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Santos Reis

Neo-entreguismo

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

 

entreguismo

 

O Brasileirão de 2010 está chegando ao fim e, como não poderia deixar de ser, não deve acabar sem polêmicas...

 

Se já não bastassem as tensões dos líderes Fluminense, Corinthians e Cruzeiro; o pânico na Zona do Rebaixamento e as arbitragens “prodigiosas”, outro mal já começa a manchar o campeonato: o “entreguismo”.

 

O termo “entreguismo” tem as suas origens relacionadas às disputas políticas pelo petróleo no Brasil, na década de 1950 e, em sentido estrito, é o preceito, mentalidade ou prática político-ideológica de se entregar recursos naturais de uma nação para a exploração por entidades ou empresas de outro país.

 

No Campeonato Brasileiro, porém, entendo que também pode ser empregado o termo “entreguismo”, no que se refere ao artifício utilizado por times de futebol, que consiste em “entregar” (facilitar) os seus jogos para outros times que concorram diretamente ao título contra os seus arquirrivais, retirando a possibilidade desses de serem campeões.

 

Vejamos: depois do jogo entre o Corinthians e o Cruzeiro, em que o meio-campista Roger, indignado com a arbitragem, conclamou os jogadores palmeirenses e são-paulinos a “entregarem” os seus jogos para o Fluminense, ficou exposta a ferida da atual fórmula de pontos corridos: o “entreguismo”.

 

Na partida entre o São Paulo e o Fluminense, por exemplo, vimos faixas de torcedores do tricolor paulista com o dizer “ENTREGA” (“sic”), para que os jogadores do time paulista “entregassem/facilitassem a vida” do Flu, e assim dificultassem a conquista do campeonato pelo Corinthians, arquirrival local.

 

Não podemos esquecer também a derradeira partida do Flamengo contra o Grêmio no Brasileirão de 2009 (em que o time da Gávea foi campeão) e que ficou marcada pela evidente apatia do time gremista, pressionado pelos seus torcedores para que “entregasse” o jogo para o Rubro-negro e tirasse do Internacional o sabor do título. Maldade dos torcedores gremistas? Pode até ser. Mas a culpa maior é dos cartolas da CBF que não entendem nada da paixão do torcedor e ficam ditando (e copiando) regras europeias.

 

Quer outro exemplo: imagine uma situação em que o Atlético-MG ou o Cruzeiro, que, além de si, dependessem da vitória do arquirrival para ser campeão. O que fariam os torcedores do Galo ou do Cruzeiro numa situação dessas?

 

[Eu creio que todos sabemos a resposta e é por isso que eu não vou atirar a primeira pedra!]

 

Particularmente, eu sempre preferi a fórmula antiga do Brasileirão, praticada até o ano de 2002. Havia uma fase classificatória (único turno ou turno e returno) e outra, eliminatória (mata-mata), fórmula esta parecida com a das Copas Libertadores e do Mundo FIFA. Tal fórmula propiciava aos times a chance de se classificarem até no 8º lugar e disputarem o título, como por exemplo, no Brasileirão de 2002, quando o Santos de Diego e Robinho conseguiu ser campeão, após classificar-se em 8º lugar e eliminar, com competência e talento, times melhores classificados. Aquela fórmula, ainda que digam menos “justa” que a atual, era sem dúvida, bem mais emocionante e não dava chances para o “entreguismo”.

 

É certo que a fórmula de pontos corridos premia o clube mais organizado, bem estruturado e com as contas em dia. Para se dar bem em pontos corridos, é preciso que o time esteja bem equilibrado (política, emocional e financeiramente) e desenvolva um trabalho com estabilidade e planejamento acima dos demais. É interessante lembrar que das 7 edições do Brasileirão no sistema de pontos corridos, apenas em 2005 e 2009, o campeão teve mais de um treinador, o que comprova a tese da estabilidade e planejamento. O senão é que esse sistema deixa de lado a emoção das disputas diretas, além de ainda dar chances aos times de se utilizarem do nefasto “entreguismo”, que nada tem de “fairplay”.

 

E uma vez que dificilmente será abandonada a fórmula dos pontos corridos, caberia então sugerir à CBF, em nome da saudável desportividade e para se evitar o tal “entreguismo”, que os clássicos regionais fossem disputados na última rodada do campeonato, o que diminuiria as chances de times arquirrivais “entregarem” os seus jogos justamente na última rodada, quando o campeão em potencial já se encontra com mão na taça.

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