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Piada Não É Coisa Para Ser Explicada

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

 

Uma piada não precisa ser recontada e muito menos explicada. Às vezes, nem entendida. O código de ética do humor é taxativo ao vedar ampla, geral e irrestritamente a explicação de uma anedota, por subestimar a inteligência do receptor.

 

Killing_Joke_Batman_Curinga_Harley_Coqueiro

 

Eu sou da corrente de que não existe piada ruim. O que pode ocorrer é a existência de um humorista sem carisma ou, do outro lado, um receptor com dificuldades de dedução, indução e audição (ou na pior das hipóteses: sem o mínimo senso de humor), o que pode transformar uma anedota em “pérolas aos porcos”. Oscar Wilde tinha razão quando disse que se o homem das cavernas tivesse descoberto o riso, o futuro da Humanidade seria outro...

 

Porém, podem haver exceções a este dogma: há momentos em que se faz necessária a elucidação de uma piada em face de “sutilezas contextuais”: fatos, hábitos e características culturais de um povo, etc. É o que ocorre quando nos deparamos com o sofisticado humor britânico que, por razões linguísticas, muitas vezes soa sem sentido para nós.

 

Certa vez bolei e publiquei uma piada na coluna Bola Murcha do jornal Supernotícia:

 

Piada_do_Leitor_Bola_Murcha_Harley_Coqueiro

 

Nesta piada ocorreu um detalhe interessante: todos os caras que gostam de futebol, entenderam o trocadilho entre beques (zagueiros) e Uzbequistão (ex-República Soviética), bem como a “filosofia de jogo viril” do técnico Felipão, na época técnico no Uzbequistão. Já as mulheres, até mesmo as que gostam de futebol, tiveram dificuldades em perceber o que havia de jocoso na piada. E tal fenômeno, creio eu, nada tem a ver com a percepção masculina ou feminina diante de uma anedota. Entendo que deve-se mais às informações e particularidades de um esporte que, no Brasil, ainda é mais direcionado para o público masculino.

 

E dentro do campo da percepção humorística, a Folha de Paraopeba publicou na edição de janeiro, uma charge minha e alguns leitores me procuraram, alegando que não entenderam o desenho, e eu, solícito, tive de explicar de que se tratava a cena “nonsense”, carregada de humor negro:

 

Charge_Harley_Coqueiro_RIP_PIP

 

A charge acima retrata, em tese, a sepultura de uma mulher que teve implantadas as próteses de silicone mamárias da marca francesa PIP – Poly Implantes e Próteses (eis a razão dos “dois montes”…). Tais próteses foram banidas do mercado, gerando inclusive a prisão do dono da PIP, sob a alegação de utilização de silicone de baixa qualidade e o risco iminente de vazamento, que pode ocasionar sérios riscos à saúde e até levar à morte.

 

Na lápide há uma brincadeira gráfica e fonética com RIP (sigla inglesa que significa “descanse em paz”) e PIP (nome da fábrica francesa).

 

É compreensível que algumas pessoas, à primeira vista, não terem entendido a “gag” e o “espírito da coisa”, em razão das informações e sutilezas contidas na charge. Mas isso me fez cair no “sepulcro da contradição”: às vezes, se faz necessário explicar uma piada, boa ou não…

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

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