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Santos Reis

Coração de Caçador

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

 

 

 

Certa vez, folheando uma revista sobre cinema, deparei-me com um título de um filme que me chamou muito a atenção: “Coração de Caçador”.

 

safari___leao_turismo

 

Esse filme, de 1990, com a direção e atuação de Clint Eastwood, narra as peripécias do consagrado diretor de cinema John Huston nos bastidores das filmagens de “Uma Aventura na África”, nos idos de 1950, quando o megalomaníaco diretor esteve muito mais interessado em matar elefantes no continente africano do que propriamente dirigir o filme.

 

Embora nunca tenha tido oportunidade de assistir ao filme “Coração de Caçador” (apesar de pouco conhecido, é apontado por muitos críticos como o melhor da carreira de diretor de Clint Eastwood), achei genial o seu título em português. Um achado com uma metáfora forte, selvagem, uma evocação aos nossos ancestrais caçadores. Conquanto também eu nunca tenha caçado nada nesta vida, conheci alguns caçadores, e tenho comigo que o coração de um deve pulsar assim mesmo: furtivo, instintivo, impiedoso, no compasso da dualidade da vida e da morte.

 

vhs-coraco-de-cacador-1990

 

A pessoa que teve a ideia de fazer a versão em português do título, conseguiu, no meu modesto entendimento, superar o título original (“White Hunter Black Heart”), que também é muito interessante e, traduzido, seria “Caçador Branco, Coração Negro”, numa referência aos cidadãos americanos anglo-saxônicos e os seus safáris nas savanas africanas.

 

E já que estou falando em safáris, como deve pulsar o coração daquele até então bem-sucedido dentista norte-americano, Walter Palmer, que, por um punhado de euros, pagou para ter o estranho prazer de, inadvertidamente, atrair, ferir, perseguir e matar o leão Cecil, símbolo do Zimbábue?

 

Afora as inúmeras manifestações de “protesto de nenhuma estima” contra o dentista americano, que, segundo ele, matou “um leão macho velho” (com a emenda saindo pior que o soneto), entendo que não deveria ser permitida a caça aos leões, elefantes ou a qualquer outro animal na face da Terra. Pagar para ter o prazer em matar um animal em seu habitat é algo que denuncia uma perversão, um desvio psiquiátrico. E nesse particular, o desejo do dentista Palmer se confunde com o do cineasta Huston: uma sensação de que o dinheiro confere poderes ilimitados e desenfreados para se decidir entre a vida e a morte de um animal indefeso. No caso da morte do leão Cecil, ainda há um agravante: os seus seis filhotes deverão ser mortos pelo novo macho alfa do grupo, com o fim de estimular as fêmeas para cruzamento. É a natureza seguindo o seu curso...

 

Lamentavelmente, ainda prevalece na Humanidade a convicção de que o poder econômico compra tudo e todos. Mas o quê aproveita ao homem ter o coração de caçador e a alma empalhada?

 

 

Leia também:

 

Dentista Americano é Acusado de Matar o Leão mais Famoso do Zimbábue

 

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