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Santos Reis

Não é só uma história, é um exemplo de vida

quinta-feira, 24 de março de 2011

 

“A História tem demonstrado que os mais notáveis vencedores normalmente encontraram obstáculos dolorosos antes de triunfarem. Eles venceram porque se recusaram a se tornarem desencorajados por suas derrotas.” (B. C. Forbes)

 vencedor

 

Às vezes por nos preocupar demais com o que os outros vão pensar, acabamos por não fazer aquilo que gostaríamos e aí deixamos de ser protagonistas da nossa  história, para ser coadjuvante na história de outros.

 

Hoje serei coadjuvante, mas terei prazer em sê-lo.

 

No primeiro post, depois que resolvi mudar o direcionamento dos meus assuntos, contarei pra vocês a história de uma amigo de adolescência, um exemplo de vida que acho digno de registro. Alguns detalhes da história e os nomes são fictícios, para proteger a privacidade dos personagens.

 

A vida acaba nos pregando uma peças interessantes, muitas vezes não conseguimos explicar o por que de certas coisas acontecerem na nossa vida. Durante um jantar recente em minha casa, disse ao amigo Sandro que sua história daria um livro. Longe de mim querer escrever uma biografia do ilustre amigo, não tenho competência pra isso, resumirei a história nesse post.

 

Sandro é o filho do meio uma família de cinco filhos, tipicamente interiorana. Seu pai e sua mãe, sempre lutaram muito para conseguirem criar a família, já que os recursos financeiros sempre foram muito escassos, não bastassem todos os problemas, seu pai sofria de chaguismo, e, por causa disso, teve que se aposentar prematuramente por invalidez.

 

Mas esse não não era o único problema do pai, o alcoolismo constante, era o pior dos males. Nunca maltratou os filhos, mas também nunca se dedicou totalmente a eles. Como quase todo alcoólatra que conheço, quando estava sóbrio, Seu Juvenal era uma pessoa formidável, mas a embriaguez transformava completamente sua personalidade, tornando a convivência dentro do lar insuportável.  A mãe, além dos afazeres domésticos, ainda fazia bicos, fazendo faxina e lavando roupas em casas de família,  para complementar a renda familiar.

 

Sandro também teve que começar a trabalhar muito cedo para ajudar na renda da casa, por isso perdeu parte de sua infância, isso num tempo em que crianças podiam trabalhar. Começou como ajudante de pedreiro,  tarefa que lhe custou muitos calos nas mãos, algo não muito comum na vida de uma criança.

 

A maior frustração de Sandro foi a de nunca ter tido um natal em família, como é tradição no interior mineiro, o constante estado de embriaguez do pai, ruía qualquer tentativa de uma reunião familiar no período natalino.

 

A situação financeira da família, que já era inquietante, começou a piorar quando o pai, já debilitado pela doença de Chagas e depois de mais uma overdose de bebida, veio a falecer, deixando toda família em situação ainda pior, já que não podiam mais contar com o arrimo da família.

 

Sandro decide que é hora de mudar e procurar um emprego que lhe permitisse complementar de forma mais efetiva os rendimentos da família, depois de muito insistir conseguiu emprego como embalador em uma mercearia da cidade, onde finalmente poderia receber o tão sonhado salário mínimo. Feliz por finalmente trabalhar em um emprego de carteira assinada, Sandro via a sorte da família começar a mudar. Foi nesse emprego que Sandro, um amante da dança, acabou conhecendo seus amigos, que futuramente formariam um grupo de dança. Sim, Sandro era fã de carteirinha de Michael Jackson, e passava o pouco tempo livre, estudando os passos do ídolo, quando podia  ver algum clipe, na televisão da casa de alguém, pois as condições financeiras da família não lhe permitia esse luxo.

 

Sandro tinha como passatempo favorito a dança, por isso junto com os amigos da mercearia, decide criar um grupo de dança para se apresentarem no festival de dança da cidade, e onde oportunamente fossem convidados. A dança lhe trouxe fama na cidade, mas nunca lhe deu um centavo sequer. Tentou inutilmente ser artista, mas sua veia comercial falou mais alto.

 

Toda esse esforço custou a Sandro, a interrupção de seus estudos ainda no ginásio. Tinha que escolher entre estudar e ver a família passando dificuldades, ou trabalhar incessantemente para diminuir um pouco aquele sofrimento.

 

Tudo ia relativamente bem até que o patrão decide demitir alguns funcionários alegando contenção de custos. Sim! Sandro estava entre eles…

 

Cansado de dar com a cara na porta de muitas empresas, Sandro via a situação da família piorar novamente, quando seu irmão Carlos, seguindo o mau exemplo do pai, também veio a falecer vítima do alcoolismo.

 

Sandro tentou, por inúmeras vezes, porém sem sucesso, se empregar na maior empresa da cidade, que era uma fábrica de tecidos. A situação já estava ficando desesperadora e sem saber mais o que fazer para diminuir um pouco o sofrimento da mãe que trabalhava dia e noite para manter as contas do lar, Sandro resolve pedir socorro à sua vizinha que trabalhava como sacoleira e vendia de roupas de porta em porta. Sandro então passa a vender roupas, indo de casa em casa. Não ganhava muito, mas pelo menos já dava para complementar um pouco o orçamento familiar. Nessa época eu trabalhava na loja de discos do meu pai e Sandro era sempre minha companhia no pão com mortadela da tarde. Vendo o esforço do amigo para a venda de peças, sempre que podia, eu acabava adquirindo um camisa, mesmo não precisando, era uma forma de contribuir.

