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Nem Só de Música Pop Viveram os Anos 80…

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

 

 

 

Já que o meu geriátrico saudosismo oitentista parece não ter cura, resolvi buscar na memória uma pequena amostra de filmes significativos dos anos 80, comprovando que aquela década não foi apenas de boa música pop, mas também de  filmes inesquecíveis que marcaram gerações.

 

intocaveis_invicioneiros_harley_coqueiro

 

[Coincidência ou não, nenhum aqui ganhou Oscar de  melhor filme no ano de seu lançamento…]

 

E como os trailers parecem ser ainda melhores que os filmes…

 

 

Os Irmãos Cara de Pau” [Blues Brothers – 1980]

Os musicais já haviam perdido o fôlego e este surgiu com um enredo bacana e muito divertido: dois ex-presidiários decidem reunir a sua antiga banda para angariar dinheiro com o objetivo de socorrer a creche onde foram criados e que se encontra à beira da falência. Nada a ver com o cafona “Flashdance”. São hilárias as participações de bambas como o “Padrinho do Soul” James Brown, Ray Charles, John Lee Hooker e da diva Aretha Franklin!

 

 

 

Mad Max” [Mad Max – The Road Warrior – 1981]

Nenhum filme futurista conseguiu pintar o futuro tão próximo da realidade quanto este. Angustiante, perverso e sarcástico, “Mad Max” abriu as portas do estrelato para o galã Mel Gibson.

 

 

 

E. T. – O Extraterrestre” [E. T. – The Extra Terrestrial - 1982]

Steven Spielberg fez este filme dirigido ao público infantil que, de tão bom, acabou tocando também o coração dos adultos. Detalhe genial: a câmera está a apenas 1 metro do chão, para que o telespectador possa se sentir como uma criança…

 

 

 

Blade Runner – O Caçador de Androides” [Blade Runner – 1982]

Clássico noir futurista com trilha sonora magistral.

 

 

 

Indiana Jones e o Templo da Perdição” [Indiana Jones and The Temple of Doom – 1984]

O mundo passa a conhecer um herói humanizado: invicioneiro, pirracento e que sente medo como qualquer mortal.

Steven Spielberg, para compensar a frustração de não poder dirigir um 007, pode ter dirigido o melhor filme de aventura de todos os tempos!

 

 

 

Um Tira da Pesada” [Beverly Hills Cop – 1984]

Já havia filmes com policiais negros como coadjuvantes, mas nada até hoje se compara a Axel Foley, o detetive gozador e folgado vivido por Eddie Murphy. Ação e risadas do início ao fim, com uma trilha sonora oitentista de arrebentar!

 

 

 

De Volta Para o Futuro” [Back To The Future – 1985]

O enredo “atemporal” deste filme é muito interessante e consagrou um pequeno gigante chamado Michael J. Fox.

 

 

 

A Garota de Rosa Shocking” [Pretty in Pink – 1986]

Eu não poderia deixar de citar filmes sobre adolescentes, na maioria dirigidos por John Hughes. Na década de 80 houve filmes sérios como “Clube dos Cinco”, “Conta Comigo”, “Footlose” e “Vidas Sem Rumo”. E também escatalógicos mas divertidos como “Porkys”, “O Último Americano Virgem”, “Gatinhas e Gatões” e “Curtindo a Vida Adoidado”.

 

 

 

Os Intocáveis” [The Untouchables - 1987]

Lembro quando este filme dirigido por Brian De Palma e estrelado por Kevin Costner, Sean Connery, Andy Garcia e Robert De Niro, esteve em cartaz no extinto Cine Rivello de Sete Lagoas. Causou um frisson que só seria igualado pelo megalomaníaco “Titanic”, mais de uma década depois.

 

 

 

Sociedade dos Poetas Mortos” [Dead Poetys Society – 1989]

Filme instigante para fechar com chave de ouro o cinema dos anos 80. A bela história de um professor transgressor vivido por Robin Williams, que faz a diferença na vida de seus alunos oprimidos pela ortodoxia de uma escola ultratradicional. Este filme tornou a frase “Carpie Diem” mundialmente conhecida.

 

 

 

[Bonus Track]:

 

Coração Satânico” [Angel Heart – 1987]

Filmaço de suspense dirigido por Alan Parker e estrelado por Mickey Rourke e Robert De Niro. Para quem tem obsessão pelo gênero [como este escriba…], poucos thrillers produzidos nas décadas seguintes alcançaram a qualidade de “Coração Satânico”.

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

O Encouraçado Potemkin: Revolucionário em Todos os Sentidos

sábado, 23 de abril de 2011

 

Encouracado_Potemkin_Invicioneiros 

“O espírito da agitação espalhou-se pela terra Russa. Um processo imenso e misterioso fez-se ativo em inúmeros corações. O indivíduo fundiu-se com a massa e a massa foi tomada pela tempestade.”

