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Santos Reis

Quando as Coisas Saem do Controle

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

 

refran1

 

 

Recentemente, assisti a um interessante documentário sobre a Revolução Francesa no canal fechado “The History Channel”.

 

Para muitos historiadores, a Revolução Francesa é o auge de um amplo movimento revolucionário que consolida uma sociedade capitalista, liberal e burguesa. O movimento inicia-se na Inglaterra e nos Estados Unidos, e chega à França, com maior violência e ideais bem delineados.

 

Após guerras desastrosas e a incapacidade de um Rei (Luís XVI) para enfrentar a crise financeira do Estado, explode, em 1789, com a Tomada da Bastilha, a Revolução Francesa. Mais que uma revolução política e social, o mundo ocidental passou a ser outro depois dela. Naquele contexto, a burguesia francesa encarcerava a monarquia e os revolucionários acabavam com os privilégios da nobreza e do clero, livrando a França das instituições feudais do antigo regime.

 

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Em setembro de 1791 é finalizada a Constituição que, embora ainda conserve a monarquia, institui a divisão do poder (Executivo, Legislativo e Judiciário), proclamando a igualdade civil e confiscando os bens da Igreja. A França passava a ser a vanguarda da civilização moderna: as pessoas comuns do povo são chamadas de cidadãos com a aprovação da “Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão” pela Assembleia Nacional Constituinte.

 

Mas nem tudo era apenas um idealismo romântico e elegante (“Liberdade, Igualdade e Fraternidade”): ai de algum cidadão francês que contestasse a Revolução: seria decapitado!

 

A democracia, nos moldes que conhecemos hoje, nascia num berço forrado de contradições e violência. Para se ter uma ideia, o iluminista Maximilien Robespierre, formado em Direito, e que defendia plataformas avançadas para a época, como o voto universal, eleições diretas e educação gratuita, era contrário à pena de morte. Tempos depois, num ímpeto ditatorial e enxergando conspirações em todo lugar, Robespierre recorreu à “Lâmina Nacional” (nome tecnocrático dado à guilhotina) contra os que entendia serem contrários à Revolução, criando o “Tribunal Revolucionário” e iniciando o chamado “Período do Terror” na França.

 

Georges-Jacques Danton, outro iluminista, advertiu a Robespierre e aos companheiros do parlamento, que a Revolução havia perdido o seu rumo; e os líderes, o controle, depois de 1,4 mil pessoas guilhotinadas, inclusive amigos, familiares e partidários dos próprios revolucionários.

 

Moral da história: tanto Danton quanto Robespierre foram executados pela “Lâmina Nacional” em 1794.

 

refran_guilhotina 

Uma das coisas que me chama a atenção é que a Revolução Francesa, em determinado momento, tornou-se uma carnificina generalizada, onde as autoridades perderam a sanidade e quase afogam a França num Mediterrâneo de sangue.  O uso da guilhotina tornou-se banalizado e os revolucionários passam a receber críticas cada vez mais duras e sarcásticas dos países vizinhos (principalmente da rival Inglaterra), questionando o “regime democrático” imposto pela Revolução.  As coisas fogem do controle, com os idealistas franceses virando ditadores e, ironicamente, morrendo guilhotinados, tal como os monarcas, dos quais foram os carrascos.

 

A reflexão que fica é que em todas as atividades humanas, é necessário sempre ter bom senso para que as coisas não fujam do controle. Na Bíblia, Deus ofereceu um presente para Salomão escolher, e ele, que poderia ter pedido mais fortuna, mulheres (ops!) e nações a serem conquistadas, escolheu um bem intangível e preciosíssimo: a sabedoria.

 

Eu já cheguei a dizer que a sensatez parece ser inata ao indivíduo. Uns nascem com, outros morrem sem. E eu procuro ser de uma terceira via, dos que precisam fazer “downloads” de bom senso, sempre...

 

Quando você leitor, estiver lendo este texto, pode ser que já teremos a(o) nova(o) Presidente da República. Entretanto, o que vimos na Campanha Presidencial no segundo turno, foi uma guerra fria e degradante pelo poder, onde acusações, sacos de água, rolos de  fita e “marketing” político prevaleceram sobre as propostas para uma nova era, nesta Nação, que é a maior democracia do planeta.

 

 

[Texto publicado na última edição da Folha de Paraopeba]

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