 

Foi durante sua labutagem e correria, rodando toda a cidade vendendo roupas que Sandro conheceu Aline, uma jovem educada, morena de olhos verdes cintilantes, que logo fisgou o coração de Sandro. Por uma dessas obras do destino, essa jovem menina trabalhava como caixa na mercearia que Sandro acabara de ser demitido. Sandro, mesmo não sendo um primor de beleza externa, possuía lá seus atributos e estava disposto a lutar pelo amor de Aline. No natal Sandro me procurou, disse que precisa comprar um presente para Aline, não sabia o quê, só sabia que os recursos eram parcos. Sugeri a Sandro que comprasse um cartão, é uma coisa simples, mas que toca qualquer coração. Na época, um modelito de cartão inspirado nos cartão de crédito, era matador. Não deu outra a morena era sua…

 

Depois de algum tempo nessa labuta de sacoleiro, veio o acontecimento que mudaria a vida de Sandro. A filial de uma grande empresa de materiais de construção se instalaria na cidade e Sandro logo procurou os responsáveis pela contratação dos funcionários para tentar uma vaga entre os selecionados, a sorte de Sandro finalmente parecia mudar…

 

Sandro finalmente é chamado para trabalhar na empresa de materiais de construção, sua vida definitivamente deu uma guinada. Não recebia um salário fenomenal, mas daria para manter a nova família, já que Sandro decidiu se casar com morena de olhos verdes cintilantes. Com ambos trabalhando incessantemente, conseguiram erguer uma casa, que mesmo inacabada, seria o repouso dos dias de labuta.

 

Tudo ia bem na empresa de materiais de construção e Sandro se mostrava um brilhante vendedor, tinha uma habilidade impressionante de cativar os clientes e por mais que os outros vendedores se esforçassem, nenhum cliente queria ser atendido por outro que não fosse Sandro.

 

Isso acabou gerando um mal estar na empresa, já que o gerente, vendo que Sandro vendia uma quantidade infinitamente maior do que os outros funcionários, sempre recebia reclamações dos demais funcionários, dizendo que Sandro atrapalhava o trabalho deles. Sandro se sentindo um peixe fora d’água, e muito mal diante daquela situação, resolve procurar o proprietário da concorrente na cidade, e esse, já sabendo da habilidade e sucesso de vendas de Sandro, não pensou duas vezes para contratá-lo.

 

Sandro mergulha de cabeça no novo emprego, como recebia o salário, mais comissão, ano após ano, ele batia o recorde de vendas na empresa, anos-luz à frente do segundo colocado.

 

Finalmente Sandro estava estabilizado no emprego e recebia um salário que finalmente lhe proporcionou adquirir um carro, um Chevette 94, que andava sempre impecável.

 

Mas novamente o sucesso de Sandro começa a incomodar os demais vendedores, e, principalmente, sua gerente, que temendo o perder o cargo por causa desse sucesso, começa a espezinhar a vida de Sandro. Incomodado com a situação, Sandro me procura, relata o martírio vivido e diz que está querendo abrir o próprio negócio.

 

Me disse que tinha uma ideia para montar o negócio e me consultou para saber o que achava. Lembro perfeitamente de ter dito a ele que achava que ele deveria continuar no mesmo ramo, mesmo com todas as dificuldades e falta de recurso para montar um negócio próprio, era aquele ramo que ele estava acostumado a lidar, portanto o ideal seria montar algo no gênero, disse a ele para ficar despreocupado, todos os seus clientes o seguiriam. Mesmo com todas as dificuldades, Sandro decide montar o próprio negócio, tendo como sócio o companheiro que conhecera no restaurante onde quase sempre almoçava, quando solteiro.

 

Sim, Sandro venceu! Sua loja é um sucesso e mesmo sendo proprietário, Sandro nunca pôde simplesmente gerenciar, seu carisma faz com ele continue vendedor, pois seus clientes exigem isso. Não duvidem! Sandro consegue vender geladeira para esquimó.

 

Sandro tem uma família maravilhosa, suas filhas são lindas e sua esposa já não precisa mais trabalhar para contribuir com o rendimento da família. Sandro tem um bom rendimento, uma boa casa, tem um carro. Não um carro qualquer, um carrão importado. Mesmo com todo esse sucesso, Sandro nunca deixou de ser aquela pessoa humilde que conheci no início da minha adolescência, sim, ele merece como ninguém ter o sucesso que tem hoje, e eu me orgulho muito de ter podido acompanhar e ainda estar acompanhando sua trajetória de sucesso.

 

São exemplos de vida como esse que nos fazem acreditar na essência do indivíduo. No indivíduo que luta, que supera os obstáculos. Uma história de sobrevivência e de superação, de quem não perde a esperança de uma vida melhor, uma história real, que tinha tudo pra dar errado e deu certo. Sandro poderia viver uma vida de lamúrias ou simplesmente colocar a culpa no destino pelos infortúnios da sua vida, mas decidiu que seria protagonista da sua história.

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].

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