[Leon Trotsky, epígrafe original do filme “ O Encouraçado Potemkin”]

 

 

Tenho a honra de trazer até aqui, “O Encouraçado Potemkin” [Battleship Potemkin, 1925, Rússia], um clássico do cinema mundial de imensurável valor histórico, dirigido pelo cineasta russo Sergei Eisenstein [1898 - 1948], contratado pelo governo de Josef Stálin para retratar um dos episódios  da Revolta Russa de 1905, como propaganda dos ideais revolucionários do regime comunista.

 

Ainda que o filme esteja em domínio público e com algumas adequações para “não chocar o novo público”, o You Tube, de forma muito consciente, autorizou a postagem do filme na íntegra, com os seus 74 minutos, muito além dos 15 minutos que geralmente autoriza. Atitude louvável, pois quem ganhou com isso são os amantes do Cinema, da História e da Cultura!


Baseada em fatos reais, a história contada neste filme é de uma dramaticidade épica: em 1905, o império russo, um gigante cheio de problemas, acabava de ser derrotado para o Japão na Guerra da Manchúria. O país engatinhava em seu desenvolvimento industrial, com um governo autocrático e com o poder centralizado nas mãos do Czar Nicolau II. Assim, os marinheiros oprimidos de um navio de guerra do Czar, rebelam-se contra a tirania de seus comandantes e tomam de assalto o controle da embarcação. A população da cidade de Odessa, nas margens do Mar Negro, sentindo empatia pela causa dos amotinados, apoia o levante. No entanto, as forças repressoras do império czarista, reprimem violentamente a manifestação popular.

 

Ainda que seja um filme mudo, mas com uma direção, fotografia e música primorosas [apesar dos recursos da época], é uma aula de cinema. A cena mais famosa do filme foi realizada nas escadarias de Odessa, quando um carrinho de bebê escorrega pelos degraus sob os disparos efetuados pelos policiais da guarda imperial e um marinheiro arrisca a sua vida, conseguindo salvar a criança [a metáfora da revolução popular salvando o futuro da nação russa?]. Por causa desta cena famosa, o cineasta norte-americano Brian de Palma prestou uma homenagem a Eisenstein, com o carrinho do bebê, que também despenca numa das escadarias do metrô de Chicago, sob fogo cruzado entre os mocinhos e os mafiosos, em “Os Intocáveis” [The Untouchables, 1987, EUA].

 
Naquele contexto, na recém-instalada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas [URSS], o cinema é mais um instrumento de difusão dos ideais revolucionários. Em "O Encouraçado", a ideologia de Eisenstein se faz presente em cada fotograma. Entretanto, não na forma panfletária stalinista/bolchevique contra o czarismo reinante, para o qual foi encomendado e sim, como o retrato da intolerância humana, de qualquer origem, governo ou período histórico.

 

Sergei Eisenstein era um artista e um revolucionário em todos os sentidos. E por isso o filme sobreviveu, de forma tão poderosa, porque estava impregnado de uma visão global, de uma urgência para falar alto sobre o mundo e, mais do que isso, transformá-lo numa realidade muito além da retórica revolucionária socialista. A obra se confunde com o seu criador. O cineasta russo foi um inovador, vanguardista, praticamente o inventor da técnica da montagem cinematográfica que temos hoje.

 

Muito além de uma propaganda estatal ideológico-partidária, “O Encouraçado” retrata de forma romântica um dos incidentes de 1905, na conturbada Rússia de um Czar indiferente ao sofrimento de seus súditos [o filme pode ser considerado a parábola de um movimento democrático contra o autoritarismo governamental].

 

É considerado uma obra-prima da história do cinema, que estabeleceu padrões para a montagem narrativa.

 

 

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

A Magia do Cinema Começa Pelas Vinhetas dos Estúdios

segunda-feira, 18 de abril de 2011

 

MGM_Invicioneiros 

A Sétima Arte sempre fascinou gerações. Como é gostoso se acomodar na poltrona de uma sala escura, com pipoca e refrigerante nas mãos, e aguardar ansiosamente, com a galerinha, a exibição de um filme na tela grande!

 

Ainda que com a comodidade dos “Home Videos” (com o VHS na década de 80 e com o DVD na de 90) e dos “Home Theatre” (com as suas gigantescas TVs de LCD, Led e O-Led), nada superou a sensação de se assistir aos filmes nas salas de cinema, mesmo que fiquemos “de castigo” por umas 2 horas naquela “solitária coletiva”... [Lamenta-se profundamente que o Cine Paraopeba do “Sô” Wander Marotta, se foi com o seu dono e deixou tantas saudades! Um patrimônio da cultura paraopebense, que deveria de ter sido tombado pelo poder público municipal.]

