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Santos Reis

O ENEM, o Colégio Christus e a Barafunda do MEC

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Algumas coisas que acontecem em nosso país são exemplos de uma incompetência absurda que beira o ridículo.

 

IDH_jbosco Imagem: jboscocartuns

 

Criado em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica. Podem participar do exame alunos que estão concluindo ou que já concluíram o ensino médio em anos anteriores.

 

O Enem é utilizado como critério de seleção para os estudantes que pretendem concorrer a uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni). Além disso, cerca de 500 universidades já usam o resultado do exame como critério de seleção para o ingresso no ensino superior, seja complementando ou substituindo o vestibular.

 
OBJETIVOS DO ENEM

O principal objetivo do Enem é avaliar o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica, para aferir desenvolvimento de competências fundamentais ao exercício pleno da cidadania. Desde a sua concepção, porém, o Exame foi pensado também como modalidade alternativa ou complementar aos exames de acesso aos cursos profissionalizantes pós-médio e ao ensino superior.
Este objetivo vem sendo atingido um pouco mais a cada ano, graças ao esforço do Ministério da Educação na sensibilização e convencimento das instituições de ensino superior (IES) para o uso dos resultados do Enem como componente dos seus processos seletivos. Muitas IES já aderiram.
Além disso, o Enem tem como meta possibilitar a participação em programas governamentais de acesso ao ensino superior, como o ProUni, por exemplo, que utiliza os resultados do Exame como pré-requisito para a distribuição de bolsas de ensino em instituições privadas de ensino superior.
O Enem busca, ainda, oferecer uma referência para auto-avaliação com vistas a auxiliar nas escolhas futuras dos cidadãos, tanto com relação à continuidade dos estudos quanto à sua inclusão no mundo do trabalho. A avaliação pode servir como complemento do currículo para a seleção de emprego.  [Fonte: http://portal.mec.gov.br]

 

Com vimos o o ENEM é algo que existe desde 1998, sendo que a partir de 2009 foi adotado o Novo ENEM, que em tese, seria o aperfeiçoamento do seu embrião lançado nos anos 90. O objetivo do MEC com a implementação do Novo ENEM seria a substituição do vestibular por uma prova unificada.

 

Segundo o professor da faculdade de Educação da USP Nelio Bizzo, o Enem foi proposto inicialmente para aferir a capacidade de raciocínio dos alunos, na tentativa de diminuir as desigualdades entre estudantes de escolas públicas e particulares.

 

É aceitável, até certo ponto, que no limiar de um novo projeto as coisas não saiam como planejado e precise de ajustes para correção de possíveis inconsistências. E também é óbvio que um país de dimensões continentais, a aplicação de um exame que envolva um milhares de alunos espalhados pelos mais diversos rincões ensejaria um planejamento mais refinado.  Mas o que vimos não são apenas inconsistências, mas erros constantes que acabam fazendo com que o exame caia em descrédito.

 

A título ilustrativo vamos as notícias sobre o Novo ENEM, desde que foi implementado:

 

2009

Na estreia do novo formato do Enem, a prova foi cancelada na madrugada do dia 1º de outubro de 2009 pelo MEC, após a divulgação de que havia sido furtada de uma gráfica em São Paulo e oferecida a uma repórter do jornal "O Estado de S. Paulo." O exame seria aplicado nos dias 3 e 4 de outubro. [G1]

 

2010

A edição do Enem do ano passado foi marcada por erros de impressão nas provas. O caderno amarelo com as provas de ciências humanas e ciências da natureza aplicado em 6 de novembro tinha perguntas repetidas, fora da sequência e até algumas questões de um outro modelo aplicado, a prova branca. Na folha de respostas, os cabeçalhos que indicaram as áreas de conhecimento estavam invertidos, na comparação com o caderno de questões.

 

Neste mesmo ano duas pessoas foram indiciadas por envolvimento no vazamento de informações pela Polícia Federal, em Juazeiro (BA). No segundo dia de exame, uma professora de Remanso (BA), que estava aplicando a prova, teve acesso a um texto de apoio da redação, depois que abriu um caderno de provas destinado a deficientes visuais. De acordo com a polícia, em depoimento, ela contou que, cerca de duas horas antes do início do exame, ligou para a casa de sua sogra, falou com o marido e passou o tema – "O trabalho e a escravidão" – que havia lido. [G1]

 

2011

O colégio e cursinho pré-vestibular Christus, um dos principais grupos educacionais do Ceará, distribuiu aos seus alunos apostilas com questões idênticas ou muito parecidas com as do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) uma semana antes das provas. Elas foram extraídas do pré-teste de 2010, que foi aplicado exatamente para criar um banco de questões futuras e não deveria ser público.

Em nota divulgada na tarde desta quarta-feira, o Christus afirmou ter um "vasto banco de dados" e que existe a possibilidade das questões caírem em "domínio público antes da realização oficial do exame", devido aos pré-testes. O Ministério da Educação (MEC) cancelou a prova dos 639 estudantes do colégio.  [IG]

 

Ou seja, desde que adotou o novo formato, o ENEM não passou incólume em nenhuma oportunidade. Os erros ficaram tão previsíveis que já virou rotina ouvirmos piadinhas sobre as possíveis falhas no período que antecede sua aplicação.

 

O que causa mais espanto é saber que “o sistema unificado de admissão às universidades não é algo novo no mundo, aliás, é algo que o Brasil começa a fazer com atraso em relação ao resto do mundo. Já é assim no Chile, no Japão, na China e em grande parte da Europa. Nos Estados Unidos, remonta a 1900 a formação de um colegiado das principais instituições de ensino superior para criar um exame único de admissão.”

 

Acho louvável a iniciativa de implementação de um processo seletivo diferente do vestibular tradicional, que tornou-se um martírio para os alunos ao longo dos anos, pois viviam atormentados pelo estresse do ingresso no ensino superior. Mas é preciso repensar o modelo de organização, pois as falhas constantes fazem com que o exame caminhe a passos largos para a completa  desmoralização, que seria um duro golpe e um retrocesso na modernização do modelo de ingresso à universidade.

 

Decerto que as constantes falhas apresentadas no ENEM além de atingir em cheio sua credibilidade, acaba por espalhar a insegurança entre os alunos, que se sentem apreensivos diante das constantes e desagradáveis surpresas que se sucedem ano após ano.

 

Não sei ao certo é que pode ser feito para remediar essa situação, mas é público e notório que as sucessivas falhas tornou-se a principal preocupação dos estudantes. O medo e a apreensão em relação à organização é que dá a tônica, o sonho virou pesadelo.

 

É profundamente lamentável a situação em que nos encontramos com relação ao ENEM. Dia após dia torna-se cada vez mais real que a professora Amanda Gurgel tinha toda razão quando disse em pronunciamento recente que a educação nunca foi prioridade no Brasil. E de fato continua não sendo.

 

 “A incompetência do MEC quanto à gestão do Enem vem aumentando o descrédito com a prova e embaraçando os sonhos de milhões de jovens brasileiros. O Enem, que surgiu como um meio para democratizar o ingresso à universidade pública, torna-se, a cada ano, um fiasco logístico, técnico e administrativo e de custo milionário aos cofres públicos." [O Estado]

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].

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