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Santos Reis

Crônica de Paris

quinta-feira, 7 de junho de 2012

 
Escrevo este post diretamente de Paris. Trés bien! A belíssima cidade encantou-me com sua aura repleta da essência da antiguidade cultural e social. Berço de grandes movimentos que marcaram a história da humanidade, a capital francesa é deveras impressionante.
 
paris4

Passeei por vários lugares e, claro, não poderia me abster do turismo gastronômico, inspirado pelos quase brasileiros mas franceses Claude Troigros (Que Marravilha!) e Olivier Anquier (Diário de Olivier). Aproveitei-me do café da manhã ao jantar, este último sempre acompanhado das delícias de Dionisos, vinhos saborosíssimos que me permitiam harmonizações gastronômicas FAN-TÁSTICAS, como diria meu caro amigo Nilsão Tico.

Conheci certo senhor Villegagnon que sabia mais que o Google a respeito da França e de Paris. Contou-me sobre Edith Piaf, Charles Aznavour, Yves Montand, Joe Dassin,  Maurice Ravel e outros grandes nomes da música francesa, a “chanson”. Monsieur Villegagnon mostrou-me também os poemas de Rimbaud, de Verlaine, Mallarmé e Baudelaire. Contou-me das histórias de Alexandre Dumas pai e filho, de Balzac, de Simone de Beauvoir, de Camus, de Flaubert e de tantos outros nomes da literatura francesa que não caberiam nesse post.

Monsieur Villegagnon era gago. Tartamudeando o francês, dificultava-me o entendimento da língua de Émile Zola. Mas sua visão cultural sintetizava-me a França e, especialmente, Paris.

Percebia naquele senhor um olhar brilhante quando discorria sobre seu tema preferido, mas algo anuviava-lhe a íris quando lhe vinha a necessidade de falar sobre o povo francês. Achava que os franceses estavam perdendo a identidade. Nem presidente tinham mais. Era um títere comandado por uma mulher bonita, aliás, lindíssima. Dizia também da violência provocada por discussões étnicas, políticas e religiosas, que provocavam o medo no povo.

Interrompi-o para dizer-lhe que suas preocupações não procediam, na minha ótica. Ser governado por uma mulher não é tão ruim assim (inclusive já perdeu as eleições). Como brasileiro, sei bem isso. Quanto às manifestações de violência, por mais execráveis que sejam, é inerente à França ser palco de manifestações sociais que mudaram o mundo e certamente haverá o momento de paz novamente. É só lembrar da Revolução Francesa, como exemplo.

Monsieur Villegagnon abriu um sorriso e disse-me que minhas palavras o confortaram. Prometeu-me refletir a respeito delas, pois vinham de um brasileiro. E os brasileiros são as pessoas mais felizes do mundo, porque são otimistas sempre. Não acreditam no impossível e por isso sorriem.

Despediu-se de mim e seguiu vagarosamente pela rua acima. Observei-o caminhar com as mãos para trás, o que me lembrava meu saudoso pai. Monsieur Villegagnon virou a esquina, mas sua imagem permaneceu em minha retina. Não, não quis fazer essa rima, não propositalmente, mas acima de nosso querer, nossa mente nos trai e nosso muro de defesa cai. O lirismo nos invade ao lembrarmos pessoas queridas que fizeram em nossas vidas marcas indeléveis. E nessa cidade, tudo nos inspira, mesmo que, de fato, não estejamos nela e tudo não passe de divagações.

Nunca fui a Paris e, provavelmente, nunca irei. Mas fico imensamente feliz por saber que minha madrinha realiza agora, nestes dias, seu sonho... E isso, para mim, é algo fundamental: realizar sonhos.

Sonharei mais, então. Quem sabe um mundo melhor, quem sabe pessoas melhores, como Monsieur Villegagnon, quem sabe...


Simplesmente fantástica a sofrida e angustiada grande dama da música francesa

Aznavour é uma das vozes masculinas mais marcantes da história da música


O maior sucesso desse grande cantor que fez muito sucesso em terras brasileiras


Aliás, a letra de “Et si tu n’existais pas” é uma poesia belíssima, que merece ser lida.

Sobre o Autor:
The EDN

The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

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