 

Uma coisa que sempre me chamou a atenção são as vinhetas de abertura das produtoras cinematográficas. São um show a parte!

 

Depois de esperarmos por chatos “trailers” de filmes (que provavelmente nunca assistiremos), ao aparecer a vinheta da produtora é quando sabemos que o “show” irá começar de verdade!

 

Após uma breve pesquisa, escalei um time de vinhetas dos grandes estúdios de Hollywood. Embora a maioria sofreu inovações, eu selecionei as versões que eu mais gostei.

 

Metro Goldwyn Mayer (MGM)

 

Desde menino, esta vinheta me fascina com o efeito do leão rugindo. Os seus quase 10 segundos é de uma imponência e beleza plástica impressionantes. Esta vinheta passou por vários leões desde 1921, e que a partir de 1924, passaram a ser nominados:
- Goldwyn Pictures Lion #1, 1921
- Goldwyn Pictures Lion #2, 1924
- MGM - Slats the Lion, 1924
- MGM - Jackie the Lion, 1929
- MGM - Telly the Lion, 1928
- MGM - Coffee the Lion, 1932
- MGM - Tanner the Lion, 1934
- MGM - George the Lion / Brief Mane, 1956-1957
- MGM - Leo the Lion, 2008

 

Como se trata de um estúdio pertencente a cidadãos americanos de origem judaica, o animal é uma referência ao “Leão da Tribo de Judá”, descrito na Bíblia Sagrada.

 

O leão “superstar” da vinheta a seguir, chamava-se Tanner:

 

 

 

20th Century Fox

 

A música desta vinheta é um clássico do cinema. Embora de concepção visual mais simples que a de outros estúdios, é simplesmente arrepiante (ainda que lembre um mausoléu):

 

 

 

Universal Pictures

 

Também de concepção simples, a combinação de imagem e som é clássica e assombrosa:

 

 

 

Paramount  Pictures

Esta vinheta apresentou uma versão inovadora: imagem sem som. E o resultado também ficou fantástico:

 

 

 

Warner Bros. Pictures

 

Vinheta lendária que ficou mais associada aos desenhos do Pernalonga, por causa de sua logomarca WB. Nesta versão, a música é de sua megaprodução “Casablanca”, o que deixa tudo ainda mais nostálgico:

 

 

 

Columbia Pictures

 

Não há vinheta mais americanizada que esta, com a mulher no olimpo segurando a tocha, como se fosse a Estátua da Liberdade. Diz a lenda que era uma forma para driblar o Macartismo que aterrorizou os artistas de cinema nas décadas de 40 e 50. Simples visualmente, mas com uma música perfeita, também é outro clássico das vinhetas de abertura:

 

 

 

TriStar Pictures

 

Combinando os estilos da MGM e da Paramount, esta vinheta também utiliza um animal (um corcel branco que se transforma num pégasus) e não possui áudio. Esta bem elaborada vinheta dos anos 80 é a que apresentou o resultado mais onírico e mágico de todas da TriStar:

 

 

 

Columbia TriStar Pictures

Com a fusão dos estúdios Columbia e TriStar, foi concebida a nova vinheta. Na minha opinião, houve mais efeito digital que criatividade. Mas ainda assim pode ser considerada clássica:

 

 

 

Dreamworks Animation

 

Nesta vinheta, os balões do menino são a metáfora de “nossa imaginação de menino”, que vai subindo, subindo, subindo, até tocar o infinito, o desconhecido:

 

 

 

Pixar Animation Studios

 

Divertida vinheta que homenageia os antigos desenhistas de animação da Disney. É protagonizada por uma lâmpada, que no primórdio dos tempos da animação, iluminava as pranchetas dos desenhistas, antes da era digital.

 

 

 

Castle Rock Entertainment

 

Esta vinheta não é tão famosa como as anteriores, mas sou fã dela. A beleza do farol girando enquanto um novo dia amanhece esperançoso sobre o azul do mar que se revela com a luz, é poética como uma canção de Dorival Caymmi ou um conto de Gabriel García Marquez:

 

 

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Quero Ser Omar Kháyyám

segunda-feira, 11 de abril de 2011

 

Omar_Poeta_Persa

 

Você, caro leitor, já deve ter assistido ou pelo menos ouvido falar do filme “Quero Ser John Malkovich” (Being John Malkovich, EUA, 1999), estrelado por John Cusack, Cameron Diaz e o próprio John Malkovich, no papel de si mesmo. É imperdível!

