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Santos Reis

Live And Let Die

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

 

Certa tarde, estava eu e a minha esposa assistindo ao “Nat Geo Wild”, canal da “National Geographic”, que exibe séries e documentários sobre o sempre instigante mundo selvagem. E eu, aficcionado por este tipo de programação, às vezes me pergunto se o que mais me atrai é o fascínio pela natureza ou o conforto de saber que, apesar de toda a maldade do civilizado bicho homem, não somos praticantes da cruel “seleção natural” de Darwin, apesar de caminharmos para isso...

 

Cleo Pires

 

Pois bem. Naquela tarde, o “Nat Geo Wild” exibia um interessante documentário sobre a vida dos leopardos no coração da África. Assistíamos ao drama de uma mãe leopardo que acabara de dar cria e que teve de se afastar do grupo para livrar o seu filhote das garras dos machos adultos que, instintivamente, matam os filhotes que não são os de sua descendência.

 

Seguindo o sagrado instinto maternal, a mãe leopardo teve de se esconder com o filhote numa pequena gruta de difícil acesso, o que, em tese, dificultaria ataques de outros leopardos, leões e hienas. Entretanto, a necessidade de se alimentar e assim poder amamentar o seu filhote, obrigou a mãe a deixá-lo momentaneamente na gruta para partir à caça de algum mamífero cervídio (veados, gazelas, etc) longe dali. Levar o filhote consigo, poderia expô-lo aos ataques de outros animais.

 

A produção do documentário, por sua vez, posicionou uma câmera para filmar os passos da mãe leopardo, e outra, para focalizar o filhote que brincava solitário na gruta, tal como uma inocente criança no berço, aguardando a chegada da mamadeira…

 

Entretanto, o local que a mãe julgava ser a fortaleza intransponível para a proteção de seu filhote, revelou-se ineficaz para impedir a entrada de uma píton constritora (semelhante à sucuri). De repente, não mais que de repente, enquanto a mãe leopardo tentava, sem sucesso, capturar alguma presa, o seu filhote sucumbia ao furtivo ataque da  faminta serpente...

 

Quando retorna à gruta, a mãe leopardo, além da frustração de não conseguir uma caça sequer, depara-se com a gruta vazia. Farejando, consegue chegar ao encalço da píton que não estava muito distante dali, carregando o peso do filhote de leopardo que jazia em sua barriga.

 

Diante daquela cena tétrica, eu não me contive:

 

“O cinegrafista filmou a cobra atacando o pequeno leopardo e nada fez para salvá-lo?”.

 

A resposta que ouço é desconcertante, perturbadora:

 

“Ninguém pode interferir: a natureza tem de seguir o seu curso.”. Ponderou friamente a minha esposa.

 

Embora tal assertiva soasse como um tapa no pé do ouvido, fazia um certo sentido: “Quantos filhotes e mães de filhotes essa mãe leopardo também não matou para saciar a sua fome?”.

 

Na verdade, a produção do documentário seguiu à risca aquela canção de Paul McCartney: “Live and Let Die” (“viva e deixe morrer”) - composta exclusivamente para o filme “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (GB, 1973) - embora a “insensibilidade” da equipe de produção deixou-me incomodado:

 

“Se fosse eu teria, pelo menos, espantado a cobra para longe dali… Afinal, desde quando o homem alguma vez se preocupou em deixar a natureza seguir o seu curso?”

 

 

Print

 

 

Bonus Track 1:

 

Trailer do filme “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (1973), estrelado por Roger Moore.

 

 

Bonus Track 2:

 

Paul McCartney tocando “Live and Let Die” em show no Brasil, em 2010.

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

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