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Santos Reis

O Twitter e sua eterna crise de identidade

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

 

Não é de hoje que o termo rede social passou a fazer parte do nosso convívio, sua origem remonta mais precisamente do ano de 1997 com o lançamento do Sixdegrees, que segundo o site do Correio Braziliense foi o primeiro site a possibilitar a criação de um perfil virtual combinado com o registro e publicação de contatos, o que viabilizou a navegação por perfis alheios.  As redes sociais como as conhecemos hoje, com milhões de usuários em todo o mundo, iniciaram suas atividades a partir de 2003. MySpace e Orkut foram as primeiras.

 

duvida-twitter[4]

 

Segundo o site Mestreseo: As redes sociais são formas de compartilhamento de informações, gostos e idéias entre usuários com os mesmos gostos e estilos.

 

Parece que esse escriba que vos fala sempre se equivocou no conceito ao ter o twitter como uma rede social. Para mim, o twitter  era uma rede de relacionamentos, onde pessoas ofereciam e buscavam interação e conteúdo.

 

Muitos dos que frequentam o twitter o têm como uma rede social e muitos outros especialistas também assim o consideram. Porém isso não é unanimidade e encontra várias correntes contrárias. A própria definição de rede social possui várias nuances senão vejamos:

 

# Redes Sociais são estruturas sociais virtuais  compostas por pessoas e/ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns na internet. [O Gestor]

# Redes Sociais são o meio onde as pessoas se reúnem por afinidades e com objetivos em comum, sem barreiras geográficas e fazendo conexões com dezenas, centenas e milhares de pessoas conhecidas ou não.[Administradores]

# Rede social é uma estrutura social composta por pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns. Uma das características fundamentais na definição das redes é a sua abertura e porosidade, possibilitando relacionamentos horizontais e não hierárquicos entre os participantes. "Redes não são, portanto, apenas uma outra forma de estrutura, mas quase uma não estrutura, no sentido de que parte de sua força está na habilidade de se fazer e desfazer rapidamente." [Wikipédia]

 

Já o conceito de mídias sociais, que segundo a Wikipédia, precede a Internet e as ferramentas tecnológicas - ainda que o termo não fosse utilizado. Trata-se da produção de conteúdos de forma descentralizada e sem o controle editorial de grande grupos. Significa a produção de muitos para muitos.

 

Porém, é natural que quando não existe uma definição consensual sobre algo  sempre há pessoas tentando dar alguma categoria para aquele “treco”. Neste ínterim o twitter é um bom exemplo disso. Percebe-se que não existe um consenso na definição deste serviço, uns o consideram uma rede de relacionamentos interpessoal, já outros o definem como uma mídia social e ainda existe um outro grupo que consideram que ele não é um nem outro.

 

Por analogia, penso que o twitter é na verdade uma mídia social, já que é a definição melhor se encaixa no que atualmente vemos por lá. Porém também não tenho essa certeza.

 

Para mim,  já algum tempo o twitter deixou de ser uma rede que integra pessoas, para ser uma rede de negócios e como tal os relacionamentos nesse espaço cada dia se tornam menos informal e mais profissional.

 

Em recente visita ao Brasil Biz Stone, um dos fundadores do Twitter, afirmou em coletiva para a imprensa que não vê o serviço como uma rede social. Para ele, numa rede as pessoas precisam seguir as outras e serem seguidas por elas, trocando informações. E não é exatamente isso que ocorre no Twitter.

 

Ok, o twitter parece passar por uma crise existencial constante, onde grande parte dos  frequentadores não sabem exatamente o querem ao aderirem o serviço. Alguns pensam em expandir relacionamentos e conhecimentos, outros em se auto promover, outros em promover seus produtos e ainda existem aqueles que até hoje não sabem pra quê entraram.

 

Fato é que, pra mim, que frequento esse minifúndio midiático desde os idos anos de 2007, é perceptível as mudanças ocorridos nos usuários deste serviço. Anteriormente era comum a troca de informações e interação, atualmente isso já não acontece com a mesma frequência. A maioria prefere utilizar o twitter como ferramenta de negócios.

 

Admito porém que não sinto a mesma atração de antes pelo twitter e pela forma com que as pessoas o moldaram, gosto de interagir e expandir meus horizontes e, atualmente, isso não acontece com naturalidade no twitter. Até mesmo os antigos contatos que fiz quando do meu ingresso parecem não ser os mesmos, simplesmente deixaram se contaminar pela onda avassaladora da unilateralidade, pra não dizer egoísta. Gostava mais da fase fetal do serviço, onde os relacionamentos eram muito mais humano.

 

Como bem definiu Aristóteles, "O homem é, por natureza, um ser social". É natural que as pessoas busquem diferentes formas para interagirem e expandir os relacionamentos, as redes sociais são, sobretudo, o reflexo desse desejo humano. Mas percebo que esse feeling interativo não é mais prioridade no twitter, as pessoas estão muito ocupadas divulgando seus negócios ou serviços e não têm mais tempo para interagirem.

 

Talvez seja essa carência afetiva que me  faz gostar cada dia mais do Google+/Google Plus, em detrimento ao twitter. Pelo menos por enquanto, os usuários deste serviço ainda dispõem de algum tempo para se dedicar à figura humana e a trocar informações.

 

Ainda me faço presente no twitter, porém não sei até quando. Admito que as coisas ali já não me apetecem mais.

 

Não e atoa que conheço diversas pessoas que possuem verdadeira ojeriza do twitter, entre alguns famosos também é comum a resistência. Indagado sobre o serviço o escritor português José Saramago sentenciou em 2008: “Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido".

 

Percebemos que as relações interpessoais no ciberespaço têm cada dia mais se deteriorado, alguns acabam se esquecendo que por trás de um perfil, existe uma figura humana, uma pessoa que como tal possui uma história, uma experiência, exemplos de vida que podem ser compartilhados. Não podemos perder de vista que:

 

“Cada grande inovação em informática abriu a possibilidade de novas relações entre homens e computadores: códigos de programação cada vez mais intuitivos, comunicação em tempo real, redes, micro, novos princípios de interfaces… É porque dizem respeito aos humanos que estas viradas na história dos artefatos informáticos nos importam” (Pierre Lévy, 1993:54).

 

É elementar que alguns cuidados básicos são necessários na interwebs, muitas pessoas não exatamente aquilo que aparentam ser. Criar um perfil imaginário emoldurado com características fictícias, infelizmente tornou-se habitual nesse espaço. Mas também não podemos pensar que todo mundo que habita as redes sociais é bandido. Com o tempo a gente aprender a diferenciar o joio do trigo e aproveitar melhor o que cada um oferece.

 

“É no anonimato do “lugar virtual” que se experimenta solitariamente uma nova sociabilidade. O viajante pode caminhar por diversas infovias até encontrar o grupo ou tribo com que mais se assemelha, ou informações. Ao encontrar sua tribo, o indivíduo fixa-se neste endereço eletrônico e passa a experienciar e compartilhar de um lugar simbólico e marcado por relações de pertencimento de caráter ideológico, afetivo, sexual ou racial” (Carlos Alberto F. da Silva, 2007).

 

Verdade é que,  pra maioria, pouco importa saber se o twitter é uma rede social, mídia social  ou o que quer que seja, já que dificilmente alguém vai mudar a forma de utilização por causa disso.

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].

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