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Santos Reis

O Dilema dos Laterais no Futebol Brasileiro

segunda-feira, 20 de junho de 2011

 

Você, caro leitor, se lembra de algum grande lateral (direito ou esquerdo) do time de seu coração, nos últimos tempos?

 

No meu time, o Atlético Mineiro, eu não lembro de nenhum nos últimos dez, quinze anos, que tenha brilhado no Galo. Talvez o Dedê, em 1997 e o Mancini, em 2002, que jogaram bem, mas não da forma brilhante quanto um Nelinho, Getúlio e Circuneghi, que atuaram nas décadas de 80 e anteriores.

 

Nelinho_Selecao_Invicioneiros

 

E da Seleção Brasileira? O último grande lateral que eu me lembre foi o Roberto Carlos.

 

O futebol, principalmente o brasileiro, assistiu a significativas transformações da década de 70 até agora. Embora o futebol é um esporte conservador por natureza e quase imutável, viu-se obrigado a passar por adaptações, na busca por esquemas táticos vencedores e inovadores (vide o Carrossel Holandês de 74).

 

Até a década de 70, início de 80, com a predominância do esquema 4-3-3, utilizavam-se os atacantes pontas, na direita e na esquerda do ataque. Os laterais, até então, eram jogadores que priorizavam a marcação, ajudando o miolo de zaga a conter as investidas dos pontas e do centroavante.

 

A partir de meados da década de 80 em diante, por causa do esquema 4-4-2, os times passam a utilizar apenas dois atacantes. As equipes, estrategicamente, já não ousam mais a jogar aberto com dois pontas, por causa do congestionamento no meio de campo, que além de propiciar solidez no sistema defensivo, trunca o meio de campo, forçando o time adversário ao erro. Daí surge a importância do novo lateral, que além de marcar, tem de ter técnica e fôlego suficientes para apoiar o ataque, com jogadas de “dois-um” e cruzamentos da linha de fundo, ao estilo dos antigos pontas (que outrora marcavam). O novo lateral, com o esquema 4-4-2, propicia abrir o jogo para as laterais do campo, sendo uma alternativa ofensiva, sem sobrecarregar o sistema defensivo, compensando as funções dos antigos pontas, tidos como arcaicos. O futebol perde um pouco do encanto, mas ganha em competitividade e resultados.

 

Na minha opinião é a posição mais exigida no futebol contemporâneo. O atleta tem que estar 100% técnica, física e psicologicamente. O lateral moderno tem de marcar bem, desarmando, ajudando a defesa; no ataque, tem de ser veloz, raciocinar rápido, chegar na linha de fundo e ter um ótimo cruzamento; e ainda voltar rápido para recompor a defesa, ufa! Uma função sobre-humana. E o pior: joga ao lado do alambrado, ao lado de sua torcida e do técnico, dependendo do tempo. Não há como fugir,  jogando no centro ou invertendo lado. Se no segundo toque na bola, errar o passe, a sua própria torcida se impacienta e afunda o jogador em seu inferno astral. E isso ocorre em todo os times, pequenos, médios ou grandes.

 

Os técnicos de futebol, atentos ao desgaste dos laterais, deslocam os volantes para cobrirem a descida do lateral (quando “desce”, o do outro lado fica) e delimitam o momento exato de realizar as suas Blitze sobre a defesa adversária, de acordo com as condições físicas dos laterais.

 

Mas se conseguir ter confiança o bastante em seu futebol, o lateral é praticamente meio time. Grandes laterais tornaram-se, ainda no fim da carreira, em grandes armadores no meio de campo: Júnior (ex-Flamengo), Paulo César Bayer (Atlético-PR), Felipe (Vasco), são poucos mas significativos exemplos.

 

Se a preparação de goleiros no futebol brasileiro tem um grau de excelência digno de ISO 9000, é preciso que os clubes, desde a base, tenham uma atenção ainda maior com os laterais em potencial, pela sua importância no futebol atual.

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

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