 

Eu, por algumas vezes, já pirei de me imaginar sendo uma destas figuras intrigantes em várias fases da minha vida: Bruce Wayne (dos 5 aos 7 anos), Speed Racer (dos 8 aos 10), Éder Aleixo de Assis (dos 11 aos 13), Michael Jackson (dos 14 aos 15), Elvis Presley (aos 16), Lenny Kravitz (aos 22), Edmundo Alves de Souza Neto (aos 25), Rocco Siffredi (oops!), e claro: Paul Macca!

 

Mas no “dream team” acima, eu omiti um nome, que não é tão “pop” quanto os demais, mas de uma importância na literatura mundial como poucos. Trata-se de Ghiyath Al-Din Abu'l-Fath Omar Ibn Ibrahim Al-Nishapuri Al-Kháyyám, ou simplesmente Omar Kháyyám (Nichapur, Pérsia, 1040 – 1125), grande matemático e astrônomo, além de ter sido um poeta, cuja obra fui conhecer aos 16, 17 anos, enquanto me aventurava pelos labirintos caleidoscópicos da poesia. Na época fiquei impressionado com os belos versos em ritmo eclesiástico e por sua visão da precariedade do destino humano, tendo sempre o vinho como bálsamo para a alma dolorida do poeta.

 

Omar Kháyyám (pronuncia-se “omáre xaián”) era um iluminista e ambientalista a frente de seu tempo e me fez ter uma outra percepção da existência humana, pelo seu desprezo às vaidades terrenas; pela busca de respostas no campo espiritual e pela exaltação à natureza.

 

Lembro de um Rubai (poema em quatro versos) que eu havia datilografado deste poeta persa e era o prefácio de meu portfólio de charges, caricaturas e outros imbondos de minha juventude:

 

A nossa vida é breve como um incêndio.

Chama, que um leve sopro apaga;

Cinzas, que o vento dispersa:

Eis a existência de um homem.

 

Omar_Poema_Tatuado

 

Acostumado aos poemas de gigantes da poesia ocidental, tais como Carlos Drummond de Andrade, Augusto dos Anjos, Oswald de Andrade, Fernando Pessoa, Charles BaudelaireAllen Ginsberg, Ian Curtis, Jim Morrison, Pablo Neruda, Alda Ghisolfi, Renato Russo, The EDN, etc, Omar Kháyyám, com a influência do islã e da rica cultura árabe, me fascina até hoje com os seus Rubaiyat (plural de Rubai):

 

Os sábios e os filósofos mais ilustres caminharam nas trevas da ignorância.
E eram os luzeiros do seu tempo...
Em suma, que fizeram eles?
Pronunciaram algumas frases confusas e adormeceram fatigados.

 

Há miríades de séculos, as auroras e os crepúsculos sucedem.
Há séculos e séculos os astros fazem a sua ronda de sempre.
Pise a terra com cautela...
Talvez o torrão que vais esmagar tenha sido o olho terno 

de uma bela adolescente.

 

Não pedi a vida a ninguém.
Esforço-me por acolher sem espanto e sem cólera
tudo o que a vida me oferece.
Partirei sem indagar.

Sim, partirei sem indagar o motivo da minha misteriosa estada neste mundo.

 

E esta é apenas uma pequena amostra do que me fez querer ser Omar Kháyyám, também...

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Bravura Indômita

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

 

True_Grit_Coen_Bros_Invicioneiros

 

Para aqueles (e aquelas) que apreciam filmes de faroeste como eu, os irmãos Ethan e Joel Coen estão nos presenteando com um “remake” do clássico “Bravura Indômita” (True Grit, 2010).

 

A versão original é de 1969, e contou com a brilhante atuação de um dos maiores e mais carismáticos atores “hollywoodianos” de todos os tempos: John Wayne, que fez o papel do xerife Reuben J. Cogburn (que na versão atual é vivido por Jeff Bridges) e teve a direção equilibrada e primorosa de Henry Hathaway.

 

Baseada na obra de Charles Portis, a trama gira em torno do desejo de vingança da menina Mattie Ross (atuação muito elogiada da jovem Hailee Steinfeld de apenas 13 anos -  indicada ao Oscar, inclusive) que  contrata um ex-xerife beberrão com tapa-olho (Jeff Bridges) e o “Texas Ranger” La Boeuf (Matt Damon), para que capturem o assassino de seu pai. Ela exige que vá junto na jornada, para ter a certeza de que o contrato será fielmente cumprido. Na perseguição, em meio aos inúmeros conflitos de personalidades (clichês nestes filmes), eles acabam entrando em território indígena, na intenção de alcançar o criminoso Tom Chaney (Josh Brolin).

 

True_Grit_Invicioneiros

 

Vejam o “trailer” legendado em HD:

 

 

 

No faroeste moderno “Onde Os Fracos Não Têm Vez”, os irmãos Coen já demonstravam o talento para o “western”. Inclusive contrataram o ator Josh Brolin que em “Onde os Fracos Não Têm Vez” fez o papel do “mocinho”.

