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Santos Reis

De criança para criança

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O Dia das Crianças se aproxima e com ele o já tradicional festival de presentes para os pequeninos. Não tem como passar por essa data e não se lembrar da nossa própria infância. De uma época em que nossa única preocupação era brincar, sem se preocupar com o tempo. Aliás, perdíamos a noção do tempo brincando e tais brincadeiras só eram interrompidas quando os pais recolhiam os amiguinhos.  Alguns mais exigentes dirão que as coisas evoluíram, e de fato eles têm razão, mudou muita coisa desde minha infância até os dias de hoje, e, tenho certeza, de muitas outras pessoas também.




Um fato que sempre me intriga são as músicas. Nos idos anos 80 foi a década em que apareceram grandes grupos infantis que transformavam em músicas  a realidade das crianças. Trem da Alegria, O Balão Mágico, Abelhudos e vários outros nomes compunham o casting dos sucessos infantis.

Era quase que obrigatório nessa época, nas festas de aniversário, além do tradicional brigadeiro, a animação de uma trilha sonora de alguns desses nomes citados.

Evidentemente que seria ingênuo da minha parte querer que tal realidade se repita no mundo atual, dominado pelos recursos tecnológicos. As crianças de hoje estão muito preocupadas com seus gadgets, smartphones e demais engenhocas modernas, que sequer sobra  tempo para valorizar músicas e artistas. Ainda que, nesses aparelhos, seja possível e comum a presença de músicas, que nem de longe possuem a qualidade de outros tempos. Na realidade não existe mais música feita pra crianças, todos, com todo respeito, ouvem apenas lixo musical descartável e de gosto muito duvidoso.

A globalização proporcionou grandes avanços, isso já é público e notório. Também não podemos negar que nossa qualidade de vida melhorou se comparado, por exemplo, a realidade das famílias brasileiras dos anos 80. Mas sinto também que estamos perdendo um pouco do hábito do convívio, obcecados pelos encantos dos videogames, tablets e smartphones. As crianças de hoje estão perdendo o hábito de brincar como crianças. De ouvir músicas de criança, de curtir esse tempo maravilhoso que nunca mais volta. Posso estar equivocado, mas em algum momento da vida, as crianças de hoje pagarão um preço muito alto por não terem tido infância de verdade.

Quanta saudade, meu filho é criado em um muro de 6 metros, nem rua vê. Não podemos deixar brincar na rua, nem passeio e muito menos frequentar a casa do vizinho. Tenho pena dessa geração infantil. Ainda podemos deixar um grande espaço de lote nos fundos de casa, onde tem várias frutas plantadas e ele tem esse acesso, mas é a minoria. Amiguinhos dele não têm coragem de pisar na terra, medo de machucar. Não sabem o que perdem, vivem na selva de pedra dos prédios, enclausurados em seus ricos e belos apartamentos e não sabem de onde vem o leite, o doce e muito mesmo as frutas. Alguns nem gostam de frutas, pois elas são sem gosto quando compradas no mercado. [Silvia Leticia Carrijo de Azevedo Sá]



Mas voltemos ao assunto música. Se você se atentar ao vídeo acima, perceberá claramente que houve um tempo em que criança fazia música para criança, e, através das letras, transformavam o cotidiano, muito comum a várias crianças, em músicas. Tais grupos atraiam não só pela qualidade musical, mas também pelo fato de serem interpretadas por outras crianças.

Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, particularmente nas décadas finais do século XX, confirmam que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebê, ainda no útero materno, desenvolve reações a estímulos sonoros. [Monique Andries Nogueira]

A realidade musical do universo infantil atualmente é bem diferente. Não vemos mais músicas infantis com a mesma intensidade, elas ainda existem, mas numa proporção muito menor e num universo também muito mais restrito. A maioria das crianças de hoje ouvem o que os adultos ouvem, seguindo os maus exemplos dos pais.

Reconheço que sou um saudosista inveterado. Mas é inegável que a qualidade musical das crianças oitentistas era muito superior ao que vemos atualmente. E sabemos que a música, de qualidade, é um estímulo importante para o desenvolvimento da criança. Monique Andries Nogueira, Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo, faz o alerta: “não descuide do repertório. Isso pode parecer difícil, mas tente utilizar a mesma tática da boa alimentação: um fast food, de vez em quando, não faz mal a ninguém, desde que a nutrição básica seja feita por meio de uma dieta balanceada, rica em verduras, frutas, cereais e proteínas. Da mesma forma, os malefícios de se ouvir música descartável na TV podem ser minimizados se, em casa, você “nutrir” os ouvidos e cérebros de seus filhos com música rica, estimulante e de boa qualidade.”


Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.
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