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O Renascimento de uma Nação

segunda-feira, 9 de abril de 2012

 

 

A catástrofe histórica que se abateu sobre o Japão, combinando terremotos, tsunamis e acidente nuclear, completou um ano neste mês de março. Porém, mesmo depois de um cataclismo de dimensões cinematográficas, vimos a Terra do Sol Nascente reerguer-se em meio aos entulhos e à desolação.

 

japan 

Neste contexto, surge a capacidade nada surpreendente que o povo japonês tem para superar tragédias e traumas. Uma colmeia de abelhinhas de olhos puxados, onde todos se preocupam mutuamente e, juntos, empreendem um mutirão de reconstrução. Isto sim, é a mais completa tradução do espírito republicano. Japão, “Banzai”!

 

Já, pelas bandas de cá, o que nós assistimos nos envergonha. Só para ter uma ideia, reformam estádios onde o público não consegue assistir às partidas e duplicam rodovias sem o planejamento adequado e sem o cuidado com a segurança.

 

É fato: enquanto os japoneses fazem obras de recuperação em tempo recorde, aqui no Brasil, não conseguem melhorar sequer o que já está feito!

 

A lerdeza no cronograma de entrega das reformas nos estádios para a Copa de 2014, por exemplo, causou até um incidente diplomático: o arrogante secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, com uma “justificável deselegância”, ofendeu os agentes políticos do Brasil com uma expressão que doeu tanto quanto um “chute no traseiro”...

 

A duplicação na nossa BR 040 _ com um atraso de mais de 20 anos em seu início _ também não escapa das críticas. Quando as máquinas surgiram nos canteiros e os políticos alardearam a obra que estava para acontecer, a sensação era de que finalmente teríamos uma rodovia mais segura, mais moderna, mais funcional e mais inteligente.

 

Com a “conclusão” (!) das obras no trecho Sete Lagoas-Paraopeba, a expectativa cedeu lugar ao desalento. Caetanópolis e Paraopeba ficaram, inexplicavelmente, isoladas, com acessos bizarros, que certamente nos custarão muitas explicações aos nossos netos, se nada for feito para alterar esse quadro!

 

A famosa descida/subida da “Gineta” é outro exemplo do negligente planejamento viário por parte dos responsáveis técnicos da obra. Considerado o ponto mais crítico do trecho, conseguiram criar uma curva ainda mais perigosa que a outrora existente em sua descida. Sem contar que é gritante a necessidade de se construir uma 3ª pista no sentido da subida Sete Lagoas-Paraopeba (Ah, eu me esqueci: é só fazer um simples aditivo no contrato da obra e lá vão milhões e milhões dos contribuintes!).

 

Se no outro lado do mundo, o Japão renasce em meio ao caos, aqui, o caos se faz conveniente. Afinal de contas, do caos “made in Brazil” “verminam” as propinas para financiar as campanhas de muitos políticos inescrupulosos. E essa grana suja, logicamente, serve para comprar as almas dos eleitores incautos, que apenas assistem ao caos, “com a boca escancarada e cheia de dentes/ esperando a morte chegar”...

 

* Crônica publicada na Folha de Paraopeba, edição de março de 2012.

 

 

 

Bonus Track:

 

Charge_Harley_Coqueiro_Dilma_Base_Aliada

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

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2 comentários :

José Márcio disse... Responder comentário

O Japão sempre nos dando lições de civilidade. Uma pena que nossos governantes preferem desaprender.

11 de abril de 2012 10:45
Harley Coqueiro disse... Responder comentário

@José Márcio Realmente, uma pena!

11 de abril de 2012 11:29

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