Panteras Negras” de Malcom X. A massa ia ao delírio. Pelo menos com o Rei, futebol jamais foi motivo para a alienação do povo.

 

Rei_do_Galo

 

Romário: O baixinho mais intrépido e genial do futebol mundial. Malandro e rebelde, afirmava publicamente que não treinava e não se hospedava em concentrações. Inteligente e versátil, notabilizou-se ao utilizar o “biquinho” de forma eficiente e letal, quando a situação não permitia marcar um gol de placa. Hábil nos dribles curtos, ficou famosa a cena em que, atuando pelo Flamengo, entortou o lendário Amaral do Timão e marcou um golaço, sem ângulo, com a sua frieza inata. O seu futebol brilhante é comparado ao de Pelé. Marrento e polêmico, põe os irmãos Gallagher do Oasis no bolso. Criticou sem remorso o craque Zico e a sua geração de perdedores na Seleção. Pintou a caricatura de Zagallo em porta de banheiro de sua boate na Zona Sul do Rio e arrumou uma tremenda confusão. Espirituoso, é impagável a frase proferida depois de uma partida do Vasco, em meio a um desentendimento com o seu amigo Edmundo, forçado pela imprensa, que segundos antes, havia dito, fazendo alusão a “O Príncipe” de Maquiavel, de que “o Rei [Eurico Miranda] devia estar feliz com os gols do Príncipe [Romário]!”. O baixinho retrucou no seu melhor estilo: “Agora a Corte está completa: O Rei, o Príncipe e o Bobo [Edmundo]!” Quando estava prestes a aposentar as chuteiras, Romário, numa coletiva com a imprensa, ainda proferiu outra de suas pérolas clássicas: “Papai do Céu apontou pra mim e disse: ‘este é o Cara!’ ”.

 

Romario_Flamengo

 

Renato Gaúcho: Um ponta-direita com físico de zagueiro e cara de galã de Hollywood. Desengonçado e trombador, tinha uma habilidade incrível para entortar zagueiros com os seus dribles desconcertantes e infernais, tal como fez pelo Grêmio contra o Hamburgo da Alemanha da decisão do Mundial Interclubes de 1983. Também era dono de um gênio explosivo e volta e meia as suas confusões eram noticiadas na mídia. Malandro incorrigível, não teve dificuldades para se adaptar ao Rio de Janeiro. É célebre a cena em que entrou no gramado do Maracanã segurando um urubu, mascote do Flamengo, para o delírio da torcida rubro-negra. Bon vivant e namorador, se autointitulava “O Rei do Rio”.

 

renato_gaucho_mengo

 

Serginho Chulapa: Temperamental e goleador. Surgiu numa época de atacantes talentosos e brigões (Éder, Mário Sérgio, etc). O Edmundo perto dele era um frade. Confessa que se não tivesse ido para o esporte, certamente teria se enveredado para a criminalidade. Além dos muitos gols, as confusões e suspensões se tornaram a marca registrada do jogador. Malandro, contava que não gostava de viajar, e quando o jogo era relativamente longe de São Paulo (São José do Rio Preto, por exemplo), dava sempre um jeito de ser expulso no jogo anterior com o objetivo de receber a suspensão automática de um jogo. Na Copa de 1982, chamou a atenção pelo seu bom comportamento e, dizem, havia jogado mal por ter sido "domesticado" pelo técnico Telê Santana. Irreverente, quando atuava pelo Santos, adentrou no campo da Vila Belmiro, trajando vestimentas de um xeque árabe, levando a torcida ao delírio. Sincero e polêmico, pôs a boca no trombone depois da “Tragédia do Sarriá”, acusando o zagueiro Edinho de ter desagregado e desestabilizado a Seleção, por inveja do Luizinho, titular absoluto de Telê.

 

serginho_chulapa

 

Túlio Maravilha: O melhor discípulo de Dadá Maravilha nos quesitos goleador e marqueteiro. Não é à toa que passou a utilizar a palavra “Maravilha” em seu nome. Este goiano tem a malandragem carioca nas veias e um futebol infinitamente superior ao do lendário Dadá. Dono de um senso de humor escrachado, batizou um gol que marcou contra a Seleção Argentina, de “Mano de Dios”, em alusão ao gol que Maradona marcou contra a Inglaterra na Copa do México, e que utilizou o mesmo “recurso”. Túlio também criou o seu bordão de artilheiro otimista e que possui a tal “solucionática”: “Túlio Bem!

 

tulio_fogao

 

Viola: Irreverente é o adjetivo que melhor define este goleador canhoto. Debochado, ficou famoso por criar coreografias divertidas para comemorar os seus gols. E dentre elas, a mais famosa: após marcar um gol contra o Palmeiras na final do Paulistão de 1993, ele comemorou rastejando, imitando um porco, mascote do rival. Moral da história: embora perdesse o título (O Palmeiras na época era uma “academia” de craques), a sua comemoração suína conseguiu ofuscar o título conquistado pelos palmeirenses.

 

viola_timao

 

 

[Na fotomontagem de abertura, em pé: Casagrande, Edmundo, Jardel, Oséas e Reinaldo; agachados: Romário, Renato Gaúcho, Túlio Maravilha, Dadá Maravilha, Viola e Serginho Chulapa. Técnico: Seu Madruga].

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