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Santos Reis

Quanto você é capaz de se doar para os outros?

terça-feira, 15 de junho de 2010


Estes dias andei pensando nas várias situações onde nos doamos para os outros: doamos o tempo, os ouvidos, um olhar,  as palavras e etc. Estamos fazendo isso o tempo todo e muitas vezes nem percebemos.

Uma vez li uma frase engraçada que o Arnaldo Jabor disse uma vez: "Quem não dá assistência, abre concorrência" isso me lembra o que acontece muito com as mulheres quando se doam demais nos relacionamentos amorosos, pois nós mulheres realmente somos um pouco mais exigentes do que o normal mesmo e queremos a reciprocidade de nossos sentimentos a todo custo, acontece que a maioria dos homens são naturalmente mais distraídos e não se tocam para detalhes que para nós mulheres consideramos super importantes.

O grande dilema gerado na relação homem-mulher é que em algum momento um dos lados quer sempre mais do que o outro está disposto a dar, nisso o lado que exige maior atenção acredita que se doa muito mais e que portanto merece maior atenção e retribuição do seu afeto.

As questões que sempre nos fazemos são:

 Será que dou aquilo que recebo?
Quanto de mim é possível dar para os outros?
Quanto dos outros devo esperar receber?

Muita gente alega que age conforme um determinado altruísmo (doação de si mesmo pra outras pessoas) sem esperar nada em troca, que faz por fazer, que faz para agradar ou porque gosta do que faz. Mas eu não creio que exista no mundo alguém capaz de tamanha doação sem esperar o mínimo de retribuição que seja. Pois tudo que fazemos tem algum objetivo, alguma pretensão mínima que seja, sempre queremos agradar alguém nem que seja a nós mesmos, então não existe essa história de se doar pra algo ou alguém que não lhe traga nenhum retorno.  A graça da vida está justamente no retorno que recebemos sobre tudo que fazemos, o sentido da vida está no objetivo que traçamos para ela.

Nos acostumamos a não demonstrar nossos reais interesses ou a torná-los menores do que realmente são, pois as pessoas que tem muita pretensão são naturalmente mal vistas. Isto porque observamos  uma certa contradição na sociedade: quando você quer demais você se torna presunçoso quando quer de menos você é rotulado como medíocre, o problema na verdade não está na intensidade do querer como muita gente pensa, o grande dilema moral  é o meio que você usa pra atingir seus objetivos, o perigo está na forma como você age que irá refletir no seu caráter e na sua personalidade, são estes reflexos que são percebidos pelos outros que terão uma impressão boa ou ruim de você.

Uma das grandes lições que aprendi na minha vida é a de não gerar tantas e grandes expectativas sobre nada nem sobre ninguém, não que eu não queira crescer ou que eu seja medíocre por me conformar com pouca coisa, às vezes me acho até muito exigente e seletiva demais ao escolher as pessoas para se tornarem meus amigos mais próximos. Porém, aprendi que não devo exigir nada demais da vida, nem de ninguém, sobre isso tem uma frase que gosto muito mas que infelizmente não sei o autor e ela diz mais ou menos o seguinte:

"Deixe as pessoas livres: se voltarem é porque as conquistou se não voltarem é porque nunca as teve"

Com isso fui vendo através dos meus maus passos e conflitos internos que não importa o quanto você ame ou goste de alguém, não interessa se você ame muito ou pouco, goste mais ou menos de uma pessoa para que ela se doe para você e lhe retribua qualquer tipo de afeto, isso não é você que decide, quem decide, resolve ou escolhe gostar de você são os outros e não você, sua "culpa" é só quanto ao despertar este afeto nos outros, seu mérito é agir de modo que conquiste as pessoas e o resto quem vive, pensa e sente em relação a você são os outros.

Quando gosto de alguém eu trato bem, dou atenção e o carinho que quero dar, começo a me doar para os outros conforme o meu interesse por elas e não espero que elas me amem ou me "retribuam na mesma moeda" como se diz por aí, quando se trata de relações afetivas (que são as que podemos escolher pelo coração) eu não dou passos calculados, não tenho a pretensão tão grande de achar que as pessoas precisam me corresponder do mesmo modo pois prefiro que as coisas sejam naturais, que as pessoas sejam livres e não se prendam a mim pelo meus apelos e sim porque se identificam ou se afinam, quero que gostem de mim porque querem gostar e não pelo que peço, meu interesse portanto é satisfazer a minha vontade de me doar para as pessoas que eu gosto porque isso me faz bem e se eu receber qualquer tipo de retribuição por este motivo é claro que o que já é bom fica melhor ainda.

Sendo assim, quando for se doar pra alguém pense nisso e veja o quanto é magnífico você perceber que é capaz de amar as pessoas com liberdade de escolha tanto sua quanto delas, fique feliz de perceber que os outros lembrarão de você porque de alguma forma você tocou nelas: seja pelas palavras, pelo toque, pelo sorriso, pelo ouvir, até pelo simples olhar que você deu a elas em algum momento, não importa muito como foi, quanto foi toda essa doação, importa é o significado que teve para cada um.

Pra quem dá e recebe de bom grado as pequenas coisas podem significar muito mais  pelos sentimentos e prazeres que elas proporcionam do que pela existência de motivos ou justificativas plausíveis. Portanto, doe-se simplesmente!
 

Sobre a Autora:
Ana Karenina

Ana Karenina - Autora do blog Escritos Ideológicos. Uma baiana, natural de Salvador, Servidora Pública Federal. Adora ler, blogar, tuitar, conversar e interagir na internet.

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