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Santos Reis

A Tragédia do Sarrià

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

 

Historicamente, o Brasil participou de cinco conflitos armados internacionais: “Guerra da Cisplatina”, “Guerra do Prata”, “Guerra do Uruguai”, “Guerra do Paraguai” e a “Batalha de Monte Castelo”. Porém, na tarde de 5 de julho de 1982, o Brasil inteiro se sentiu como se tivesse perdido uma guerra. Tomou conta do povo brasileiro um sentimento de desolação equiparado ao de uma Alemanha e Japão, juntos, quando derrotados na Segunda Guerra Mundial, ressalvadas as devidas proporções...

 

menino_sarria

 

Faço menção à histórica “Tragédia do Sarriá”, na Copa da Espanha em 1982, quando uma das melhores seleções de futebol de todos os tempos foi incrivelmente eliminada por uma esforçada Itália, no antigo estádio do “Sarrià” (grafado originalmente desta forma), em Barcelona.

 

Claro que, até aquela copa, zebras desse tipo não eram nenhuma novidade: vide a Hungria, em 1954; e a Holanda, em 1974. Mas vá tentar explicar isso para um menino de onze anos, que sonhava tanto com aquela conquista!

 

Como poderia aquela seleção, com um futebol de plasticidade e genialidade dignas das obras de Picasso e Salvador Dalí, e com um “quadrado mágico” composto por Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico, ter sido eliminada daquela copa, quando havia um consenso mundial de que aquela era a seleção credenciada a conquistar o título?

 

Pois bem, a Seleção Canarinho buscava, na Espanha, a redenção: o título de "campeã moral" na Argentina, em 1978, quando a equipe da casa sagrou-se a vencedora, sob circunstâncias duvidosas, o que incomodava a comissão técnica e os craques brasileiros. O título na Espanha era a missão a ser cumprida.

 

Até aquele momento, a equipe, então comandada pelo mestre Telê Santana, fazia uma campanha indubitável. Vencera a ex-URSS, a Escócia e a Nova Zelândia. Apenas o destino, se calçasse chuteiras e entrasse em campo, poderia parar a nossa seleção...

 

E enfim, Waldir Peres, Júnior, Oscar, Luizinho, Leandro, Cerezo, Falcão, Sócrates, Zico, Serginho e Éder conheceriam o contra-ataque letal do destino. Na segunda fase, o Brasil enfrentaria os dois segundos colocados de seus respectivos grupos - a Argentina e a Itália - em uma triangular para avançar até a semifinal.

 

A Itália venceu a Argentina por 2 x 1 na primeira partida. Depois, no clássico sul-americano com a Argentina sob pressão, o Brasil venceu por 3 x 1 e despachou os “hermanos” para casa.

Chegava então a decisão do grupo. À Itália, por ter menor saldo de gols, só interessava a vitória. Desacreditada, a “Azzurra” boicotava a imprensa que, por sua vez, não economizava nas críticas à equipe. Ou seja, naquelas circunstâncias, o esperado era um “passeio” do Brasil, que dependeria de apenas um mísero empate para se classificar e enfrentar nas semifinais a Polônia.

 

Entretanto, o destino, desleal como um zagueiro limitado, colocou o nome de Paolo Rossi na história das copas. Então com 25 anos, o atacante viera de uma suspensão por manipulação de resultados e tivera a sua presença no grupo questionada. Rossi estava na Espanha pelo que havia produzido na Copa de 1978, com três gols na competição.

 

A estrela do craque italiano então começou a brilhar. Na hora certa (E que hora!). A equipe italiana venceu por 3 x 2 o Brasil e Paolo Rossi, que até aquela partida não havia marcado nenhum gol, transformou-se em herói nacional, sendo o autor dos três tentos que fizeram a “Azzurra” ser a protagonista de uma das maiores zebras em copas do mundo.

 

Na manhã seguinte, no Estado de Minas que eu vendia pelas ruas de Contagem, estampava a manchete que praticamente era idêntica às de outros jornais pelo mundo: "O dia em que o futebol morreu", lamentando o fato de que o pragmatismo e o espírito de competição venceram a arte e a criatividade.

 

E depois, como prêmio por essa façanha, a Itália seria a campeã, batendo a Polônia na semifinal e a Alemanha Ocidental na decisão, tendo Paolo Rossi como o artilheiro da competição.

 

Passados trinta anos, ainda não dá para esquecer essa decepção, mas claro que a “Tragédia do Sarriá” soa apenas como uma hipérbole futebolística diante de tantas tragédias cotidianas que assistimos por aí. Mas, como de todas as tragédias, o sábio é tirar lições para prevenir as futuras, faz-se necessária bastante consciência no momento de elegermos os nossos mandatários para que outras tragédias não se repitam mais...

 

*[Crônica publicada na Folha de Paraopeba, edição de agosto de 2012]

 

 

 

Bonus Track:

 

Charge_Harley_Coqueiro_Turfe_Paraopeba

 

**Charge publicada na Folha de Paraopeba, edição de agosto de 2012, retratando a corrida eleitoral de Paraopeba como uma paródia da corrida dos cavalinhos do Campeonato Brasileiro, exibida no programa dominical “Fantástico” da TV Globo. Na charge, os cavalinhos dos candidatos a prefeito de Paraopeba: Salésio Loch (DEM 25), Marcelo Uberaba (PSD 55), Waguinho da Rádio (PMN 33) e João Malaquias (PRB 10).

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

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