Leia também...

Leia também...
Homo Sapiens x Homo Cyber

Leia também...

Leia também...
O Humor nos Tempos do Cólera

Leia também...

Leia também...
Os 10 Mandamentos da Vida Virtual

Leia também...

Leia também...
Santos Reis

Duerme, negrito

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ouço neste momento, nesta noite cheia de trabalhos por realizar, Mercedes Sosa cantando Atahualpa Yupanki em "Duerme, Negrito" e resolvo, após algum período, postar algo relevante. Nestes tempos de política exacerbada pela proximidade das eleições, medito sobre o meu papel de educador e de homem. Também no papel de pai, já que meu filho mais velho irá votar nas eleições que virão após 2010. 







A consciência política é algo que precisamos cultivar na população brasileira. Precisamos despertar o senso crítico voltado para conhecermos o trabalho pregresso dos candidatos, o que muitas vezes é melhor que ouvirmos suas propostas nos programas de rádio e televisão, muitas vezes, meras promessas.


E quando ouvimos promessas de políticos, podemos nos preparar para anotarmos e vermos se vão mesmo cumpri-las. Podemos, inclusive, voltar no tempo, no caso daqueles que tentam repetir mandatos, e ver quais foram suas promessas e propostas nas últimas eleições. Se foram cumpridas, ainda que parcialmente, revelam seriedade e compromisso. Se não passaram de mero instrumento de sedução, não merecem nosso voto.


Outra coisa importante é não votarmos com base nas pesquisas "eleitoreiras"  (sempre devemos desconfiar), pois, ainda que idôneas, são meras estatísticas. O que vale de fato é o voto digitado nas urnas e a consciência de cada um ao eleger aquela pessoa em que mais confia e que julga capaz de exercer o cargo ao qual se candidatou. A grande mídia é sedutora e devemos estar atentos a ela, como nos alerta o nobre Noam Chomsky, cuja leitura recomendo ("A Manipulação do Público: Política e Poder Econômico no Uso da Mídia"). Reproduzo abaixo algumas considerações de Chomsky sobre a imprensa, que retirei da Wikipedia:

Análise dos meios de comunicação de massa

Outra parte importante do trabalho político de Chomsky é a análise dos meios de comunicação de massa (especialmente dos meios norte-americanos), de suas estruturas, de suas restrições e do seu papel no apoio aos interesses das grandes empresas e do governo americano.

Diferentemente dos sistemas políticos totalitários, nos quais a força física pode ser facilmente usada para coagir a população como um todo, as sociedades mais democráticas como os Estados Unidos da América precisam se valer de meios de controle bem menos violentos. Em uma frase freqüentemente citada, Chomsky afirma que "a propaganda representa para a democracia aquilo que o cacetete (isto é, a polícia política) significa para o estado totalitário."[5]

Em A Manipulação do Público,[6] livro escrito em conjunto por Edward S. Herman e Noam Chomsky, os autores exploram este tema em profundidade e apresentam o seu modelo da propaganda dos meios de comunicação com numerosos estudos de caso extremamente detalhados para demonstrar seu funcionamento. Para uma análise completa deste modelo veja Teoria da Propaganda de Chosmky e Herman.

Um viés social pode ser definido como inclinação ou tendência de uma pessoa ou de um grupo de pessoas que impede julgamentos e políticas imparciais e justas para a sociedade entendida como um sistema social integral.

A teoria de Herman e Chomsky explica a existência de um viés sistêmico dos meios de comunicação em termos de causas econômicas e estruturais ao invés de uma conspiração criada por algumas pessoas contra a sociedade.

Em resumo, o modelo mostra que esse viés deriva da existência de cinco filtros que todas as notícias precisam ultrapassar antes de serem publicadas e que, combinados, distorcem sistematicamente a cobertura das notícias pelos meios de comunicação.

1. O primeiro filtro - o da propriedade dos meios de comunicação - deriva do fato de que a maioria dos principais meios de comunicação pertencem às grandes empresas (isto é, às "corporations").

