Leia também...

Leia também...
Homo Sapiens x Homo Cyber

Leia também...

Leia também...
O Humor nos Tempos do Cólera

Leia também...

Leia também...
Os 10 Mandamentos da Vida Virtual

Leia também...

Leia também...
Santos Reis

Internetês e Miguxês, me inclua fora disso!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

 

Nunca fui muito adepto aos modismos, isso explica muita coisa sobre o fato de não tolerar muito os famigerados internetês e miguxês. Já li muita coisa a respeito, inclusive de docentes defendendo o direito à comunicação de todos, independentemente do modo como expressam.

 

internetes na sala de aulaImagem: Canal do Educador 

 

É claro, é direito de todos usar as ferramentas disponíveis como melhor lhe convierem, inclusive fazendo uso de elementos que ninguém sabe ao certo de onde e surgiu e onde vai parar. Ocorre que é meu direito também não querer usar e achar que certas pessoas também não deveriam, nesse caso, especialmente educadores.

 

Já vi alguns defendendo que o mais importante do que a forma de comunicação é o fato da pessoa comunicar-se, invocando inclusive o tal preconceito linguístico, para balizar tão conceito.

 

Penso que estou na contramão da história, acho tão bacana a pessoa que sabe usar bem o nosso idioma e, penso eu, isso deveria ser feito em todas as situações, pois todos só têm a ganhar. Acho que, por enquanto, não são aceitos os termos “miguxanos” e “internetanos” em concursos e provas. Eu disse por enquanto, porque não duvido nada se em breve aparecer um novo acordo ortográfico incorporando tais termos ao nosso idioma.

 

Alguns me acham radical e retrógrado, dizendo que temos que nos adaptar aos “novos tempos”, que querendo ou não isso já está arraigado no nosso convívio, ou aprendemos a lidar com isso ou estaremos fadados a não obter um canal de diálogo com os jovens. Cada dia que passa eu entendo menos a cabeça desse povo.

 

É bem verdade que as gírias não são invenções recentes, e, tais termos, nada mais são do que novas gírias, senão vejamos: segundo a Wikipédia “gíria é um fenômeno de linguagem especial usada por certos grupos sociais pertencentes à uma classe ou a uma profissão em que se usa uma palavra não convencional para designar outras palavras formais da língua com intuito de fazer segredo, humor ou distinguir o grupo dos demais criando uma linguagem própria (jargão).É empregada por jovens e adultos de diferentes classes sociais, e observa-se que seu uso cresce entre os meios de comunicação de massa.”

 

Sobre o efeito desse fenômeno no aprendizado, vemos que entre os especialistas também não há um consenso:

 

Eduardo Martins, autor do Manual de Redação do jornal O Estado de S. Paulo, olha com reservas o fenômeno. - “O aprendizado da escrita depende da memória visual: muita gente escreve uma palavra quando quer lembrar sua grafia. Se bombardeados por diferentes grafias, muitos jovens ainda em formação tenderão à dúvida – alerta”.

O Sírio Possenti, professor de lingüística da Unicamp, assegura que não existiria fator de risco. - “Uma coisa é a grafia; outra, a língua. Não há linguagem nova, só técnicas de abreviação no internetês. As soluções gráficas são até interessantes, pois a grafia cortada é a vogal. A palavra "cabeça", por exemplo, vira "kbça", e não "aea". A primeira forma contém os fonemas indispensáveis ao entendimento”. [Revista Língua]

Já  o professor de português Sílvio Luís Bedani, do Colégio Marista Arquidiocesano, em São Paulo, argumenta que com certa preocupação: - “A internet acostuma o usuário a lidar com as várias linguagens e mídias, o que ajuda dentro da sala de aula. O "multiletramento", como chama Bedani, que a internet proporciona faz do aluno um produtor de texto criativo. Ou seja, a web não é vilã nessa história. Tudo é uma questão de medida.

Mas "o aluno abre mão de tudo para ficar no computador", lamenta. A consequência é notada quando se precisa escrever textos argumentativos. Ele simplesmente não tem base, porque se afastou dos jornais e das obras de ficção. "O estudante não costuma ter conhecimento de mundo. O mundo dele é o vídeo-game e a internet." [Terra]

 

Particularmente não gosto do uso de tais termos, assim como bem frisou o professor Eduardo Martins, também sou de opinião que o uso excessivo pode ocasionar dúvidas em relação a grafia correta da palavra, quando de uma prova, redação ou concurso. Os que defendem o uso dos termos alegam que é importante a escola ensinar a diferenciar o emprego da linguagem de acordo com as situações.