 

Para este escriba é a união do “útil ao agradável”, pois além de apreciar filmes clássicos de “bang bang”, é fã da obra e do humor negro dos irmãos Coen, que dirigiram filmes do quilate de um “Gosto de Sangue” , “Fargo” (tenho até hoje a versão em VHS) e “Onde os Fracos Não Têm Vez”.

 

Eu ainda não assisti ao filme e quero vê-lo no cinema. Por isso enviei um “e-mail” para a Fox Cine Clube de Sete Lagoas para saber sobre a previsão de exibição de “Bravura Indômita” e ainda não obtive resposta. Tentei falar por telefone com o Cinema do Shopping Sete Lagoas e nada. Tomara que não deixem de exibir este filme na região!

 

Alguns comentários que li sobre o “remake” de “Bravura Indômita” concordam que o filme é bom, mas alegam que é um pouco lento. Mas esta cadência é uma característica do estilo Coen (no espetacular “Onde os Fracos Não Têm Vez” é assim também).

 

Os irmãos Coen inventaram de dizer que jamais assistiram ao filme original, o que é o maior “totonho” *, como se diz aqui no Cedro…

 

E para finalizar, dizem que a combinação de imagens de “Bravura Indômita” com a música “God's Gonna Cut You Down” de Johnny Cash é algo de arrepiar!

 

 

 

 * mentira, lorota, exagero.

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, torcedor do Galo, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Alfred Hitchcock: 30 Anos da Morte do Homem que Sabia Demais

segunda-feira, 29 de março de 2010

 

Alfred_Hitchcock_Invicioneiro

 

No fim de abril, serão completados 30 anos da morte do genial cineasta inglês Alfred Hitchcock (13 de agosto de 1899 – 29 de abril de 1980).

 

 Hitchcock começou como cenógrafo e assistente de direção em 1920 e se transformou em diretor quando o titular de uma produção ficou doente. A partir daí, não parou mais de dirigir e produzir filmes.

 

Mas como um jogador de futebol que precisa descobrir a sua posição ou um pássaro a procura da corrente de ar ideal para se manter em voo, Hitchcock se encontrou quando passou a dirigir thrillers de suspense.

 

O que parecia uma intriga internacional - Hitchcock jamais recebeu um Oscar de melhor diretor, resultou em algo bem mais glorioso: o título consagrador de “O Mestre do Suspense” e arrebanhou com isso uma legião fanática de admiradores e cultuadores, devido ao acervo de suas obras inesquecíveis e eternas.

 

 Hitchcock conseguiu também várias façanhas na Sétima Arte: ter uma filmografia repleta de sucessos de crítica e de público e ser copiado e citado até hoje. Steven Spielberg, por exemplo, admite que a famosa trilha incidental de seu “Tubarão” (1975), foi inspirada na trilha incidental da cena clássica do banheiro de “Psicose” (1960). O lendário Mestre do Suspense conseguiu também que a TV Globo exibisse o filme “Festim Diabólico” (1948) sem intervalos comerciais e com direito à luxuosa apresentação de Fernanda Torres.

 

O seu estilo envolvia histórias com homens comuns em situações limites, loiras geladas e tramas intricadas e cheias de armadilhas.

 

Um voyeur da alma humana, Hitchcock espionava os nossos medos através de suas objetivas e padecia de uma psicose pelo perfeccionismo, além de possuir um soberbo domínio da técnica cinematográfica.

 

Talentoso e dono de um humor fino tipicamente britânico, está para os thrillers, o que os Beatles estão para a música: ousado, inovador e sutil, em obras que sempre terão mil interpretações.

 

Sir Alfred Joseph Hitchcock deixou como legado uma dezena de obras-primas: “Festim Diabólico” (1948), “Disque M para Matar” (1954), “Janela Indiscreta “(1954), “Ladrão de Casaca” (1955), “O Homem que Sabia Demais” (1956), “Um Corpo que Cai” (1958), “Intriga Internacional” (1959), “Psicose”(1960), “Os Pássaros”(1963) e “Marnie – Confissões de uma Ladra” (1964).

 

Eis a clássica cena do banheiro de “Psicose”:

 

 

 

 

[fotomontagem by Harley Coqueiro]

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, torcedor do Galo, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Audaciosamente

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

 
 
Desde tempos em que nadava no “corgão” do Cedro e escalava pés de ingás, que eu gostava de ficção científica. O inusitado dessa declaração esdrúxula é mesmo para mostrar as facetas incongruentes do que isso representa para mim.

Enquanto subia nas árvores, imaginava-as naves espaciais e ao mergulhar nas águas do “corgão” imaginava-me no fundo do mar. Daí, meus contemporâneos podem imediatamente remeter-se às séries Jornada nas Estrelas (“Star Trek”) e Viagem ao Fundo do Mar (“Voyage to the Bottom of the Sea”).

