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Santos Reis

Clube do Coração

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

 

 

 

 

O que leva uma pessoa a torcer por um clube de futebol, a carregar no coração para o resto de sua vida uma instituição esportiva e a defendê-la sem nunca ter recebido nada em troca?

 

Torcedor_Harley_Coqueiro_Invicioneiros

 

Para os amantes do futebol, amores, profissões e até religiões, vêm e vão. Mas um clube de futebol, estando no auge ou em decadência, consegue uma fidelidade canina de seu torcedor, que às vezes beira a insensatez.

 

Geralmente, essa paixão surge na infância, ora por influências familiares, ora de amigos, mas principalmente, quando o clube encontra-se no auge, vencendo jogos e erguendo troféus. Habitualmente, gosta-se primeiro do time e depois do clube. Mas é antes de tudo, um sentimento espontâneo.

 

No meu caso, vou lhes contar como tudo começou. No fim da década de 1970, a minha família morava em Caconde, cidadezinha do interior paulista, na divisa com Minas. O meu pai viajou para a capital paulista e trouxe duas camisas do Atlético Mineiro: uma para mim, outra para o meu irmãozinho de seis anos. Eu tinha oito anos e confesso que à primeira vista não me entusiasmei com aquele presente: camisa alvinegra listrada igual às de juiz de futebol americano, um escudo simples, bordado com as iniciais CAM e, o pior, não era de nenhum clube paulista como as que os meus amiguinhos vestiam. Entretanto, era a primeira camisa de futebol que eu vestiria na vida!

 

O meu pai contou algumas histórias como as dos lendários goleiros Mão de Onça e Kafunga. E eu, no interior paulista, só ouvia os meus amiguinhos falarem de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. Até que num certo dia, eu e o meu irmãozinho, “vestidos a caráter”, fomos acompanhar o nosso pai a um supermercado de descendentes de italianos. Ficou gravada em minha memória quando o gerente perguntou ao meu pai, apontando para nós e com um sotaque italiano: “Essa é a camisa do Galo?” (!?).

 

Com a minha alma de menino, achei muito curioso um clube de futebol ser conhecido pelo seu mascote, ainda mais que em São Paulo, um dos mais importantes centros futebolísticos do Brasil, não se dava tanto destaque ao mascote como se dá ao clube mineiro, que é tão conhecido pelo seu mascote quanto pelo seu nome institucional. Além disso, trata-se o mascote de uma bela ave, carregada de simbolismo e misticismo, que representa a valentia, cujo canto personifica a liberdade e a esperança. Pesquisando sobre isso, vi que o chargista Mangabeira, na década de 40, não poderia ter sido mais feliz ao retratar o Atlético Mineiro em suas charges como um galo de briga, ressaltando a raça e a valentia de seus jogadores.

 

Em 1980, eu mudaria com a família para Contagem, na região metropolitana de BH. 1980? Ah, nesse ano o Galo montaria um de seus melhores esquadrões. E outra coisa me seduziria de vez: o belo hino do clube, composto por Vicente Motta, que de forma muito inspirada e genial, começa sendo cantado na primeira pessoa do plural (“Nós somos do Clube Atlético Mineiro/Jogamos com muita raça e amor.”), dando a ideia de coletividade, como se todos os torcedores também entrassem em campo para a peleja. Mas isso seria um bom tema para outras crônicas...

 

 

[Crônica publicada na Folha de Paraopeba – edição de setembro de 2013]

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

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