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Santos Reis

Quero Ser Omar Kháyyám

segunda-feira, 11 de abril de 2011

 

Omar_Poeta_Persa

 

Você, caro leitor, já deve ter assistido ou pelo menos ouvido falar do filme “Quero Ser John Malkovich” (Being John Malkovich, EUA, 1999), estrelado por John Cusack, Cameron Diaz e o próprio John Malkovich, no papel de si mesmo. É imperdível!

 

Eu, por algumas vezes, já pirei de me imaginar sendo uma destas figuras intrigantes em várias fases da minha vida: Bruce Wayne (dos 5 aos 7 anos), Speed Racer (dos 8 aos 10), Éder Aleixo de Assis (dos 11 aos 13), Michael Jackson (dos 14 aos 15), Elvis Presley (aos 16), Lenny Kravitz (aos 22), Edmundo Alves de Souza Neto (aos 25), Rocco Siffredi (oops!), e claro: Paul Macca!

 

Mas no “dream team” acima, eu omiti um nome, que não é tão “pop” quanto os demais, mas de uma importância na literatura mundial como poucos. Trata-se de Ghiyath Al-Din Abu'l-Fath Omar Ibn Ibrahim Al-Nishapuri Al-Kháyyám, ou simplesmente Omar Kháyyám (Nichapur, Pérsia, 1040 – 1125), grande matemático e astrônomo, além de ter sido um poeta, cuja obra fui conhecer aos 16, 17 anos, enquanto me aventurava pelos labirintos caleidoscópicos da poesia. Na época fiquei impressionado com os belos versos em ritmo eclesiástico e por sua visão da precariedade do destino humano, tendo sempre o vinho como bálsamo para a alma dolorida do poeta.

 

Omar Kháyyám (pronuncia-se “omáre xaián”) era um iluminista e ambientalista a frente de seu tempo e me fez ter uma outra percepção da existência humana, pelo seu desprezo às vaidades terrenas; pela busca de respostas no campo espiritual e pela exaltação à natureza.

 

Lembro de um Rubai (poema em quatro versos) que eu havia datilografado deste poeta persa e era o prefácio de meu portfólio de charges, caricaturas e outros imbondos de minha juventude:

 

A nossa vida é breve como um incêndio.

Chama, que um leve sopro apaga;

Cinzas, que o vento dispersa:

Eis a existência de um homem.

 

Omar_Poema_Tatuado

 

Acostumado aos poemas de gigantes da poesia ocidental, tais como Carlos Drummond de Andrade, Augusto dos Anjos, Oswald de Andrade, Fernando Pessoa, Charles BaudelaireAllen Ginsberg, Ian Curtis, Jim Morrison, Pablo Neruda, Alda Ghisolfi, Renato Russo, The EDN, etc, Omar Kháyyám, com a influência do islã e da rica cultura árabe, me fascina até hoje com os seus Rubaiyat (plural de Rubai):

 

Os sábios e os filósofos mais ilustres caminharam nas trevas da ignorância.
E eram os luzeiros do seu tempo...
Em suma, que fizeram eles?
Pronunciaram algumas frases confusas e adormeceram fatigados.

 

Há miríades de séculos, as auroras e os crepúsculos sucedem.
Há séculos e séculos os astros fazem a sua ronda de sempre.
Pise a terra com cautela...
Talvez o torrão que vais esmagar tenha sido o olho terno 

de uma bela adolescente.

 

Não pedi a vida a ninguém.
Esforço-me por acolher sem espanto e sem cólera
tudo o que a vida me oferece.
Partirei sem indagar.

Sim, partirei sem indagar o motivo da minha misteriosa estada neste mundo.

 

E esta é apenas uma pequena amostra do que me fez querer ser Omar Kháyyám, também...

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

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