 

Segundo o Relatório de Monitoramento de Educação para Todos de 2010, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a qualidade da educação no Brasil é baixa, principalmente no ensino básico. [Estadão]. Ora, se as escolas não estão conseguindo prover os alunos do aprendizado básico, como iremos exigir que os educadores introduzam elementos para diferenciar o uso de tais termos de acordo com a situação?

 

O Brasil ocupa o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados (PISA). Mesmo com o programa social que incentivou a matrícula de 98% de crianças entre 6 e 12 anos, 731 mil crianças ainda estão fora da escola (IBGE). O analfabetismo funcional de pessoas entre 15 e 64 anos foi registrado em 28% no ano de 2009 (IBOPE); 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler (Todos pela Educação); 20% dos jovens que concluem o ensino fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam o uso da leitura e da escrita (Todos pela Educação). Professores recebem menos que o piso salarial (et. al., na mídia). [Brasil Escola]

 

Como vimos a situação da educação no Brasil renderia outro post, mas o intento deste escriba que vos fala não é analisar tal questão, mencionei os dados apenas a título ilustrativo para respaldar minha opinião divergente em relação ao emprego da linguagem da internet. Se o sujeito que faz uso do internetês e miguxês, mas tem plena consciência da restrição do uso apenas em redes sociais e comunicação informal, tudo bem! Mas na prática não é isso que vemos, atualmente é muito comum professores se depararem com tais termos em redações escolares e muito provavelmente em concursos públicos.

 

Recentemente minha esposa ficou pasma ao conversar com uma tia, Diretora de Escola,  no Facebook e ela abusar dos termos habitualmente usados na internet. Particularmente tenho lá minhas dúvidas se é correto um educador “entrar na onda” desses modismos habituais em nome da facilidade de interação. Como bem preceitua o adágio popular “o bom exemplo é sempre mais eficaz do que o melhor conselho”.

 

Definitivamente eu tenho a maior dificuldade em entender o que alguns jovens falam na internet, dia desses, conversando com uma sobrinha, tive que pedi-la que traduzisse a mensagem que ela havia me enviado. Para os anacrônicos como eu, saibam que alguém já criou um tradutor denominado Miguxeitor, que traduz textos para o miguxês arcaico, moderno e neo-miguxês.

 

Enquanto isso, nós continuamos longe de atingir a meta de alfabetizar todas as crianças até os 8 anos de idade e carregando o fardo de um baixo desempenho no IDEB. Com o índice de aprovação na média de 0 a 10, os estudantes brasileiros tiveram a pontuação de 4,6 em 2009. A meta do país é de chegar a 6 em 2022. [Brasil Escola]

 

É bom seguir algumas dicas importantes:

 

1. Diversidade. A internet tem muito mais recursos que bate-papo e redes sociais. Aproveite para estudar, ler notícias, artigos acadêmicos, baixar livros.

2. Confiabilidade. Na rede, qualquer um escreve o que quiser. Desconfie, investigue e procure outras fontes.

3. Exagero. Não deixe de ler um livro, conversar pessoalmente, ter atividades físicas para ficar online.

4. Zelo. Ao escrever na internet, você pode ter muitos leitores - mais do que na redação da escola. Por isso, capriche no texto. [Estadão]

 

De minha parte, mesmo ciente das limitações,  prefiro continuar tentando comunicar em uma linguagem mais formal. Mas respeito o gosto e as opiniões divergentes, afinal: “A finalidade da comunicação é fazer-se entender. Mas há quem prefira se desentender”. [Augusto Branco]

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].

Feed
Gostou desse Artigo? Então deixe um comentário, assine nosso Feed ou receba os artigos por email

4 comentários :

Postar um comentário

# Antes de comentar, leia o artigo;
# Os comentários deverão ter relação com o assunto;
# Pode criticar a vontade, inclusive o blogueiro;
# Comentários ofensivos ou pessoais serão sumariamente deletados;
# As opiniões nos comentários não refletem a opinião do blog e são de inteira responsabilidade dos seus autores;