Leia também...

Leia também...
Homo Sapiens x Homo Cyber

Leia também...

Leia também...
O Humor nos Tempos do Cólera

Leia também...

Leia também...
Os 10 Mandamentos da Vida Virtual

Leia também...

Leia também...
Santos Reis

Os 3 Mais Belos Gols Que Eu Marquei Ou A Redenção de Um Perneta

domingo, 23 de janeiro de 2011

 

garrincha_vibrando

 

Antes de tudo é bom esclarecer que eu sempre fui um perna de pau, ainda que gostasse goste deste esporte maluco que reúne 22 homens e uma bola. Eu debito a minha ruindade no futebol ao fato de que o meu pai, sistemático como uma porta, proibia eu e os meus irmãos de jogarem bola, e dizia que “futebol e música eram coisas de malandro” (Ainda bem que não dizia que eram coisas de baitola!).

 

A 1ª ironia é que o meu saudoso pai era atleticano/corinthiano e fã do goleiro Mão de Onça e do craque Rivelino.  A 2ª ironia é que eu acabei gostando muito de futebol e sou um músico de rock frustrado. A 3ª ironia, que não se concretizou, é que duvido se eu ganhasse os meus primeiros milhões de dólares como jogador ou roqueiro se o meu pai não mudaria imediatamente o seu préconceito de “futebol, rock e malandragem”, à beira de uma piscina em Beverly Hills, rodeado de belas garotas com os seus biquinis asa delta…

 

E assim carreguei em minha adolescência vários complexos de inferioridade: ruim de bola, ruim de dança e péssimo em matemática.  Além de ser pobre, feio e morar longe. Mas de todos os complexos, o de ser ruim de bola era um dos que mais me incomodava. Por várias vezes sofri humilhações e isolamento por não ser um craque da bola (era sempre o último a ser escolhido para as peladas!), mas ainda assim, conseguia, ainda que raramente, ter performances inesquecíveis e marcar os meus gols.

 

Eu, reprimido pelo meu pai (o meia-atacante Freud explicaria), não desenvolvi fundamentos básicos do ludopédio quando criança, o que me comprometia tecnicamente, mas inacreditavelmente, eu tinha relativa facilidade inata para driblar e um bom passe, além de ser voluntarioso sem ser desleal.

 

O meu 3º gol mais bonito foi muito especial pois foi marcado no fim do ano de 1999, durante um jogo preliminar de confraternização entre funcionários atleticanos e cruzeirenses da Prefeitura de Paraopeba. Lembro que o nosso Galo perdia por 5 x 1 e faltando menos de 10 minutos para acabar a peleja, eu entrei na lateral direita com a difícil missão de segurar as arrancadas do veloz ponta Marquinho do Zitão (“in memoriam”) e ainda tentar ajudar a pelo menos empatar a partida. Entretanto, como disseram as pessoas que estavam nas arquibancadas do Estádio das Magnólias, “incendiei o jogo”, fazendo lançamentos, tabelas, passes para gol e atormentando a defesa adversária. O gol que eu marquei foi o 4º do Galo e lembro que caía uma chuva fina que deixou o gramado pesado, e o saudoso Eduardo “Ratinho” (saudades deste bom camarada!) recebeu a bola pelo meio e viu que eu chegava pela ponta direita e rolou a bola “com açúcar e com afeto” para que eu chutasse de direita, de primeira e fora da área, e marcasse um belo gol no goleiro azul Bené. Pena que só deu tempo para eu comemorar o gol e o juiz encerrar a partida. Fiquei triste pois o Galo perdera por 5 x 4 naquela manhã, mas muito feliz pelos elogios de quem me viu jogar. E isto para um perneta, não tem preço!

 

O meu 2º gol mais bonito foi marcado em 1982, numa tarde na quadra do Conjunto das Américas, em Contagem/MG. E aconteceu um fato interessante e meio “sobrenatural de almeida”. Era uma partida de futebol de salão (na época ainda não era conhecido como futsal) e a peladinha estava “pau a pau”. Lembro que atuava de pivô e em determinado momento um jogador da minha equipe havia chutado e a bola bateu no travessão e veio na minha direção. Só que eu pipoquei: fiquei com medo de cabecear a bola pois o goleiro saiu arrojado “no abafa”, esmurrando a redonda. Pensei: “Se houver outra oportunidade dessas, eu não desperdiçarei!”. Incrível: fui acabando de pensar e parece que os deuses do futebol ouviram o meu pensamento e tiveram misericórdia de mim. Lembro que o Geraldinho (um sósia do Hernandez, física e futebolisticamente) chutou do meio da quadra e a pelota explodiu no travessão. A bola rebateu e o goleiro saiu novamente para interceptar a gorduchinha, estendendo as mãos para que eu não a cabeceasse, mas já era tarde: cumprimentei-o com um belo gol de cabeça (o famoso “queixo no peito” do Dadá). Neste lance aprendi que em futebol não há lugar para medrosos. Lembro que todos que estavam fora da quadra comentaram  o belo gol que eu havia marcado.

 

E o meu gol mais bonito foi marcado numa peladinha de futsal numa tarde de 1992, na quadra da CNEC em Caetanópolis/MG. O Bila (um sósia do Mozer) recebeu a bola do goleiro no lado esquerdo da meta e inteligentemente percebeu que eu me deslocava em diagonal, da direita para esquerda, confundindo a marcação adversária. O Bila então  fez um lançamento primoroso de 100 jardas.  Eu, de fora da área adversária, meio à esquerda, matei a bola com a direita e sem deixá-la cair, executei um giro de 180 graus (pois estava de costas para o gol) e chutei forte com o pé esquerdo (na veia!) e o goleiro deve estar procurando a bola até hoje…

 

Apesar de não ter sido abençoado no futebol, eu, um típico “nerd”, acabei por uma dessas ironias do destino, sendo convidado para ser um comentarista de futebol em um canal de TV (“Esporte 56” da TV Educativa de Paraopeba).

 

Agora, amigo leitor, se você chegou até aqui é porque gosta também de futebol. Conte para nós como foi(ram) o(s) seu(s) mais belo(s) gol(s). Vale de peladinha a gol de Copa do Mundo…

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, torcedor do Galo, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Feed
Gostou desse Artigo? Então deixe um comentário, assine nosso Feed ou receba os artigos por email

8 comentários :

Postar um comentário

# Antes de comentar, leia o artigo;
# Os comentários deverão ter relação com o assunto;
# Pode criticar a vontade, inclusive o blogueiro;
# Comentários ofensivos ou pessoais serão sumariamente deletados;
# As opiniões nos comentários não refletem a opinião do blog e são de inteira responsabilidade dos seus autores;