Leia também...

Leia também...
Homo Sapiens x Homo Cyber

Leia também...

Leia também...
O Humor nos Tempos do Cólera

Leia também...

Leia também...
Os 10 Mandamentos da Vida Virtual

Leia também...

Leia também...
Santos Reis

O Presidente dos EUA

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

 

Vou relatar o que aconteceu comigo em 1981, quando eu tinha dez anos e cursava a 4ª série primária, em Contagem, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte.

 

ronald_reagan_invicioneiros

 

Naqueles tempos de vacas magras, a minha família não tinha TV em casa. Depois da aula e do almoço, o meu lazer era vender jornal para ajudar nas despesas domésticas.

 

E assim, aquele menino franzino peregrinava pelas ruas do Eldorado, vendendo o vespertino “Diário da Tarde” (que atualmente chama-se “Aqui”) no comércio e nos semáforos da João César de Oliveira.

 

Tempos difíceis mas divertidos. Mantinha-me informado do jeito que podia, ou seja: lendo as principais notícias dos jornais que eu vendia.

 

Certa vez, durante uma aula, Dona Delma, a professora da 4ª série, nos falava sobre os Estados Unidos da América, mas esquecera o nome do recém-eleito presidente americano. Não sei se por um lapso ou propositadamente, nada conseguia fazê-la lembrar do nome do bendito (ou maldito, sei lá!). A professora falava de uma forma em que procurava a ajuda de alguém.

 

Eu sabia o nome, na ponta da língua, mas fiquei receoso em responder e dar uma manota daquelas. Não queria correr o risco de ter que aturar a zoação de meus colegas.

 

Passados eternos dez segundos e vendo que a professora se afogava no turbilhão de seu esquecimento, eu me pus a salvá-la, como um herói numa tática suicida:

 

“Reagan!” - Disse eu, num tom firme e confiante.

 

A sala explodiu em risos cruéis. A professora, “ingrata”, também esboçou um sorriso, não sei se de alívio ou de sarcasmo mesmo...

 

“É ‘Rêigan’!” – Corrigiu-me um colega, pronunciando de forma correta e antipática.

 

Fiquei mudo como uma pedra e vermelho com um pimentão. Não ouvi um elogio sequer, além das risadas que ecoavam em meus ouvidos. Afinal, havia acabado de socorrer a professora e mereceria, pelo menos, uma medalha como o Muttley!

 

O detalhe jocoso é que eu pronunciei o nome da forma aportuguesada e paroxítona que lia nos jornais: “Re-a-gan”. Até então, não havia ouvido a pronúncia em inglês.

 

A professora, talvez com pena de mim, fez um gesto, meio que querendo escrever o nome no quadro negro (na verdade o sobrenome, pois o presidente republicano se chamava Ronald Reagan e, como Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, também era ator de cinema). Mas ela desistiu, às vezes imaginando que os alunos ficassem ainda mais confusos com a escrita e a pronúncia, pois naquele tempo em Contagem, as aulas de inglês eram ministradas a partir da 7ª série do ginasial, na rede pública de ensino.

 

Passados trinta anos daqueles tempos sem TV (sem internet, sem celular e sem Bolsa-Família), ironicamente, fui o único da classe a “dizer” o nome do presidente dos EUA, a partir das manchetes dos jornais que eu vendia todo o santo dia, depois da aula.

 

Eu sei que não pronunciei o nome do presidente estadunidense da forma correta (já ouvi três tipos de pronúncia de Reagan: “rêigan”, “urêigan” e “urígan”), mas fato é que se não era o único da classe que sabia o nome, fui o único a ter a coragem para arriscar a cobrar aquele “pênalti” aos 48 minutos do segundo tempo e me saí melhor que aquele atacante do River Plate...

 

Porém, pronunciar Reagan da forma que eu fiz em 1981, realmente foi hilário!

 

 

* [Crônica publicada na Folha de Paraopeba, edição de junho de 2011]

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Feed
Gostou desse Artigo? Então deixe um comentário, assine nosso Feed ou receba os artigos por email

2 comentários :

Postar um comentário

# Antes de comentar, leia o artigo;
# Os comentários deverão ter relação com o assunto;
# Pode criticar a vontade, inclusive o blogueiro;
# Comentários ofensivos ou pessoais serão sumariamente deletados;
# As opiniões nos comentários não refletem a opinião do blog e são de inteira responsabilidade dos seus autores;