A grande verdade é que ficção científica sempre me atraiu. Não apenas as duas séries citadas despertavam minha atenção, mas também outras séries e filmes, além das leituras que fiz de autores como Eric Arthur Blair, mais conhecido como George Orwell (autor do livro 1984); de Isaac Asimov (o mestre dos robôs) e de Arthur C. Clark (2001: Uma odisseia no espaço).

Filmes como a sequência de Star Wars e O Exterminador do Futuro também fizeram minha cabeça. Mas hoje quero falar especialmente de Jornada nas Estrelas. Com o lançamento do último filme em 2009, o interesse mundial pela série retornou. Para quem sempre foi “trekker”, como eu, esse interesse sempre existiu. Mas nos sentimos melhor ao ver que sempre estivemos indo audaciosamente aonde ninguém nunca foi em nosso interesse.

O filme Star Trek (2009) traz um enredo interessante, onde um romulano renegado chamado sugestivamente de Nero volta ao século 23 de forma acidental e tem a chance de destruir Vulcano (planeta do Spock) e de impedir que Romulus seja destruído no século 24. Some-se a isso o detalhe de que Nero deseja se vingar de Spock, a quem culpa por não ter impedido a destruição de seu mundo. Quando chega no ano 2233, Nero destrói a USS Kelvin e provoca a morte de George Kirk, pai de James T. Kirk. Isso causa uma alteração na linha do tempo e cria uma nova realidade. Porém, Spock também volta no tempo e tenta ajudar James Kirk. Assim, vê-se o surgimento da tripulação da Enterprise, e como eles se reúnem na primeira missão, que é deter o temível romano, quer dizer, romulano Nero.

O filme Jornada nas Estrelas até agora tem despertado um grande interesse da mídia e do público, mesmo com um concorrente contemporâneo de peso no mesmo gênero, que é um dos filmes mais lucrativos da história do cinema: Avatar.

Isso mostra a atração que Jornada nas Estrelas ainda possui. A Wikipedia relata que “Star Trek é uma indústria multibilionária, hoje de propriedade da CBS. Ao criar o universo ficcional, Gene Roddenberry pretendeu contar histórias sofisticadas usando situações futurísticas como analogias para problemas atuais na Terra. A linha de abertura da série original, ‘Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve’, foi inspirada, quase integralmente, de uma brochura da Casa Branca acerca do espaço, produzida após o lançamento do Sputnik, em 1957. O trio central da narrativa, Kirk, Spock e McCoy, foi moldado conforme padrões mitológicos. Roddenberry incluiu uma tripulação multi-étnica, aludindo à diversidade humana e a circunstâncias políticas da época.

Star Trek e seus sub-produtos mostraram-se altamente populares em reprises na televisão e aparecem hoje em canais de TV de todo o mundo. O impacto cultural das séries inclui convenções de fãs e uma subcultura própria.

Considera-se que as séries motivaram o design de muitas tecnologias atuais, como o Tablet PC, o PDA, o telefone celular (lembra o Startac, da Motorola? é baseado no comunicador dos tripulantes da Enterprise) e o exame de ressonância magnética.”
(Fonte: Wikipedia)

Deixo, para finalizar, nesse post, alguns versos:


“Audaciosamente”

Quisera ir para os confins do uni-verso
Audaciosamente
Para buscar o que me completa
Não sou poeta
Sou apenas uma alma repleta
De palavras inconstantes
Que não se contentam em permanecer
Simplesmente quietas dentro de mim

Quisera ir para os confins do uni-verso
O verso que me unirá
Audaciosamente
Ao meu avatar escondido na espaçonave
Enterprise
Entre mim e minha alma não há distância
Apenas ânsia

Quisera ir para os confins do uni-verso
Mas quero ficar aqui mesmo
Em mim mesmado
Atrelado às estrelas no céu
De minha boca que se abre às palavras atrevidas
Que não se deixam esquecidas

James Kirk e Spock são personagens de uma história
Que se confunde com a vida
Audaciosamente
Trazendo a lembrança
De uma criança
Que, nos seus sonhos,
Recusa-se a crescer...
 
The_EDN[2] The EDN, sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas.

Haiti x Paris

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010



Quero apresentar agora aos nobres leitores dois temas aparentemente sem conexão, inspirados por dois textos que li recentemente no sítio da revista Época: “História de amor no Haiti”, de Eliane Brum e “O macho majestoso”, de Ivan Martins. Sugiro a leitura dos textos antes que sigam o que escrevo neste post, para um melhor entendimento. Mas se não quiserem ler, por enquanto, tudo bem. Certamente entenderão minha reflexão, de qualquer maneira.

Qual a conexão existente entre eles?

