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Santos Reis

Uma Amostra das Inventivas Produções Musicais dos Anos 80 no Brasil

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

 

Apreciador e pesquisador da música pop produzida no Brasil na década de 80, resolvi postar, por amostragem, três hits daquela década que mostram não apenas o talento de seus compositores, mas um detalhe que quase sempre passa desapercebido pelos ouvintes: o Toque de Midas de um bom produtor musical.

 

Fita_Cassete_K7_Harley_Coqueiro

 

Para quem gosta de música pop e teve a oportunidade de acompanhar o boom das produções musicais dos anos 80 no Brasil, é inevitável a comparação com o que se produziria nas décadas seguintes e, principalmente, atualmente. Mas não quero aqui fomentar discussões fúteis sobre gostos e produções musicais de décadas distintas. Em momentos como esses, recorro ao poeta T. S. Eliot, que um dia pregou: “Cada geração deve prover a sua própria crítica”.

 

Até por que já não dá sequer para afirmar se hoje existem produções pop (criou-se o rótulo pop rock para abarcar produções menos hardcore), com o predomínio da música sertaneja (com as suas várias vertentes) e do funk suburbano carioca (que de funk, mesmo, não tem quase nada) sobre os demais estilos musicais no gosto popular.

 

A produção musical, a grosso modo, trata-se do “arranjo” de uma música, só que emoldurado pelos recursos e truques de gravação e de estúdio, de forma pessoal e estilística. A produção envolve engenharia de som, estudo de timbres, frases, ideias, experimentalismos, sutilezas, pontuações rítmicas, efeitos, mixagens, inserção de instrumentos, noções de minimalismo, contratação de músicos e técnicos de som, etc.

 

Por exemplo: a base de uma música seria um homem nu; a produção musical, a vestimenta black tie deste mesmo homem.

 

O Wikipédia define o que vem a ser um Produtor Musical:

 

Na indústria musical, um produtor musical ou produtor discográfico é o termo que designa uma pessoa responsável por completar uma gravação master para que esteja pronta para o lançamento. Eles controlam as sessões de gravação, treinam e guiam os músicos e cantores e fazem a supervisão do processo de mixagem.

Na primeira metade do século XX, o papel do produtor musical lembrava aquele do produtor cinematográfico, em que o produtor musical supervisionava as sessões de gravação, pagava os técnicos, músicos e os responsáveis pelo arranjo das músicas, e algumas vezes até escolhia material para o artista. Pela década de 1960, os produtores musicais pegaram um papel mais direto no processo musical, incluindo criar arranjos, cuidar da engenharia da gravação e até mesmo escrever o material. Através de tudo isso, os produtores têm tido uma forte influência, não apenas em carreiras individuais, mas no curso da música popular.

Hoje em dia, com a diminuição dos custos de material, aumento dos interessados na área e com o grande aumento de marcas, modelos e tipos de material, há cada vez mais home-studios e produtores caseiros. Muitos artistas tornaram-se produtores musicais sozinhos, e o contrário também já ocorreu: produtores viraram os artistas.

 

É verdade: com o avanço da tecnologia, os grandes estúdios ficaram raros, já que hoje com um software de fácil operação e uma ideia na cabeça, qualquer um, até mesmo sem ter muitas noções, consegue produzir músicas no seu quarto.

 

As três músicas a seguir, exemplificam a força de seus produtores, verdadeiros alquimistas do som.

 

Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens - “Como Eu Quero” .

Música produzida pelo genial e lendário Liminha para o 2º compacto da banda. Produção inspirada em “Save A Prayer”, do Duran Duran, e ficou tão boa quanto.

“Como Eu Quero” depois viria a fazer parte do álbum “Seu Espião”, lançado em 1984.

 

 

Os Paralamas do Sucesso “Óculos”.

Ska-rock produzido por outro mago das produções musicais: Marcelo Sussekind. A música faz parte do álbum “O Passo do Lui”, de 1984.

O resultado mataria de inveja a turma do The Police, cujo estilo musical o Paralamas foi acusado de copiar.

 

 

 

Titãs “O Quê”

Música também produzida por Liminha para o álbum “Cabeça Dinossauro”, lançado em 1986.

Funk “racha assoalho” (isso sim é Funk!) com vocais dadaístas e letra de poesia concreta de Arnaldo Antunes.

 

 

 

 

Bonus Track 1

 

Titãs “Sonífera Ilha”

Neste ska com hamonia e letra simples, o produtor Liminha lapidou um diamante sonoro. Embora sendo da fase inicial da banda (do álbum “Titãs”, de 1984), é sem dúvida uma das melhores músicas de seu repertório.

 

 

 

Bonus Track 2 

 

Gilberto Gil “Vamos Fugir”

Com a participação do The Wailers – banda que acompanhou ninguém mais ninguém menos que Bob Marley - esta produção de Liminha (sempre ele!) não ficou nada a dever aos reggaes clássicos do ídolo jamaicano. A música faz parte do álbum “Raça Humana”, lançado em 1984.

PS: Esqueça aquela versão chata do Skank

 

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

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