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Santos Reis

Charge de Uma Morte Anunciada

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

 

 

 

As pessoas têm todo o direito de discordar do que eu penso. Mas, com o aval de Voltaire, não posso me furtar de postar a minha opinião sobre o lamentável atentado à famosa revista francesa de humor Charlie Hebdo, que resultou na morte de doze pessoas, dentre elas, quatro cartunistas - certamente o alvo dos assassinos.

 

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Quando eu era um menino, de uns doze, treze anos, o meu sonho era me tornar um cartunista, chargista profissional. Não me profissionalizei, sigo em outra profissão, mas tenho o prazer de colaborar com a função de chargista na Folha de Paraopeba.

 

Humoristicamente falando, tenho comigo que o humor em geral não é algo absoluto e, involuntariamente ou não, segue um “código de ética”, o famoso “politicamente correto”, tão execrado por boa parte da classe de comediantes. Entendo que não há o direito de se fazer uma charge de mau gosto ridicularizando quem possua alguma necessidade especial; quem seja de cor diferente da minha; quem não professe a minha fé; quem tenha outra orientação sexual, etc.

 

Eu digo isso pois o que aconteceu com a revista de humor Charlie Hebdo, lamentavelmente já estava anunciado. Todos, inclusive nós aqui do outro lado do Atlântico, sabíamos que as tais charges satirizando o profeta Maomé não iriam acabar bem. Não precisávamos ser profetas para saber que haveria um preço muito alto a ser pago pelas tais charges nem tão engraçadas, de gosto duvidoso e, pior: carregadas de enorme preconceito contra a religião islâmica (Maomé vestido de terrorista, por exemplo!).

 

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Pelo amor de Deus, não estou aqui defendendo as pessoas que cometeram as atrocidades na redação da revista parisiense, assassinando doze pessoas. Os assassinos têm de ser presos, julgados e condenados como manda a lei francesa. Mas daí, ridicularizar através de charges o maior ícone da religião islâmica, sabendo-se que existe uma ala radical (não é a maioria dos muçulmanos, diga-se de passagem) na própria Europa e disposta a tudo para defender a imagem de sua religião milenar, perdoem-me: é no mínimo insensatez e irresponsabilidade do editor da revista, por colocar a vida de colegas de trabalho, familiares e vizinhos em risco, culminando numa Jihad desnecessária...

 

Eu poderia muito bem me juntar ao coro da maioria. Mas não seria sincero da minha parte. Lamento apenas que não precisava ter chegado aonde chegou: uma Paris em prantos; familiares chorando os seus mortos e o humor gráfico perdendo quatro chargistas talentosos após um ataque insano e que pode gerar outros desdobramentos, tais como perseguições aos cidadãos de origem árabe na Europa…

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

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