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Santos Reis

Tropa de Elite III

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

 

tropa_de_elite3

 

A “operação de guerra” deflagrada no Complexo do Alemão no Rio de Janeiro, em resposta aos ataques de traficantes que ordenaram o incêndio de carros e ônibus, foi, sem dúvida, um dos fatos mais marcantes deste ano que se finda.

 

As cenas de violência, exibidas ao vivo pela TV, continham o impacto alegórico da barbárie e do terror urbano dos tempos modernos. Em conversa com o radialista Fábio Amorim da Rádio Montana FM, de Paraopeba/MG, cheguei a dizer que tais cenas tratavam-se de um “trailler” do “Tropa de Elite III”. Brincadeiras à parte, quando o filme mais assistido da história do cinema brasileiro, prima pela violência, truculência policial e corrupção (“Tropa de Elite II”), não daria para se esperar outra coisa na vida real.

 

Eu não sou especialista em Segurança Pública. Sou apenas mais um cidadão que anseia por ela. Mas me lembro bem, quando no início da década de 90, o Governo do Estado do Rio cogitou em pedir socorro às Forças Armadas para conter a onda de violência que já inundava o Rio. Naquele contexto, intelectuais e militantes de esquerda protestavam (inclusive eu), alegando que seria catastrófica tal operação, ao utilizar-se o Governo, de tanques de guerra, helicópteros e todo o arsenal de que dispunham as Forças Armadas, o que colocaria em risco a vida de civis num enfrentamento com os bandidos. Acreditava-se que os traficantes e milicianos utilizariam escudos humanos e que a participação de forças militares transformaria o Rio numa nova e sangrenta “ Guerra de Canudos”.

 

Mas não há nada como uma década após a outra. Ironicamente, o atual Governo Fluminense de esquerda teve que se utilizar de tal alternativa e recorrer à União, para que, numa “Força Tarefa”, combatesse com firmeza os chefões do tráfico.

 

De antemão, um detalhe me chamou a atenção: enquanto os bandidos queimavam os ônibus que transportavam os cidadãos humildes para o trabalho e para casa, quase nenhuma providência era tomada. Ocorre que bastou aos bandidos incendiarem os carros de passeio da classe média, para aí sim, o Governo Estadual tomar alguma providência mais enérgica.

 

Soma-se a isso a “colaboração” da imprensa que parece ter assinado um “pacto de não agressão” às intervenções militares, talvez reconhecendo os esforços e os resultados das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas comunidades.

 

Novos tempos, pois até bem pouco tempo atrás, a imprensa era a primeira a condenar tais ações policiais, por mais legítimas que fossem.

 

A princípio, a parceria Estado/União/Imprensa contra o banditismo no Complexo do Alemão apresentou um saldo positivo. Mas como numa guerra, não deixou também de haver denúncias de abusos de militares que surrupiaram dinheiro de trabalhadores, o que comprova que o mal ainda encontra-se infiltrado no “lado do bem”…

 

Vamos torcer para que tudo não fique apenas nisso e que o Estado suba os morros não para prender e matar, mas para continuar a levar a paz, a dignidade e o sentimento de igualdade aos cidadãos de bem que precisam viver por lá.

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, torcedor do Galo, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

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