2. O segundo - o do financiamento - deriva do fato dos principais meios de comunicação obterem a maior parte de sua receita não de seus leitores mas sim de publicidade (que, claro, é paga pelas grandes empresas). Como os meios de comunicação são, na verdade, empresas orientadas para o lucro a partir da venda de seu produto - os leitores! - para outras empresas - os anunciantes! - o modelo de Herman e Chomsky prevê que se deve esperar a publicação apenas de notícias que reflitam os desejos, as expectativas e os valores dessas empresas.

3. O terceiro filtro é o fato de que os meios de comunicação dependem fortemente das grandes empresas e das instituições governamentais como fonte de informações para a maior parte das notícias. Isto também cria um viés sistêmico contra a sociedade.

4. O quarto filtro é a crítica realizada por vários grupos de pressão que procuram as empresas dos meios de comunicação para pressioná-los caso eles saiam de uma linha editorial que esses grupos acham a mais correta (isto é, mais de acordo com seus interesses do que de toda a sociedade).

5. As normas da profissão jornalista, o quinto filtro, referem-se aos conceitos comuns divididos por aqueles que estão na profissão do jornalismo.

O modelo descreve como os meios de comunicação formam um sistema de propaganda descentralizado e não conspiratório que, no entanto, é extremamente poderoso. Esse sistema cria um consenso entre a elite da sociedade sobre os assuntos de interesse público estruturando esse debate em uma aparência de consentimento democrático mas atendendo os interesses dessa elite.

No entanto, isso é feito às custas da sociedade como um todo que, naturalmente, compõem-se de mais pessoas que aquelas que compõe sua elite. Uma conspiração, nos Estados Unidos da América, é um acordo entre duas ou mais pessoas para cometer um crime ou realizar uma ação ilegal contra a sociedade. Para os autores o sistema de propaganda não é conspiratório porque as pessoas que dele fazem parte do sistema não se juntam expressamente com o objetivo de lesar a sociedade mas é isso mesmo que acabam fazendo em função dos viéses descritos.

Chomsky e Herman testaram seu modelo empiricamente tomando "exemplos pareados", isto é, pares de eventos que são objetivamente muito semelhantes entre si, exceto que um deles se alinha aos interesses da elite econômica dominante, que se consubstanciam no interesse das grandes empresas, e o outro não se alinha.

Eles citam alguns de tais exemplos para mostrar que nos casos em que um "inimigo oficial" da elite realiza "algo" (tal como o assassinato de um líder religioso), a imprensa investiga intensivamente e devota uma grande quantidade de tempo à cobertura dessa matéria. Mas quando é o governo da elite ou o governo de um país aliado que faz a mesma coisa (assassinato do religioso ou coisa ainda pior) a imprensa minimiza a cobertura da história.

De maneira crucial, Herman e Chomsky também testam seu modelo num caso que muitas vezes é tomado como o melhor exemplo de uma imprensa livre e agressivamente independente: a cobertura dos meios de comunicação da Ofesiva do Tet durante a Guerra do Vietnã. Mesmo neste caso, eles encontram evidências que a imprensa estava se comportando subservientemente aos interesses da elite.

A despeito de todas as evidências - e exatamente como ele próprio prediz! - o modelo de propaganda (e a maior parte da política de Chomsky) tem sido olimpicamente ignorada ou distorcida pelos meios de comunicação (e sem nenhuma refutação).



Ao escrever esse post mínimo, penso no problema que posso causar ao blog, se aparecerem partidários de "A" ou "B" para defenderem suas posições. Não cito nomes e gostaria que, se houver comentários, não sejam de ordem partidária. Escrevo-o apenas pela consciência de educador, preocupado com o despertar  do olhar crítico do "e-leitor", com o perdão do neologismo trocadilhado.

Chomsky em desenho de Jim Mahfood

Feed
Gostou desse Artigo? Então deixe um comentário, assine nosso Feed ou receba os artigos por email

4 comentários :

Postar um comentário

# Antes de comentar, leia o artigo;
# Os comentários deverão ter relação com o assunto;
# Pode criticar a vontade, inclusive o blogueiro;
# Comentários ofensivos ou pessoais serão sumariamente deletados;
# As opiniões nos comentários não refletem a opinião do blog e são de inteira responsabilidade dos seus autores;