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Santos Reis

Haiti x Paris

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010



Quero apresentar agora aos nobres leitores dois temas aparentemente sem conexão, inspirados por dois textos que li recentemente no sítio da revista Época: “História de amor no Haiti”, de Eliane Brum e “O macho majestoso”, de Ivan Martins. Sugiro a leitura dos textos antes que sigam o que escrevo neste post, para um melhor entendimento. Mas se não quiserem ler, por enquanto, tudo bem. Certamente entenderão minha reflexão, de qualquer maneira.

Qual a conexão existente entre eles?

O texto de Eliane Brum retoma um fato emocionante ocorrido em meio à tragédia do Haiti: a revelação de um amor que demonstra os valores de uma esperança que se sustenta apenas nele. No mundo atual, em que as relações entre casais muitas vezes são marcadas pela superficialidade, o fato ocorrido no Haiti é surpreendente. Naquele momento extremo e trágico, percebendo que sua mulher Jeanette encontrava-se viva sob os escombros, um homem chamado Roger luta para salvá-la.

Já a crônica de Ivan Martins traz um comentário sobre o clássico filme “O Último Tango em Paris”, com uma visão muito interessante do personagem Paul vivido pelo grande ator Marlon Brando (que, de brando não tem nada). No contraponto, coloca a iniciante atriz naquele tempo, Maria Schneider, definitivamente marcada pelo papel da jovem. Esse filme, que é de 1972, só pôde ser exibido no Brasil em 1979, devido ao rigor da censura brasileira na época do regime militar.

São dois casais, um da vida real e outro da ficção. No caso do Haiti, Roger e Jeanette poderiam muito bem ser personagens de uma história fictícia, pois são poucos a acreditar que ainda haja um amor tão grande capaz de se expressar assim. Esse amor supera a barreira da desesperança e do desânimo e mostra-se magnânimo no seio da tragédia haitiana.

Por outro lado, Paul e Jeanne são personagens de ficção que poderiam ser perfeitamente da vida real, dada à maneira como ambos encaram seu relacionamento. O filme, dirigido por Bernardo Bertolucci, relata a história de Paul, um americano dono de um hotel em Paris, viúvo e de meia-idade, que encontra a jovem Jeanne em um apartamento vazio. Ambos se metem (literalmente) numa relação estritamente sexual, na qual nem se chamam pelos nomes.
Nesse breve post não quero tratar da análise de nada, apenas colocar para os leitores a reflexão acerca da seguinte pergunta: ainda existe o verdadeiro amor entre um homem e uma mulher?

A resposta, evidentemente, está no coração de cada um de nós. E ela representará somente aquilo em que acreditarmos de fato.
Quanto ao que eu particularmente acredito, deixo a resposta em versos:

“Soterrado”

preciso desbravar estas ruínas
tenho que mergulhar nos escombros
de mim
redescobrir os caminhos deste labirinto
lapidar o meu sonhar de antigamente
(um que a lembrança esqueceu)
abstrair minhas emoções remotas
que fiquei a ver pelas frestas das ruínas
com a esperança me amparando
com o dedo na boca, olhos opacos
quero ver você de novo
quero ter você de novo
para cuidar de mim
com mertiolate e algodão
recuperar as emoções silentes
buscar no barro as singelas intenções
que escorregaram por meu corpo
até tocarem o chão de minha alma
então voltar às bordas do labirinto
que sou eu mesmo
e soltar essas borboletas
à luz branca do dia
com minhas asas de cera
como Ícaro levantar voo
eu como personagem
e você, minha amada,
aspirando o ar
escavando o chão
de concreto
estendendo a mão
de amor repleto
resgatando minha vida...

The_EDN[2] The EDN, sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas.
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