Leia também...

Leia também...
Homo Sapiens x Homo Cyber

Leia também...

Leia também...
O Humor nos Tempos do Cólera

Leia também...

Leia também...
Os 10 Mandamentos da Vida Virtual

Leia também...

Leia também...
Santos Reis

O Encouraçado Potemkin: Revolucionário em Todos os Sentidos

sábado, 23 de abril de 2011

 

Encouracado_Potemkin_Invicioneiros 

“O espírito da agitação espalhou-se pela terra Russa. Um processo imenso e misterioso fez-se ativo em inúmeros corações. O indivíduo fundiu-se com a massa e a massa foi tomada pela tempestade.”

[Leon Trotsky, epígrafe original do filme “ O Encouraçado Potemkin”]

 

 

Tenho a honra de trazer até aqui, “O Encouraçado Potemkin” [Battleship Potemkin, 1925, Rússia], um clássico do cinema mundial de imensurável valor histórico, dirigido pelo cineasta russo Sergei Eisenstein [1898 - 1948], contratado pelo governo de Josef Stálin para retratar um dos episódios  da Revolta Russa de 1905, como propaganda dos ideais revolucionários do regime comunista.

 

Ainda que o filme esteja em domínio público e com algumas adequações para “não chocar o novo público”, o You Tube, de forma muito consciente, autorizou a postagem do filme na íntegra, com os seus 74 minutos, muito além dos 15 minutos que geralmente autoriza. Atitude louvável, pois quem ganhou com isso são os amantes do Cinema, da História e da Cultura!


Baseada em fatos reais, a história contada neste filme é de uma dramaticidade épica: em 1905, o império russo, um gigante cheio de problemas, acabava de ser derrotado para o Japão na Guerra da Manchúria. O país engatinhava em seu desenvolvimento industrial, com um governo autocrático e com o poder centralizado nas mãos do Czar Nicolau II. Assim, os marinheiros oprimidos de um navio de guerra do Czar, rebelam-se contra a tirania de seus comandantes e tomam de assalto o controle da embarcação. A população da cidade de Odessa, nas margens do Mar Negro, sentindo empatia pela causa dos amotinados, apoia o levante. No entanto, as forças repressoras do império czarista, reprimem violentamente a manifestação popular.

 

Ainda que seja um filme mudo, mas com uma direção, fotografia e música primorosas [apesar dos recursos da época], é uma aula de cinema. A cena mais famosa do filme foi realizada nas escadarias de Odessa, quando um carrinho de bebê escorrega pelos degraus sob os disparos efetuados pelos policiais da guarda imperial e um marinheiro arrisca a sua vida, conseguindo salvar a criança [a metáfora da revolução popular salvando o futuro da nação russa?]. Por causa desta cena famosa, o cineasta norte-americano Brian de Palma prestou uma homenagem a Eisenstein, com o carrinho do bebê, que também despenca numa das escadarias do metrô de Chicago, sob fogo cruzado entre os mocinhos e os mafiosos, em “Os Intocáveis” [The Untouchables, 1987, EUA].

 
Naquele contexto, na recém-instalada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas [URSS], o cinema é mais um instrumento de difusão dos ideais revolucionários. Em "O Encouraçado", a ideologia de Eisenstein se faz presente em cada fotograma. Entretanto, não na forma panfletária stalinista/bolchevique contra o czarismo reinante, para o qual foi encomendado e sim, como o retrato da intolerância humana, de qualquer origem, governo ou período histórico.

 

Sergei Eisenstein era um artista e um revolucionário em todos os sentidos. E por isso o filme sobreviveu, de forma tão poderosa, porque estava impregnado de uma visão global, de uma urgência para falar alto sobre o mundo e, mais do que isso, transformá-lo numa realidade muito além da retórica revolucionária socialista. A obra se confunde com o seu criador. O cineasta russo foi um inovador, vanguardista, praticamente o inventor da técnica da montagem cinematográfica que temos hoje.

 

Muito além de uma propaganda estatal ideológico-partidária, “O Encouraçado” retrata de forma romântica um dos incidentes de 1905, na conturbada Rússia de um Czar indiferente ao sofrimento de seus súditos [o filme pode ser considerado a parábola de um movimento democrático contra o autoritarismo governamental].

 

É considerado uma obra-prima da história do cinema, que estabeleceu padrões para a montagem narrativa.

 

 

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Feed
Gostou desse Artigo? Então deixe um comentário, assine nosso Feed ou receba os artigos por email

2 comentários :

Postar um comentário

# Antes de comentar, leia o artigo;
# Os comentários deverão ter relação com o assunto;
# Pode criticar a vontade, inclusive o blogueiro;
# Comentários ofensivos ou pessoais serão sumariamente deletados;
# As opiniões nos comentários não refletem a opinião do blog e são de inteira responsabilidade dos seus autores;