Leia também...

Leia também...
Homo Sapiens x Homo Cyber

Leia também...

Leia também...
O Humor nos Tempos do Cólera

Leia também...

Leia também...
Os 10 Mandamentos da Vida Virtual

Leia também...

Leia também...
Santos Reis

Crônica de um Daltônico

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

 

Se você está vendo um barquinho a vela na figura que ilustra este “post”: parabéns, você não é daltônico! Do contrário…

 

Daltonico_Harley_Coqueiro_Invicioneiros

 

[A crônica a seguir, foi publicada na recente edição da Folha de Paraopeba]:

 

Vivemos num mundo de imagens e símbolos, com cores dos mais variados matizes. Dentro deste contexto, uma pessoa que tem deficiência visual para distinguir cores, padece neste mundo de policromia. E tal pessoa trata-se de um daltônico. Trata-se, especificamente, deste humilde escriba.

 

O daltonismo é uma perturbação da percepção visual, caracterizada pela incapacidade de diferenciação de todas ou algumas cores. Esta anomalia tem normalmente origem genética, mas também pode resultar de lesões, tanto nos órgãos da visão quanto neurológicas. Tal distúrbio, que era desconhecido desde o século XVIII, recebeu esse nome em homenagem ao químico inglês John Dalton, que foi o primeiro cientista a estudar a anomalia da qual ele mesmo era portador. É observado com mais frequência em homens do que em mulheres, uma vez que esse problema está geneticamente ligado ao cromossomo X, em virtude do gênero masculino possuir apenas um cromossomo X [o outro é Y], enquanto o feminino possui dois cromossomos X. Em um indivíduo masculino, basta o seu único cromossomo X possuir o gene recessivo para que o mesmo seja daltônico.

 

Desde pequeno, eu percebia dificuldades em diferenciar, por exemplo, o azul do roxo. Tal limitação sempre me fez passar por situações embaraçosas. Antes nunca comentava com ninguém por achar que eu padecia de uma mera “preguiça” para distinguir cores.

 

Como a maioria dos daltônicos, cresci sem saber que era mais um, até o dia em que fiz os preparativos para tirar a carteira de motorista e no exame oftalmológico, a médica pediu para eu ler um número com pigmentos coloridos (no método conhecido como “Teste de Ishihara”). Nem lembro mais qual o número lido e ela logo sentenciou: “Você é daltônico!”.

 

Lembro quando certa vez numa gincana promovida pela CNEC de Caetanópolis, os alunos foram divididos em duas equipes: a azul e a amarela. Acabei fazendo parte da equipe azul e participei de todas as provas com uma camisa roxa, convicto de que a mesma era azul. Alguns acharam até que eu havia, dolosamente, trocado as cores por “razões clubísticas”. Porém, não foi bem isso…

 

Curiosamente, daltônico em inglês é “colorblind”, que numa tradução livre seria algo como “cegueira das cores”. Literalmente, eu digo que não está muito fora, pois a sensação é esta mesma: algumas cores não são “enxergadas” pelo portador de daltonismo.

 

Embora eu seja um autodidata no desenho, na adolescência eu decidi fazer aulas de pintura. Como só desenhava em preto [nanquim sobre papel], eu queria aprimorar a minha técnica, trabalhando com cores, e quem sabe, me tornar um pintor consagrado…

 

Porém, a experiência com as paletas não foi nada animadora: eu tinha sempre de contar com “assistentes” para me informar sobre as cores a serem combinadas!

 

Não obstante a lenda diga que Van Gogh seria daltônico (o que justificaria ao pintor holandês pesar a mão nas cores amarelas), eu não tinha o talento dele. Resultado: graças ao meu daltonismo, até então imperceptível, acabei desistindo de ser um pintor já nas primeiras pinceladas...

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Feed
Gostou desse Artigo? Então deixe um comentário, assine nosso Feed ou receba os artigos por email

3 comentários :

Postar um comentário

# Antes de comentar, leia o artigo;
# Os comentários deverão ter relação com o assunto;
# Pode criticar a vontade, inclusive o blogueiro;
# Comentários ofensivos ou pessoais serão sumariamente deletados;
# As opiniões nos comentários não refletem a opinião do blog e são de inteira responsabilidade dos seus autores;