O texto de Eliane Brum retoma um fato emocionante ocorrido em meio à tragédia do Haiti: a revelação de um amor que demonstra os valores de uma esperança que se sustenta apenas nele. No mundo atual, em que as relações entre casais muitas vezes são marcadas pela superficialidade, o fato ocorrido no Haiti é surpreendente. Naquele momento extremo e trágico, percebendo que sua mulher Jeanette encontrava-se viva sob os escombros, um homem chamado Roger luta para salvá-la.

Já a crônica de Ivan Martins traz um comentário sobre o clássico filme “O Último Tango em Paris”, com uma visão muito interessante do personagem Paul vivido pelo grande ator Marlon Brando (que, de brando não tem nada). No contraponto, coloca a iniciante atriz naquele tempo, Maria Schneider, definitivamente marcada pelo papel da jovem. Esse filme, que é de 1972, só pôde ser exibido no Brasil em 1979, devido ao rigor da censura brasileira na época do regime militar.

São dois casais, um da vida real e outro da ficção. No caso do Haiti, Roger e Jeanette poderiam muito bem ser personagens de uma história fictícia, pois são poucos a acreditar que ainda haja um amor tão grande capaz de se expressar assim. Esse amor supera a barreira da desesperança e do desânimo e mostra-se magnânimo no seio da tragédia haitiana.

Por outro lado, Paul e Jeanne são personagens de ficção que poderiam ser perfeitamente da vida real, dada à maneira como ambos encaram seu relacionamento. O filme, dirigido por Bernardo Bertolucci, relata a história de Paul, um americano dono de um hotel em Paris, viúvo e de meia-idade, que encontra a jovem Jeanne em um apartamento vazio. Ambos se metem (literalmente) numa relação estritamente sexual, na qual nem se chamam pelos nomes.
Nesse breve post não quero tratar da análise de nada, apenas colocar para os leitores a reflexão acerca da seguinte pergunta: ainda existe o verdadeiro amor entre um homem e uma mulher?

A resposta, evidentemente, está no coração de cada um de nós. E ela representará somente aquilo em que acreditarmos de fato.
Quanto ao que eu particularmente acredito, deixo a resposta em versos:

“Soterrado”

preciso desbravar estas ruínas
tenho que mergulhar nos escombros
de mim
redescobrir os caminhos deste labirinto
lapidar o meu sonhar de antigamente
(um que a lembrança esqueceu)
abstrair minhas emoções remotas
que fiquei a ver pelas frestas das ruínas
com a esperança me amparando
com o dedo na boca, olhos opacos
quero ver você de novo
quero ter você de novo
para cuidar de mim
com mertiolate e algodão
recuperar as emoções silentes
buscar no barro as singelas intenções
que escorregaram por meu corpo
até tocarem o chão de minha alma
então voltar às bordas do labirinto
que sou eu mesmo
e soltar essas borboletas
à luz branca do dia
com minhas asas de cera
como Ícaro levantar voo
eu como personagem
e você, minha amada,
aspirando o ar
escavando o chão
de concreto
estendendo a mão
de amor repleto
resgatando minha vida...

The_EDN[2] The EDN, sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas.

Nem James Cameron Nem Real Madrid

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

 

B52_Invicioneiros

 

 

Avatar” encontra-se em cartaz e nem preciso vaticinar que certamente arrebanhará muitas estatuetas do Oscar 2010. Alguns amigos cinéfilos já até me recomendaram o filme.

 

Particularmente, eu não estou com a menor vontade de assistí-lo, pelo menos momentaneamente, por inúmeras razões, sendo a principal delas a manjada estratégia marqueteira de James Cameron, de propalar aos quatro ventos, de que se trata de “uma das produções cinematográficas mais caras da história”.

 

E é esse detalhe que me causa ojeriza em relação aos últimos trabalhos de Cameron. Eu disse “últimos”, porque considero “O Exterminador do Futuro” um dos melhores filmes de ficção científica que já assisti. Se bem que esse também não é um dos meus gêneros favoritos.

 

Quando “Titanic” entrou em cartaz, foi a mesma história: produção milionária e marketing megalomaníaco como o próprio transatlântico que naufragou. Resultado: o maior sucesso cinematográfico de todos os tempos. A maioria das pessoas que eu conhecia, havia assistido no cinema e me deu a impressão de que “jamais na história”, haveria filme tão ou mais emocionante. Eu, um iceberg do desdém, dava de ombros e me orgulhava em dizer que jamais assistiria ao filme. O velho chavão: “não vi e não gostei”...

 

Quase uma década mais tarde, confesso que acabei assistindo ao “Titanic” na Globo. Talvez movido mais por uma curiosidade mórbida: eu queria ver o chato do Leonardo DiCaprio morrendo congelado (brincadeirinha!). Conclusão: embora ainda não me empolgasse, não era um filme ruim, apesar da alardeada centena de milhões de dólares investida em sua produção e os óscares cooptados. Na década de 80, no programa “Acredite se Quiser” do lendário Jack Palance, eu vi um documentário sobre o histórico naufrágio, que ficou bem mais espetacular.

 

Eu já tentei buscar as razões que me levam a pensar e a agir assim. Talvez por ser mineiro e pobre (inclusive de espírito), desconfio sempre de ações que envolvam ou que dizem envolver muito dinheiro. Por exemplo, se eu fosse espanhol, dificilmente torceria pelo Real Madrid ou Barcelona. Pode ser ingenuidade minha, mas por mais que tentem me convencer do contrário, torcer para times que podem comprar os melhores jogadores do planeta, na hora em que bem entenderem, não tem graça. É artificial demais. Não sei se é porque o meu time, quebrado, já chegou ao cúmulo de não ter dinheiro sequer para pagar o salário do porteiro do clube...

 

Por isso eu sou daqueles que torcem pelo Davi diante do Golias. E assim sendo, continuarei sempre a torcer pelos moleques palestinos contra os soldados do exército mais poderoso e “abençoado” da terra.

 

 

[Gif by Harley Coqueiro]

Infravermelho: Não Vá Ao Cinema Sem Ele!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

infravermelho_leao_micos

O expressionismo alemão é um movimento de vanguarda artística, que surgiu entre o final do século XIX e o começo do XX. O contexto de época foi marcado pelo desamparo e o medo da sociedade que passara, recentemente, pela primeira unificação da Alemanha, mas que ainda não apresentava sinais de evolução industrial.

 

Eis que não só ocorriam mudanças políticas e econômicas, mas também intelectuais e culturais: foram rompidas as crenças religiosas – principalmente a católica – e a existência de um deus já não mais era incontestável, aumentando ainda mais os questionamentos acerca dos mistérios da vida e da morte. O homem passara a ser responsável por si próprio e por seu futuro; a vida após a morte já não era certa.

 

Foram tais incertezas que resultaram no medo, na angústia, na solidão e nos sentimentos mais sombrios que a sociedade poderia sentir.

 

Deste movimento surgiram inovações marcantes na arte, especialmente no cinema e na pintura.

 

No cinema, desenvolveu-se uma inventiva técnica de luz e sombra, que resultara num visual impactante, apoiado em incrível cenografia gótica. O filme “Nosferatu[bb]”, de 1922, mudo e em P&B, apesar de hoje parecer meio ridículo, na época foi o pesadelo de gerações. É uma clássica produção cinematográfica expressionista, que utilizou locações reais na Romênia e fotografia sombria que envolvem os personagens em um clima fantasmagórico. Veja o trailler:

Nas[bb] artes plásticas, os aspectos mais significativos são o distanciamento da representação figurativa e o uso arbitrário de cores e traços fortes, com formas contorcidas e dramáticas. O grande precursor do movimento foi ninguém menos que Vincent Van Gogh.

E o que tem a ver o expressionismo alemão com o fato de se ter que ir ao cinema com infravermelho?

 

Ocorre que o movimento expressionista inspirou a produção de filmes noir em Hollywood, nas décadas de 30, 40 e 50, principalmente os filmes de gangster. E por tabela, inspirou os filmes das décadas de 80 e seguintes.

 

As produções cinematográficas atuais seguem inpiradas por esta “técnica de penumbra” que já dá ares de saturação.

 

Um dia desses, por exemplo, assistindo a um filme no Supercine da Globo, eu consegui enxergar apenas os vultos dos personagens durante a exibição. Pensei até que a minha TV estivesse com problemas no ajuste de imagens ou que a minha miopia tivesse piorado de vez!

 

Claro que eu concordo que a técnica noir / expressionista é primorosa, principalmente para filmes de suspense. Mas já encontra-se deveras exaustiva. Às vezes há filmes que visualmente são um breu, um quadro negro, em que você apenas escuta o diálogo dos personagens e a música incidental. Está ocorrendo o inverso dos primórdios do cinema:antes mudo e com imagens em movimento; agora, falado mas (quase) sem imagens!

 

E o pior é que tal técnica transcendeu as artes, influenciando de simples entrevistas aos talk shows. O mundo parece estar cada vez mais dark e sombrio em tom pastel. Um mundo neoexpressionista!

 

A impressão que fica é que nos EUA e na Europa[bb] estão eternamente sob um tempo nublado e com constante racionamento de energia, e que o sol apenas brilha ao sul do Equador.

 

Se eu já cheguei a usar óculos 3D no Cine Paraopeba, hoje só consigo assistir aos filmes e seriados com luz infravermelha.

Por Harley Coqueiro

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